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Sábado, 31 de julho de 2010
Especial
O Japão dos protestos
Mostra nos EUA dá destaque às manifestações ativistas mundo afora tendo, como ponto de partida, importantes momentos históricos do Japão

Violenta manifestação na Faculdade de Odontologia de Tóquio (1969); fotografia de Takeyoshi Tanuma. A direita, pôster xilográfico No G8 Action Japan; artista: Keisuke Narita (2008)

Pôster offset litográfico anti-Vietnã; artista desconhecido (1966)

Farmers Against the Airport: pôster offset litográfico; autor desconhecido (1970)

Pôster digital Aesthetic Activist Recruiting; artista: illcommonz (2001)

Ativistas prendendo a si mesmos em árvores, estudantes organizando-se contra a Guerra do Vietnã e protestantes antiglobalização estão entre as muitas imagens de ativistas do passado e do presente nos Estados Unidos.

Porém, de acordo com uma exposição em cartaz nos últimos meses do ano passado em Nova York, tais ideias têm igualmente firme base no Japão, um país comumente conhecido muito mais por sua harmonia e por sua unidade nacional do que pela resistência interna de seu povo.

“Ambos, o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos e o movimento japonês da década de 1960, por exemplo, tiram vantagem do fato de que eles visualizam pessoas em outras partes do mundo”, diz o organizador Josh MacPhee.

MacPhee, 35, e Dara Greenwald, 37, expuseram uma dúzia de peças diferentes a respeito de movimentos sociais no Japão de mais de 40 anos em Nova York, em um centro cultural chamado Exit Art. Os dois artistas e ativistas independentes são os curadores de Signs of Change: Social Movement Cultures 1960s To Now – em livre tradução, algo como “Sinais de Mudança: Movimentos Sociais e Culturais de 1960 até Hoje”.

Conteúdo

A exposição, que ficou em cartaz de setembro a dezembro de 2008, foi composta por centenas de itens de arte impressa, fotografia e instalações de mídia de mais de 50 países.

Todas as peças do evento foram produzidas com a intenção de mostrar a coincidência global e a fluência de protestos políticos e campanhas sociais nos últimos 40 anos.

“Essa exposição nos permitiu verdadeiramente ir a fundo nas especificidades de tempos que não eram familiares para nós. Eu sei muito mais sobre a política cultural do Japão agora do que há 18 meses”, disse MacPhee.

As peças do Japão concentraram-se em três assuntos: o Movimento Estudantil de 1960, os protestos contra a construção do aeroporto de Narita e os protestos contra a reunião do G8 no último verão do hemisfério norte.

Manifestos no Japão

O Movimento Estudantil de 1960 no Japão foi a mais notável reflexão de resistência dos estudantes do arquipélago em mais de 300 universidades contra o tratado de segurança Estados Unidos–Japão.

O documento, assinado em 1960, estabeleceu muito da política diplomática Japão–Estados Unidos pós-Guerra Fria. Muitos japoneses de posicionamento radical acreditaram que o tratado conferia uma injusta ênfase no apoio japonês aos militares americanos interessados em ações como as da Guerra do Vietnã. Estudantes em grupos organizados por conta própria, como o Zenkyoto, resistiram via conflitos que atravessaram muitos campi universitários e chegaram a protestos nas ruas.

Já em 1966, planos para o aeroporto de Narita foram anunciados, pois o aeroporto de Haneda não satisfaria por muito mais tempo a demanda por transporte dentro e fora do Japão. Muitos estudantes acreditaram que isso seria mais um estágio para o inquestionável acesso americano ao Japão e os protestos recomeçaram.

Nesse tempo, fazendeiros locais que perderam terras para a infraestrutura do aeroporto também se juntaram à causa.

Greenwald e MacPhee conseguiram o filme Narita, um documentário sobre a revolta dos fazendeiros, que se tornou parte da exposição Signs of Change. Durante a primeira temporada da exposição, o ativista japonês Sabu Kohso foi convidado para um bate-papo com os presentes antes da exibição do documentário sobre a construção do aeroporto.

Greenwald explicou o sucesso do documentário e a importância de sua mensagem para o público que não era japonês. “Isso é assombroso em termos de estereótipo”, afirmou Greenwald sobre os protestantes no filme.

“A quantidade de mulheres japonesas em intensa luta conta muito para o estereótipo dominante sobre a maioria das japonesas, como as gueixas, etc. Você reconhece que, se nós temos visto crescer esse lado do Japão, nossas relações [com os japoneses] deve ser diferente”, disse Dara.

Outros países da Ásia fazem parte da exposição, como Coreia do Sul, Indonésia e China. “Seja Japão, África do Sul ou Portugal [para citar exemplos]: somos partes das vidas uns dos outros”, afirmou MacPhee.

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