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Por
Pedro Tobias*
Estamos
comemorando, este ano, o centenário da imigração
japonesa no Brasil, o país mais japonês depois do Japão.
São cerca de 1,5 milhão de pessoas, das quais dois terços
delas vivem no Estado de São Paulo.
Para recordar
essa tradicional história de lutas e conquistas, vamos citar o
poeta modernista Menotti Del Picchia, que escreveu que a dor, na terra
da gente, dói menos. Talvez isso também pensavam pais, irmãos
e filhos daqueles que partiram do Porto de Kobe, no Japão, rumo
ao Brasil. Eles viram seus familiares se afastarem no navio Kasato Maru
e muitos deles jamais se encontraram de novo.
Foram 52 dias
de viagem e, aqui, chegaram os primeiros 793 imigrantes japoneses ao Porto
de Santos em junho de 1908. Em sua bagagem, esse pessoal trazia pouca
coisa. Além de uma enorme capacidade de trabalho, muita confiança
no futuro. Sei muito bem o que isso significa, pois também sou
um imigrante libanês por opção, que adotou essa terra
acolhedora e abençoada.
As primeiras
165 famílias japonesas vieram para o Brasil trabalhar nos cafezais
do oeste paulista. Elas também buscavam trabalho no cultivo de
morango, chá e arroz. Ali, trabalharam e venceram pela sua pertinácia.
Mesmo com a
vida dura do campo, os imigrantes japoneses davam uma importância
muito grande para o estudo. Não era um problema de condição
social, não. Muitos viviam a vida apertada, mas a formação
acadêmica era uma coisa privilegiada e uma questão de honra.
Acredito que
essa seja uma contribuição fundamental que a imigração
japonesa trouxe ao Brasil e que, às vezes, é pouco enfatizada.
Atualmente, temos representantes da colônia japonesa em todos os
segmentos, como no comércio, na indústria, na educação,
na agricultura, nos esportes, nas artes, na saúde e na política.
É importante
ter presente que não se trata, com essa manifestação,
apenas celebrar os cem anos da imigração japonesa no Brasil;
de evocar memórias, revigorar lembranças e comemorar incontáveis
conquistas. Mas também de recuperar tradições. E,
seguindo o exemplo do Japão, fazer delas uma ferramenta na construção
do presente e do futuro.
Temos que prestar
uma justa homenagem a esse povo trabalhador, que tanto contribuiu e ainda
é tão importante para o desenvolvimento do nosso Estado
e do nosso Brasil. Parabéns, colônia japonesa e seus descendentes!
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