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Sábado, 31 de julho de 2010
Especial
Casal imperial comemorou 50 anos de união
Imperador Akihito e imperatriz Michiko comemoraram bodas de ouro de um matrimônio que
modificou várias tradições do trono mais antigo do mundo

Rogérstronomia

(Fotos: Kyodo e Reprodução)

O imperador Akihito e a imperatriz Michiko comemoraram, no dia 10 de abril de 2009, 50 anos de casamento. Para comemorar a data, a Agência da Casa Imperial divulgou a lista com os nomes dos casais que participaram da festa de bodas de ouro. Entre os convidados, estão pessoas que contribuíram para a sociedade ou são engajadas em trabalhos voluntários no Japão.

Ao todo, 101 casais estiveram na festa. Eles foram escolhidos entre aqueles que também estão celebrando as bodas de ouro neste ano e a seleção inclui pessoas da indústria da pesca e da agricultura, assim como aquelas ligadas às administrações municipais, o que reflete a vontade do casal imperial de “dividir sua alegria com o povo”.

Akihito e Michiko casaram-se em 10 de abril de 1959. Eles haviam se conhecido em agosto de 1957, durante um campeonato de tênis em Karuizawa, província de Nagano. Na época, Michiko Shoda tinha 22 anos. Akihito ainda era o príncipe herdeiro, filho do imperador Hirohito. O noivado, mesmo sob protestos – já que Michiko era uma plebeia –, foi aprovado em 27 de novembro de 1958.

O casal imperial tem três filhos. O mais velho, Naruhito, nasceu em 23 de fevereiro de 1960. Cinco anos depois, em 30 de novembro, veio ao mundo o príncipe Akishino. Por fim, a imperatriz deu à luz a Sayako, em 18 de abril de 1969. Esta última abriu mão da realeza após casar-se, em novembro de 2005, com o plebeu Yoshiki Kuroda. Akihito e Michiko têm também quatro netos (Aiko, do casal Naruhito e Masako, e Mako, Kako e Hisahito, do matrimônio entre Akishino e Kiko).


Saúde fragilizada do casal motivou o cancelamento de vários compromissos oficiais

Origem plebeia da imperatriz foi um problema para o casal no início da união

Mesmo ocupados com suas funções, Akihito e Michiko quebraram uma tradição, ao preferirem cuidar de seus filhos pessoalmente, ao invés de confiá-los aos cuidados de camaristas da corte. Quando ainda eram o casal herdeiro, os dois realizaram visitas oficiais a pelo menos 37 países.

De príncipe a imperador

Em 7 de janeiro de 1989, com a morte de seu pai, Akihito assumiu o Trono do Crisântemo. Ele foi entronizado no dia 12 de novembro de 1990. Desde que chegou ao posto, o imperador, ao lado de sua esposa, aproximou a família imperial do povo japonês, visitando as 47 províncias. Além disso, ambos já viajaram para 80 países. Só o Brasil foi visitado três vezes. A última ocasião ocorreu em 1997.

Nos últimos tempos, a saúde do imperador tem sido motivo de preocupação. Em dezembro de 2002, descobriu-se que Akihito tinha câncer de próstata. Ele foi submetido a uma cirurgia imediata, que foi bem-sucedida. No ano passado, sua saúde preocupou novamente os japoneses. Em dezembro, seus compromissos oficiais foram cancelados, devido a uma arritmia e à pressão alta. Exames feitos dias depois confirmaram sinais de desgaste e sangramento no estômago, além de problemas no intestino causados por estresse.

Incentivo ao estudo

A Fundação de Bolsas de Estudo do Príncipe Herdeiro Akihito foi fundada em 1959, em comemoração do casamento do então príncipe herdeiro Akihito com Michiko Shoda. A entidade oferece bolsas de estudos a estudantes de pós-graduação japoneses e americanos para estudo no Havaí e no Japão.

 

Akihito e Michiko conheceram-se em um torneio de tênis

Akihito
O imperador Akihito nasceu em 23 de dezembro de 1933 em Tóquio. Historicamente, ele é o 125º a ocupar o trono japonês, posição que ocupa desde 1989, após o falecimento de seu pai, Hirohito (também chamado de imperador Showa). Sua mãe era a imperatriz Kojun (Nagako).

Durante a infância, Akihito foi educado inicialmente por tutores particulares e estudou, entre 1940 e 1952, na instituição de ensino Gakushuin. Durante a ocupação norte-americana após a Segunda Guerra, Elizabeth Gray Vining foi nomeada sua tutora e ensinou-lhe o idioma inglês.

Akihito tornou-se um estudioso amador de ictiologia (estudo dos peixes) e publicou muitos trabalhos e livros sobre o peixe caboz. Em 2005, um nova espécie desse mesmo peixe foi nomeada Exyrias akihito em sua honra.

Michiko
A imperatriz Michiko nasceu em Tóquio no dia 20 de outubro de 1934. Ela era a filha mais velha do empresário Hidesaburo Shoda, presidente de uma companhia de moagem de farinha de Nisshin, e de sua esposa, Fumiko Soejima.

Michiko estudou na Escola Elementar Futaba, em Tóquio, mas foi obrigada a deixá-la na quarta série, devido ao bombardeio norte-americano durante a Segunda Guerra. Ao retornar à escola depois da guerra, ela terminou o ensino secundário em Seishin, também na capital japonesa.

Michiko obteve o título de bacharelado em literatura inglesa pela Faculdade de Literatura da Universidade do Sagrado Coração em 1957. Mesmo reservada, ela foi eleita presidente do grêmio estudantil por suas colegas e oradora da turma durante a cerimônia de graduação.

 
Curiosidades
Família Shoda
A família Shoda, da imperatriz Michiko, é proprietária da Nisshin Seifun, fabricante de farinha de trigo. A empresa não tem relação com a Nisshin fabricante de lamen. A Nisshin Seifun surgiu em Tatebayashi, Gunma, em 1900, e mudou sua sede para Tóquio em 1908.

Desfile de casamento
O desfile de bodas correu 8,18 km entre o Palácio Imperial e o Palácio Tougû Karigosho. Percorreu o bairro de Shibuya em Rolls-Royce e carruagem. Aproximadamente 530 mil pessoas foram às ruas do bairro para ver o casal Akihito e Michiko.

“Micchi boom”
Após o anúncio do noivado, Michiko tornou-se uma famosa personalidade no Japão e fabricantes de TV fizeram publicidade massiva para a venda de seus aparelhos, com o pretexto de “trasmitir a parada das bodas imperiais ao vivo”. Não há números exatos quanto às vendas do aparelho, mas, como base de referência, pode-se usar o número de novos contratos da TV pública NHK: uma semana antes da cerimônia, o número de lares com contrato para acesso às transmissões passou de 2 milhões.


Naruhito, a esposa, Masako, e a filha, Aiko

Naru-chan Kenpô
O nascimento do príncipe Naruhito, em fevereiro de 1960, trouxe alegria à população e alívio à então princesa, uma vez que ela era rejeitada pelas mulheres da família imperial e da antiga nobreza por ser uma plebeia. Entre 22 de setembro e 7 de outubro do mesmo ano, ela acompanhou o então príncipe Akihito em uma viagem aos EUA, na comemoração do centenário de amizade entre os dois países. Como teve que deixar no Japão o filho de 7 meses, Michiko deixou anotações para as babás sobre como cuidar do bebê, o que acabou chamado de Naru-chan Kenpô (“Constituição do Naruzinho”, em tradução livre).

Cozinha
Por ter origem plebeia, Michiko trouxe à família imperial noções de uma família comum. A seu pedido, foi instalada uma cozinha no palácio Tôgu Gosho (Palácio do Príncipe herdeiro), porque ela queria “preparar alguma coisa para o príncipe”. Ela teria feito obentô para os três filhos nessa cozinha e, lá, teria ensinado a filha, Sayako, a cozinhar, já que ela deveria deixar família imperial ao se casar.

Rosa
A empresa britânica Dickson Nurseries Limited deu o nome de Princess Michiko a uma variedade de rosa lá desenvolvida, em 1967.

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