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Por
Marco Bertaiolli*
Em
Mogi das Cruzes, ao final de uma das mais movimentadas avenidas da cidade,
existe um lugar chamado Praça dos Imigrantes. Ali, uma estátua,
numa rampa, corpo um pouco curvado, chapéu na cabeça e enxada
no ombro, homenageia os descendentes de japoneses que fizeram a história
na e da nossa cidade. Poucos sabem que o modelo para a escultura chama-se
Nobolo Mori, um homem de quase 90 anos, mais de 50 deles dedicados à
medicina, e que, até hoje, serve de exemplo para todos nós,
sejamos ou não descendentes.
A estátua
na praça representa aquilo que os imigrantes japoneses significam
para todos de Mogi das Cruzes, onde está concentrada uma das maiores
colônias de descendentes de todo o Estado. Ao percorrer a zona rural,
ainda se vê homens e mulheres de enxada no ombro, chapéu
na cabeça, calça dobrada até a canela ou com o corpo
curvados lavrando a terra. Faça chuva ou faça sol.
Mostrar o que
os imigrantes representam para a economia do município por meio
de números é muito pouco. Fomos conhecidos por muitos anos
como o Cinturão Verde de São Paulo, em razão
da grande produção de hortaliças, verduras e legumes.
Ainda lideramos rankings importantes na área de produção
de folhagens, caqui e flores, muito especialmente a orquídea.
Isso é
o que, economicamente, os imigrantes fizeram por nós. Mas quero
deixar retratado aqui a importância desses descendentes para a nossa
história. Temos um prefeito (Junji Abe) descendente de japoneses.
O próprio Nobolo Mori já foi vice-prefeito. Muitos outros
que se firmaram em diversos segmentos, como extração de
minérios, hipermercados e veículos, entre outros setores
responsáveis pela geração de emprego e renda.
Citar todos
os nomes é correr o risco de errar. Por isso, vou ficar apenas
nos dois já mencionados, em razão da forte ligação
com a política local. Quero, na verdade, falar da importância
da colônia japonesa para todos nós. Com suas festas e tradições,
eles são responsáveis por um intercâmbio cultural
ao qual talvez não tivéssemos acesso.
Em eventos
como o Akimatsuri, a Festa do Caqui e das Flores e o Furusato, temos a
oportunidade de assistir à apresentação de danças
típicas e do tambor, à cerimônia do chá, ao
undokai, uma gincana na qual o prêmio é só um detalhe
o que vale mesmo é a saudável disputa entre as gerações,
além de tantas outras manifestações populares. Só
mesmo quem é de Mogi das Cruzes para entender o que isso representa
a todos nós, descendentes de tantas outras raças que fazem
da cidade um lugar tão especial.
Arraigadas
na cultura da nossa cidade, essas tradições congregam a
mistura de raças e fortalece os laços da nossa história,
que será marcada neste ano de comemoração dos cem
anos da chegada dos japoneses ao Brasil, com a inauguração
do Parque Centenário, onde o lazer e a história se farão
presentes em todos os detalhes.
Gostaria muito
que os cem anos da imigração japonesa no Brasil, muito especialmente
em Mogi das Cruzes, fossem marcados pelo componente cultural que os descendentes
transportaram ao nosso dia-a-dia. Da alimentação, ao esporte
e às artes marciais, da história, ao respeito ao mais velho,
à referência à criança, símbolos de
amor e vida.
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