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Especial
Símbolos japoneses que só podem ser vistos em São
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O
Estado de São Paulo não tem apenas a maior comunidade japonesa
do Brasil. Ele é responsável também por abrigar símbolos
grandiosos ou curiosos que representam a forte presença nipônica
em seu território. Um templo budista, uma plantação
de cerejeira, uma biblioteca e até um cemitério são
únicos pelo tamanho ou pela exclusividade.
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Templo
Budista de Suzano: beleza e grandiosidade
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O templo
Budista Daigozan Jomyoji de Suzano é considerado o maior do Brasil
e impressiona também pela beleza e os detalhes da construção
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Basta uma rápida
passagem por Suzano, região metropolitana de São Paulo,
para perceber a grande presença nipônica na cidade. Nomes
japoneses estão estampados em fachadas de comércios de todos
os tipos e até em cartazes de candidatos para as eleições
municipais de outubro. A Festa das Cerejeiras e da Imigração
fazem parte do calendário oficial do município.
Mas é
na religiosidade que a cidade do Alto Tietê ganhou um símbolo
nacional da cultura oriental. Distante alguns quilômetros do centro,
fica o Templo Budista Daigozan Jomyoji, da Associação Paulista
da Igreja Budista Nambei Shingonshu. Ele é considerado o maior
do Brasil, com seus 250 m².
Construído
há mais de 40 anos, graças a ajuda de fiéis de São
Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o templo impressiona
também pela beleza e pelos detalhes. Detalhes que o monge Izeri
Kakuzen, que mora há meio século no Brasil, explica pacientemente,
dando uma aula sobre o budismo e a sua tradição milenar.
Nada está ali por acaso. Cada imagem, cada pedaço da edificação
tem um porquê. A arquitetura usada sem avançada tecnologia
é um símbolo do que Kakuzen enfatiza ser um dos principais
pilares da vida: a sabedoria. Você morre, mas a sabedoria
permanece, diz, em japonês.
Kakuzen segue
um ritual de orações três vezes ao dia, a primeira,
às 5h da manhã. Há duas entradas. Uma delas, um grande
portão, só se abre quando há visitas de autoridades
religiosas. À esquerda do portão, estão fixadas três
pequenas construções, cada uma simbolizando divindades:
o Seiryu Gonzen, deus da Água; o Godairiki Son, divindade protetora
das pessoas e do trânsito; e o Juntei Kanzeon, divindade protetora
da saúde.
Um sino é
tocado duas vezes ao dia. Às 6h para acordar e às 18h para
agradecer por mais um dia de trabalho. Entre
as imagens no santuário dentro do templo, está a de nossa
Senhora Aparecida.
O templo realiza
missa todo terceiro domingo de cada mês, mas está aberto
à visitação nos outros dias. As pessoas vêm
para pedir proteção ao casamento, ao negócios, ao
namoro, explica Kakuzen.
(Fotos:
Susy Murakami)
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Mil
pés de cerejeiras em uma única propriedade
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O lago,
dentro da propriedade, ajuda a embelezar a paisagem
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Gokithi Akisue ao lado de sua mãe centenária
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Há 27
anos, Gokithi Akisue comprou quatro mudas de cerejeira em uma festa em
São Miguel Arcanjo e levou para o seu sítio em Piedade,
a 108 km de São Paulo. E o que começou como um passatempo
sem grandes pretensões virou uma plantação de mil
pés da típica árvore japonesa. Não há
registros de plantação particular maior do que essa no País.
As pequenas
mudas, que ele chama de pés-mãe, hoje são
árvores grandes e foram elas que deram origem às outras.
Comecei para embelezar o sítio, conta Akisue.
Ele só
não imaginava que, de tão embelezado, o local quase viraria
um ponto turístico na cidade. O prefeito solicitou a abertura ao
público no ano passado. O pedido até foi atendido, mas funcionou
apenas por uma temporada. Por falta de estrutura para visitação
de grande número de pessoas, a idéia teve de ser abortada.
Akisue, formado em farmácia, é professor aposentado da USP,
mas ainda dá aulas sobre plantas medicinais em uma universidade
do interior de São Paulo.
No espaço
que hoje dá lugar às belas árvores, ele já
cultivou esse tipo de planta para a indústria farmacêutica.
O capricho com a propriedade é visível também nos
trilhos feitos para que os visitantes possam caminhar e apreciar a fluorescência
das cerejeiras, que ficam ainda mais belas em dias ensolarados.
As árvores
ficam no sítio da família, que tem área total de
250 mil m². O lugar não será completamente tomado pelas
mudas, já que, de acordo com a lei, um quarto do terreno tem que
permanecer preservado com a floresta nativa.
O certo é
que, enquanto for possível, a plantação continuará
crescendo. De julho até agora, já foram plantadas mais de
300 mudas. Até o final do ano, o objetivo do proprietário
é plantar, ao todo, 500 pés e, futuramente, chegar aos 2
mil.
(Fotos:
Gokithi Akisue)
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A família
de Gokithi Akisue reunida em encontro no sítio
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Único
cemitério japonês da América Latina
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A pequena cidade
de Álvarez Machado, a cerca de 550 km de São Paulo, abriga
o único cemitério totalmente dedicado a japoneses na América
Latina. A história dele tem início em 1918, com o sepultamento
da jovem Massae Watanabe. Nesse ano, também chegaram os primeiros
imigrantes japoneses na cidade.
O cemitério
foi fundado pela própria colônia, que encontrou ali a solução
para os sepultamentos. Na época, ocorria uma epidemia de febre
amarela e, quando Shiniti Takei faleceu, foi transportado em uma maca
até a cidade mais próxima de Veado (hoje Presidente Prudente)
há 15 km para ser enterrado. Como transportar todos os corpos seria
missão difícil, resolveram, então, pedir a oficialização
do cemitério local para que todos da colônica fossem sepultados
ali.
Os irmãos
Takashi, Shiuma e Takeshi Ogassawara desmataram o terreno. Os sepultamentos
aconteceram até 1942, quando o então presidente da república
Getúlio Vargas proibiu novos enterros por considerar ato de racismo.
O único
não japonês enterrado no cemitério é um homem,
conhecido apenas por Manoel, que morreu defendendo uma família
japonesa assassinada por um bandido. Hoje, quem cuida do cemitério
é a Associação Cultural e Esportiva Agrícola
Nipo-Brasileira de Álvares Machado (Aceam). Todos os anos, desde
1920, é realizado o Shokon-sai, que quer dizer convite
às almas para a missa, uma festa religiosa.
Além
de atividades culturais típicas, como dança e música,
ao entardecer, são acesas velas em todos os túmulos. A iluminação
proporciona uma bela visão.
Há fatos
curiosos e misteriosos que acompanham o Shokon-sai desde a sua primeira
realização, no dia 15 de julho de 1920. No dia da festa,
que acontece no segundo domingo de julho, há uma forte ventania
que só se acalma quando as velas são acesas. Durante a celebração,
nunca choveu, apenas antes e depois. O cemitério foi tombado pelo
Conselho de Defesa de Patrimônio Histórico, Arqueológico,
Artístico e Turístico do Estado de São Paulo no dia
11 de julho de 1980.
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Maior
biblioteca japonesa do Brasil
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Com 75 mil
exemplares, uma biblioteca em São Miguel Arcanjo, distante 180
km da capital paulista, tem o maior acervo de livros japoneses do Brasil.
Ela foi fundada há 30 anos pelo empresário japonês
Testuhito Amano, que vem periodicamente ao Brasil.
O responsável
por tomar conta do local é Katsuharu Oshi, que abre a biblioteca
aos sábados das 14h às 17h. A construção fica
na colônia japonesa Pinhal e recebe, semanalmente, cerca de 60 visitantes.
Oshi conta
que, primeiro, chegaram os livros e só depois, o prédio,
de 650 m², foi construído. Ele disse que a vontade de Amano
era preservar a cultura de seu país entre os descendentes. Ele
quis fazer a biblioteca para a colônia, porque muitos estavam esquecendo
o japonês, então ele fez para que [os descendentes de japoneses]
não esquecessem a cultura japonesa, explica. Ele gosta
bastante do Brasil.
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