Rogério
Shimura: presença constante em programas de
TV e em cursos superiores de gastronomia |
Renata
Arassiro, chef chocolatière proprietária da loja Esses
Chocolates, na capital paulista |
Julieta
Handa é responsável pelo menu
degustação do restaurante de Alex Atala |
(Reportagem:
Erika Horigoshi/NB | Fotos: Fabio Hide/NB)
Eles são
simpáticos, competentes e bem-sucedidos. São tidos como
referências nos segmentos do mercado gastronômico nos quais
atuam. Entretanto, esses chefs nikkeis, ao contrário do que se
pode imaginar em um primeiro momento, não trabalham com a culinária
japonesa. O fato é curioso e rende explicações simples.
Como bom oriental, sei fazer pratos japoneses!, brinca o chef
Rogério Shimura. Mas nunca pensei em mudar de cozinha,
completa, referindo-se à sua especialidade: a panificação.
Excelência
O cheiro é
inebriante. De cada forno, Rogério Shimura retira, satisfeito,
assadeiras com pães do tipo italiano enormes, dourados e crocantes.
Sorridente, ele pega a assadeira e faz pose para o fotógrafo. Na
padaria do Restaurante D.O.M., de seu colega Alex Atala, o calor é
intenso e a fome, inevitavelmente, ataca diante de um aroma
tão convidativo.
Em meio à
assessoria de que prestou no restaurante, Rogério conversou com
a equipe de reportagem e orgulhou-se do trabalho: O D.O.M. está
entre os 50 melhores restaurantes do planeta. Fiquei contente com o convite
do Alex [Atala] para a assessoria de panificação.
O interesse
de Rogério Shimura pela culinária é algo de família.
Aprendi os segredos da cozinha japonesa com a minha mãe.
Ela tinha um restaurante em Atibaia, recorda.
Rogério
chegou a estudar Processamento de Dados, mas mudou de ideia. Logo
optei pelo ramo da panificação, conta.
A iniciativa
vingou e Shimura é, hoje, conceituado no segmento de pães
do País. A panificação é a minha especialidade.
E, como profissional, tenho certeza de que é preciso especializar-se
numa cozinha. Para ter excelência no que faz, afirma.
Atualmente,
o chef divide seu tempo entre aulas nos cursos de graduação
e pós-graduação nas Universidades Anhembi Morumbi
e São Camilo, participações em programas de TV e
assessorias.
Talento
e reconhecimento
À primeira
vista, é difícil classificar o que mais chama a atenção:
a sofisticada loja da chef chocolatière Renata Arassiro, ou a beleza
e a simpatia da proprietária. Impressiona a maneira como ela, disposta,
monta e desmonta delicadas bandejas de vidro com diferentes bombons
de sabores magníficos! organizados segundo as instruções
do fotógrafo para os cliques.
Renata saiu
do ramo da engenharia têxtil diretamente para o mundo dos chocolates,
sua paixão desde a adolescência. Depois de formada, a chef
ainda conciliou o trabalho com a paixão pelos chocolates, mas optou
pela alternativa literalmente mais saborosa. Era a hora de escolher
e optei pela área que me dá prazer em trabalhar, em pesquisar
e em comer: o chocolate, explica.
Especializada
em chocolate e na fina confeitaria francesa, Renata aproveitou um pouco
da herança oriental em suas criações: Não
deixo de lado minha raízes. Tenho bombons inusitados, como a trufa
de wasabi e o bombom de gengibre, conta.
Renata é,
atualmente, a única embaixadora no Brasil da empresa multinacional
de chocolates franco-belga Barry Callebaut, apontado por muitos como o
melhor do planeta. E concilia as criações para a loja com
consultorias, participações em televisão, revistas
e jornais, além de manter uma linha de chocolates na Casa Santa
Luzia.
Hora
da escolha
Meu
interesse por gastronomia veio dos almoços dos domingos em família,
conta Julieta Handa, responsável pelo menu degustação
do Restaurante D.O.M., de Alex Atala. Concentrada, ela falou à
equipe de reportagem sobre sua carreira e seus projetos.
Ainda
não defini a minha especialidade. Fiz estágio em cozinha
francesa, industrial, já trabalhei com confeitaria e estou, agora,
com a cozinha contemporânea voltada para comida brasileira,
explica.
Pela ascendência
japonesa, Julieta tem interesse pela cozinha do arquipélago. Mas
ainda não tive a oportunidade de trabalhar com culinária
asiática. Pretendo ainda conhecer outros tipos de comida,
planeja.
|

Saiko:
currículo internacional e atração
pela gastronomia do Ocidente |
É no
refrigerado setor de confeitaria do Restaurante D.O.M., do chef Alex Atala,
que se esconde uma japonesa de modos recatados, olhar compenetrado
e personalidade tímida. Enquanto monitora a mistura de um sorvete
de graviola, Saiko Izawa Yoneda conversa com a nossa reportagem, tentando
ignorar a lente da máquina do fotógrafo. Não
gosto de fotos. Sempre estrago tudo piscando ou olhando para o lado errado,
comenta, retraída.
Nascida no
Japão, Saiko estudou em Tóquio e, em duas oportunidades,
enriqueceu seus conhecimentos em Paris, o que a qualificou para o trabalho
de criação de sobremesas no badalado restaurante da capital
paulista. Faço comida asiática, sim, mas a gastronomia
do Ocidente é mais atraente para mim, explica.
Saiko gosta
da culinária brasileira e pretende lecionar e fazer consultorias
futuramente. Quero estudar profundamente os ingredientes brasileiros,
principalmente as frutas, diz.
|