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Amizade e confiança sob o signo da paz e o brilho do sol

Por Paulo Skaf*

Depois de uma noite tranqüila, o Kasato Maru percorreu as primeiras 195 milhas e a viagem transcorre normalmente. Os passageiros usam trajes ocidentais confeccionados na Europa. Os homens deixam de lado o quimono e não vêm de terno e gravata, chapéu e bota”, relata o diário de bordo escrito por Ryo Mizuno, considerado o “pai da imigração”, descrevendo o início da jornada que trouxe ao Brasil os primeiros imigrantes japoneses. Após 52 dias no mar, às 17 horas do dia 18 de junho de 1908, a embarcação atracou no cais 14 do Porto de Santos.

Cem anos depois, num vôo de aproximadamente 24 horas, um grupo de empresários, entre eles alguns representantes da comunidade nipo-brasileira, faz o caminho oposto ao daqueles valorosos imigrantes. É a missão empresarial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que, em abril de 2008, busca ampliar ainda mais o laço secular, abrindo nova frente de negócios entre as empresas do Brasil e do Japão.

Trata-se de uma maneira muito especial de celebrar o centenário de um fluxo imigratório que agregou numerosas virtudes à sociedade e à economia brasileira. A sabedoria milenar dos japoneses, a capacidade de trabalho, a obstinação no cumprimento de metas, a competência e a consciência cívica estão presentes em todos os segmentos de atividades e profissões no Brasil. Nisseis, sanseis e pessoas nascidas no Japão e que escolheram nosso país como sua nova terra são os herdeiros daqueles imigrantes que inauguraram a interação entre dois povos presdetinados à cooperação recíproca.

De fato, o intercâmbio nipo-brasileiro mostra-se dinâmico e, o que é melhor, com imenso potencial para ser multiplicado. No comércio bilateral, nosso país registra déficit, pois a maioria das exportações refere-se a produtos não-manufaturados, ou seja, com menor valor agregado, e temos importado bens com alta tecnologia, nos quais o Japão distingue-se no mercado mundial. A tendência, contudo, é de maior equilíbrio, à medida que começamos a vender aviões, moda – valorizada pelo talento e a criatividade do design brasileiro – medicamentos e outros produtos industriais.

O intercâmbio comercial entre os dois países já é expressivo, tendo movimentado US$ 8,92 bilhões em 2007, sendo US$ 4,32 bilhões referentes às exportações brasileiras e US$ 4,60 bilhões às japonesas. Com certeza, porém, esses números podem ser muito maiores. É isso que buscamos ao promover a visita ao Japão de empresários de vários setores de alimentos, software, autopeças, têxtil, turismo, móveis, artigos de decoração, jóias e bijouterias.

Comprar, vender e institutir joint ventures são os parâmetros que permeiam o universo do comércio exterior. Nas negociações com os japoneses, contudo, há elementos que sempre precedem tais questões: amizade e confiança! Para eles, esses valores são mais importantes do que os contratos. Por isso, temos um grande trunfo a contribuir para que sejam bem-sucedidos os esforços de ampliação das relações bilaterais: cem anos de convivência e solidariedade sob o signo da paz e o brilho do sol!




*É presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)

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