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Especial
Casal imperial comemorou 50 anos de união
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Imperador
Akihito e imperatriz Michiko comemoraram bodas de ouro de um matrimônio
que
modificou várias tradições do trono mais antigo do
mundo
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Rogérstronomia
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(Fotos: Kyodo
e Reprodução)
O imperador
Akihito e a imperatriz Michiko comemoraram, no dia 10 de abril de 2009,
50 anos de casamento. Para comemorar a data, a Agência da Casa Imperial
divulgou a lista com os nomes dos casais que participaram da festa de
bodas de ouro. Entre os convidados, estão pessoas que contribuíram
para a sociedade ou são engajadas em trabalhos voluntários
no Japão.
Ao todo, 101
casais estiveram na festa. Eles foram escolhidos entre aqueles que também
estão celebrando as bodas de ouro neste ano e a seleção
inclui pessoas da indústria da pesca e da agricultura, assim como
aquelas ligadas às administrações municipais, o que
reflete a vontade do casal imperial de dividir sua alegria com o
povo.
Akihito e Michiko
casaram-se em 10 de abril de 1959. Eles haviam se conhecido em agosto
de 1957, durante um campeonato de tênis em Karuizawa, província
de Nagano. Na época, Michiko Shoda tinha 22 anos. Akihito ainda
era o príncipe herdeiro, filho do imperador Hirohito. O noivado,
mesmo sob protestos já que Michiko era uma plebeia ,
foi aprovado em 27 de novembro de 1958.
O casal imperial
tem três filhos. O mais velho, Naruhito, nasceu em 23 de fevereiro
de 1960. Cinco anos depois, em 30 de novembro, veio ao mundo o príncipe
Akishino. Por fim, a imperatriz deu à luz a Sayako, em 18 de abril
de 1969. Esta última abriu mão da realeza após casar-se,
em novembro de 2005, com o plebeu Yoshiki Kuroda. Akihito e Michiko têm
também quatro netos (Aiko, do casal Naruhito e Masako, e Mako,
Kako e Hisahito, do matrimônio entre Akishino e Kiko).

Saúde fragilizada do casal motivou o cancelamento de vários
compromissos oficiais |

Origem plebeia da imperatriz foi um problema para o casal no início
da união |
Mesmo ocupados
com suas funções, Akihito e Michiko quebraram uma tradição,
ao preferirem cuidar de seus filhos pessoalmente, ao invés de confiá-los
aos cuidados de camaristas da corte. Quando ainda eram o casal herdeiro,
os dois realizaram visitas oficiais a pelo menos 37 países.
De príncipe a imperador
Em 7 de janeiro
de 1989, com a morte de seu pai, Akihito assumiu o Trono do Crisântemo.
Ele foi entronizado no dia 12 de novembro de 1990. Desde que chegou ao
posto, o imperador, ao lado de sua esposa, aproximou a família
imperial do povo japonês, visitando as 47 províncias. Além
disso, ambos já viajaram para 80 países. Só o Brasil
foi visitado três vezes. A última ocasião ocorreu
em 1997.
Nos últimos
tempos, a saúde do imperador tem sido motivo de preocupação.
Em dezembro de 2002, descobriu-se que Akihito tinha câncer de próstata.
Ele foi submetido a uma cirurgia imediata, que foi bem-sucedida. No ano
passado, sua saúde preocupou novamente os japoneses. Em dezembro,
seus compromissos oficiais foram cancelados, devido a uma arritmia e à
pressão alta. Exames feitos dias depois confirmaram sinais de desgaste
e sangramento no estômago, além de problemas no intestino
causados por estresse.
Incentivo ao estudo
A Fundação
de Bolsas de Estudo do Príncipe Herdeiro Akihito foi fundada em
1959, em comemoração do casamento do então príncipe
herdeiro Akihito com Michiko Shoda. A entidade oferece bolsas de estudos
a estudantes de pós-graduação japoneses e americanos
para estudo no Havaí e no Japão.
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Akihito
e Michiko conheceram-se em um torneio de tênis
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Akihito
O imperador Akihito nasceu em 23 de dezembro de 1933
em Tóquio. Historicamente, ele é o 125º a ocupar
o trono japonês, posição que ocupa desde 1989,
após o falecimento de seu pai, Hirohito (também chamado
de imperador Showa). Sua mãe era a imperatriz Kojun (Nagako).
Durante
a infância, Akihito foi educado inicialmente por tutores particulares
e estudou, entre 1940 e 1952, na instituição de ensino
Gakushuin. Durante a ocupação norte-americana após
a Segunda Guerra, Elizabeth Gray Vining foi nomeada sua tutora e
ensinou-lhe o idioma inglês.
Akihito
tornou-se um estudioso amador de ictiologia (estudo dos peixes)
e publicou muitos trabalhos e livros sobre o peixe caboz. Em 2005,
um nova espécie desse mesmo peixe foi nomeada Exyrias akihito
em sua honra.
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Michiko
A imperatriz Michiko nasceu em Tóquio no dia
20 de outubro de 1934. Ela era a filha mais velha do empresário
Hidesaburo Shoda, presidente de uma companhia de moagem de farinha
de Nisshin, e de sua esposa, Fumiko Soejima.
Michiko
estudou na Escola Elementar Futaba, em Tóquio, mas foi obrigada
a deixá-la na quarta série, devido ao bombardeio norte-americano
durante a Segunda Guerra. Ao retornar à escola depois da
guerra, ela terminou o ensino secundário em Seishin, também
na capital japonesa.
Michiko
obteve o título de bacharelado em literatura inglesa pela
Faculdade de Literatura da Universidade do Sagrado Coração
em 1957. Mesmo reservada, ela foi eleita presidente do grêmio
estudantil por suas colegas e oradora da turma durante a cerimônia
de graduação.
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Curiosidades
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Família
Shoda
A família Shoda, da imperatriz Michiko, é proprietária
da Nisshin Seifun, fabricante de farinha de trigo. A empresa não
tem relação com a Nisshin fabricante de lamen. A Nisshin Seifun
surgiu em Tatebayashi, Gunma, em 1900, e mudou sua sede para Tóquio
em 1908.
Desfile
de casamento
O desfile de bodas correu 8,18 km entre o Palácio Imperial e o
Palácio Tougû Karigosho. Percorreu o bairro de Shibuya em
Rolls-Royce e carruagem. Aproximadamente 530 mil pessoas foram às
ruas do bairro para ver o casal Akihito e Michiko.
Micchi
boom
Após o anúncio do noivado, Michiko tornou-se
uma famosa personalidade no Japão e fabricantes de TV fizeram publicidade
massiva para a venda de seus aparelhos, com o pretexto de trasmitir
a parada das bodas imperiais ao vivo. Não há números
exatos quanto às vendas do aparelho, mas, como base de referência,
pode-se usar o número de novos contratos da TV pública NHK:
uma semana antes da cerimônia, o número de lares com contrato
para acesso às transmissões passou de 2 milhões.
Naruhito,
a esposa, Masako, e a filha, Aiko |
Naru-chan
Kenpô
O nascimento do príncipe Naruhito, em fevereiro de
1960, trouxe alegria à população e alívio
à então princesa, uma vez que ela era rejeitada pelas mulheres
da família imperial e da antiga nobreza por ser uma plebeia. Entre
22 de setembro e 7 de outubro do mesmo ano, ela acompanhou o então
príncipe Akihito em uma viagem aos EUA, na comemoração
do centenário de amizade entre os dois países. Como teve
que deixar no Japão o filho de 7 meses, Michiko deixou anotações
para as babás sobre como cuidar do bebê, o que acabou chamado
de Naru-chan Kenpô (Constituição do Naruzinho,
em tradução livre).
Cozinha
Por
ter origem plebeia, Michiko trouxe à família imperial noções
de uma família comum. A seu pedido, foi instalada uma cozinha no
palácio Tôgu Gosho (Palácio do Príncipe herdeiro),
porque ela queria preparar alguma coisa para o príncipe.
Ela teria feito obentô para os três filhos nessa cozinha e,
lá, teria ensinado a filha, Sayako, a cozinhar, já que ela
deveria deixar família imperial ao se casar.
Rosa
A empresa britânica Dickson Nurseries Limited deu o
nome de Princess Michiko a uma variedade de rosa lá desenvolvida,
em 1967.
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