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Por
Alex Canziani*
Comemorar
o centenário da imigração japonesa no Brasil é
motivo de orgulho, em particular, para o Paraná, cuja vocação
para a agricultura se sedimentou na ação daqueles pioneiros,
que para cá trouxeram a técnica, a disposição
e a diligência necessárias ao bom cultivo. Manifestamos a
gratidão dos paranaenses aos imigrantes japoneses. Se hoje o Paraná
é considerado um celeiro da nação, isso se deve,
sem dúvida, em grandíssima parte, à ação
dos imigrantes japoneses.
Mas não
é só o Paraná que deve gratidão e preito à
maior comunidade nikkei do mundo, os cerca de 1,5 milhão de japoneses
e descendentes que vivem atualmente em território brasileiro. Relembrar
a saga da imigração japonesa no Brasil é uma forma
de demonstrar, acima de tudo, o reconhecimento de toda a nação
brasileira à importância histórica, econômica
e social daqueles primeiros 781 japoneses, que saíram da diminuta
e longínqua terra do arroz e do imperador, a bordo do navio Kasato
Maru, para desembarcar aqui, na imensa terra do café, trazendo
na bagagem a cultura milenar e o sonho de enriquecer e de voltar ao torrão
natal.
Em 1908, no
Porto de Santos, iniciava-se uma história grandiosa, que reúne
luta e sofrimento, êxitos e fracassos, tragédia e perseverança
e, acima de tudo, iniciava-se um intercâmbio que traria, como se
esperava, bons frutos a ambas as nações. Na verdade, a imigração
japonesa iniciou-se para atender aos interesses dos dois países.
Lá,
acontecia a desintegração das camadas rurais, que eram forçadas
a financiar a acelerada modernização do país, o que
deteriorava as condições de vida, sobretudo de pequenos
proprietários. Aqui, com a abolição da escravatura,
havia escassez enorme de mão-de-obra, sobretudo para trabalhar
nas lavouras cafeeiras, em franca expansão.
Os tempos primeiros
foram de tristeza e frustração para os imigrantes. Os produtores
de café, acostumados a uma cultura escravagista, impunham condições
de trabalho inaceitáveis e o sonho de recompensa financeira parecia
cada vez mais distante.
Entretanto,
o espírito combativo dos nipônicos impediu que eles aceitassem
as condições impostas. Ao final de um ano, dos quase 800
japoneses distribuídos pelas fazendas, menos de 200 permaneciam
nos empregos.
Insatisfeitos
e frustrados, mas perseverantes, metódicos, diligentes e amorosos
com a terra, eles começaram a idealizar novas formas de trabalho,
para escapar ao jugo dos fazendeiros: plantios como contratistas; aquisição
de pequenas propriedades; introdução de novos produtos e
desenvolvimento de técnicas de aclimatação dessas
novas culturas; aprimoramento dos cultivos já habituais; introdução
de cooperativas; enfim, logo os japoneses mostraram que estavam dispostos
a produzir, mas não a ser escravizados.
Com o mesmo
espírito, fixaram-se nas periferias das cidades, onde iniciaram
o cultivo hortifrutigranjeiro, e, nesses locais, dedicaram-se ao comércio,
à prestação de serviços e, sobretudo, ao estudo
para a aquisição e o desenvolvimento de tecnologias industriais.
Podemos afirmar,
sem dúvida, que o Brasil não seria uma das grandes economias
do mundo se não tivessem vindo para cá os imigrantes japoneses.
Em nome dos paranaenses e dos brasileiros, cumprimento a imensa comunidade
nikkei brasileira, dizendo que a presença de seus antepassados
neste País é um dos grandes orgulhos do Brasil.
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