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Estátua
inaugurada no Brasil foi doada pela província de Kanagawa,
local de nascimento de Kinjirô
Quem
foi Ninomiya Sontoku (Kinjirô)
Filho
primogênito de uma família proprietária de terras
no feudo de Odawara (atual Kanagawa), Ninomiya Sontoku recebeu educação
do pai, agricultor amante das letras. O transbordamento do Rio Sakawa
atingiu as terras da família, que ficaram improdutivas. Como
os impostos eram altos, a família foi vendendo as terras
e acabou por perder tudo com a morte do pai e da mãe, quando
Kinjirô tinha 14 anos. Adotado pela família do tio,
que achava que deveria se concentrar na agricultura, Kinjirô
plantou colza (planta parecida com canola) para extrair óleo
e poder estudar à luz de lampião. Ao ver mudas de
arroz jogadas fora, plantou-as e conseguiu colher o equivalente
a 60 quilos de arroz. Desses pequenos trabalhos, conseguiu juntar
dinheiro para comprar de volta as terras da família, aos
20 anos.
Ele
também foi um bom administrador: aos 32 anos, foi contratado
pela família Hattori para administrar seus bens e reestruturar
as finanças. Estudando o fluxo de caixa dos anos anteriores,
Kinjirô estabeleceu os gastos para sair do vermelho. Vendo
o seu trabalho, Tanezane Okubo, senhor feudal de Odawara, superior
da família Hattori, ordenou que ele fosse à atual
província de Tochigi para reerguer a vila de Sakuramachi,
da família Uzu, parente de Okubo. Ele percebeu que os agricultores
não conseguiam pagar os impostos porque o cálculo
era baseado no tamanho das terras, independentemente de a safra
ser boa ou não. Convenceu o governo a baixar os impostos
por dez anos, para que o dinheiro pudesse ser investido na melhora
da produção.
Kinjirô
teve seu trabalho reconhecido e foi nomeado samurai aos 56 anos.
No ano seguinte, ele passou a usar o nome de Sontoku.
Aos
60 anos, ele concluiu o seu modelo de reesturação
financeira e produtiva, que, até hoje, é empregado
no Japão. A sua figura tornou-se popular no século
XX, quando a Associação Hotoku, criada por seus discípulos
para promover o pensamento de Sontoku, passou a doar estátuas
retratando Kinjirô, ou Sontoku, ainda criança. Neste
mês, foi inaugurada uma estátua de Kinjirô no
Brasil, doada pela província de Kanagawa, local de nascimento
de Sontoku.
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Esforço,
autodeterminação, perseverança. Alguns dos valores
creditados aos japoneses e a seus descendentes encontram-se na figura
de um menino que caminha com lenha nas costas e lê ao mesmo tempo,
cuja estátua se encontra em muitas escolas japonesas.
Ninomiya Kinjirô,
que, mais tarde, adotou o nome de Sontoku, foi uma personagem real que
superou as adversidades da pobreza e foi exemplo de líder numa
época em que os japoneses enfrentaram a fome causada pela má
safra. A sua filosofia nasceu da observação do dia-a-dia
como agricultor e administrador de bens e seu maior trunfo foi a prestreza:
cada adversidade era respondida com uma atitude positiva e não
se titubeava em partir para a prática.
Numa época
em que trabalhadores perdem suas casas por inadimplência e grandes
bancos de investimento entram em falência, o ensinamento de Sontoku
volta ao centro das atenções. O grande problema é
que separaram economia da ética, diz Akira Kusayama, diretor
do Museu Hotoku, dedicado a Ninomiya Sontoku.
Observando
os feitos de Sontoku, percebe-se que ele foi visionário, um precursor
de atividades que o mundo ainda hoje se esforça em pôr em
prática. Quando criança, Sontoku percebeu que, plantando
árvores, poderia evitar o rompimento dos diques à medida
que suas raízes cresciam. Hoje, estimula-se a preservação
da mata nativa em torno de ribeirões para evitar o assoreamento
e o desmoronamento das margens.
O sistema de
bancos cooperativos, que vem ganhando destaque como solução
para capitalização de pequenos empreendimentos, já
era praticado por Sontoku como parte dos esforços para reestruturação
econômica, em pleno século XVIII. O sistema, chamado de Gojô-kô,
fundamenta-se nas cinco virtudes do confucionismo: dever, justiça,
respeito (gratidão), sabedoria e confiança. Sontoku percebeu
que atividades como venda, compra e empréstimo de dinheiro tinham
forte presença na relação das pessoas. Ao observar
as cinco virtudes, todas as partes ficariam satisfeitas: quem toma o dinheiro
emprestado não deve se esquecer da gratidão; ao pleitear
direito ou exigir o cumprimento do dever, deve-se fazê-lo com justiça.
Assim, Sontoku conseguiu salvar as finanças do feudo de Odawara,
do qual foi contador.
Como agricultor,
ele pôde evitar a grande fome que assolou o país em 1833:
percebeu que a berinjela recém-colhida tinha gosto de berinjela
de outono, em pleno verão. Observou as plantações
e entendeu que o clima estava frio demais para a época. Assim,
ordenou que fosse plantada uma espécie de cereal mais forte que
o arroz, evitando mortes no caso de má safra. Prevendo safras ainda
piores, ensinou os agricultores a produzir e a estocar reserva.
Mas se a socidade
japonesa tivesse cumprido os ensinamentos de Sontoku, como planejamento
e consciência de limite, não estaria a salvo da crise financeira
que assola o mundo? Não teria evitado a crise moral? Certamente,
respondeu Seizo Ninomiya, tataraneto de Sontoku e representante da Associação
Hotoku do Japão. Ouvindo os nikkeis, senti que as palavras
de Sontoku estão mais vivas no Brasil do que no Japão. É
a lição que levarei aos japoneses, afirmou.
(*Colaboração:
Yoko Fujino/NB)
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