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Por
Mozart Sales*
No início
do século passado, a agricultura no Brasil passava pela crise da
falta de braços trabalhadores, pois, com o fim da escravatura em
1888, as grandes fazendas ficaram carentes de mão-de-obra de baixo
custo, principalmente na cultura do café que estava em grande expansão,
notadamente na região do Estado de São Paulo. A solução
dos fazendeiros foi recorrer ao governo para criar incentivos à
vinda de trabalhadores para garantir o desenvolvimento da agricultura
emergente de uma forma rápida e barata.
Um acordo entre
os governos do Brasil e do Japão viabilizou o processo oficial
da imigração pelo qual, por exigência do documento,
os trabalhadores vieram em família, geralmente com muitas pessoas
para atender as necessidades de grande número de mão-de-obra.
O primeiro vapor com a leva de imigrantes foi o Kasato Maru, que atracou
em Santos (SP), no dia 18 de junho de 1908, com 781 famílias, após
longa viagem de 52 dias, em precárias condições de
transporte.
Chegaram chefes
de famílias que trabalhavam na sua terra natal como comerciantes,
artistas, profissionais liberais, professores e agricultores. Todos com
sonhos e esperanças de prosperidade, recrutados sem informação
correta das tarefas a serem executadas no novo país, portanto,
despreparados à tarefa de colher o café com as mãos
e distantes da realidade de trabalho com a qual se ocupavam anteriormente.
Eles entraram em contato com clima quente, hábitos de vida totalmente
diferentes, língua incompreensível e adversidades não
imaginadas.
Nos primeiros
anos da imigração, os japoneses foram levados para as fazendas
de São Paulo e, nas décadas posteriores, foram enviados
para as fazendas do Paraná, do Mato Grosso e de outros Estados.
Os japoneses vieram para trabalhar no Brasil com o sonho de retornar ao
país de origem quando concluíssem seus objetivos.
Entretanto,
passada a fase de dificuldades e vencidas as barreiras da adaptação,
os imigrantes foram conquistados pela generosidade, o calor humano e a
simpatia do nosso povo. Os braços abertos da receptividade brasileira
foram significativos para fortalecer a amizade e o desejo de voltar à
terra natal foi substituído pela vontade de progredir de e fazer
progredir uma grande nação, fincando raízes definitivamente
no Brasil, adotando-o como sua segunda pátria.
A partir do
café, os imigrantes diversificaram suas atividades de trabalho.
Enveredaram-se pela cultura de milho, feijão, batata, arroz, soja,
verduras e frutas, contribuindo também para o desenvolvimento de
outras culturas agrícola e pecuária. Cem anos se passaram
após a chegada dos primeiros imigrantes. Hoje, a integração
à sociedade brasileira é uma realidade maravilhosa, a miscigenação
é crescente e os imigrantes e descendentes no Brasil já
se constituem na maior comunidade de descendentes de japoneses fora do
Japão, com uma população de 1,5 milhão de
pessoas.
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