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Japoneses no Brasil: que sorte a nossa!

Por Vinícius Camarinha*

O ano de 2008 está marcado pela comemorações dos cem anos de imigração japonesa no Brasil. É inegável a colaboração desse povo milenar no desenvolvimento de nosso país. Nós, paulistas, somos privilegiados por acolher a maioria dos imigrantes japoneses.

Embora tenha começado recentemente, no ínicio do século XX, como um acordo entre o governo japonês e o brasileiro, hoje, a maior população japonesa fora do Japão, para nossa sorte, está no Brasil. São cerca de 1,5 milhão de pessoas que integram nossa população, conhecidos como “nikkeis”.

Por conta da crise demográfica vivida no Japão no fim do século XIX, a agricultura mecanizou-se, fazendo a pobreza proliferar nos campos e cidades. Sem emprego e vítimas da miséria que assolou as áreas rurais, esses incansáveis trabalhadores viram no Brasil, onde faltava mão-de-obra na zona rural, uma oportunidade de recomeço.

Até então, a imigração recorrente era a de italianos, porém, em meados de 1902, o governo da Itália proibiu a imigração subsidiada de italianos para São Paulo, prejudicando drasticamente as fazendas de café que utilizava essa mão-de-obra, facilitando a vinda dessa nova força de trabalho, a dos japoneses. Outro fator importante de incentivo à imigração japonesa foi a proibição de ingresso de japoneses nos Estados Unidos, tornando-se o Brasil um berço de acolhimento desse incansável povo.

Os primeiros japoneses desembarcaram do navio Kasato Maru no Porto de Santos em 18 de junho de 1908. Eram 165 famílias destinadas a trabalhar nos cafezais do oeste paulista. Só nos primeiros sete anos, vieram mais 3.434 famílias (14.983 pessoas). Logo depois, com o começo da I Guerra Mundial, em 1914, a imigração explodiu, saltando para 164 mil de 1917 a 1940. Destes, 75% vieram para São Paulo, onde se concentrava a maior parte das plantações de café.

Daí para frente, com o fim da Primeira Guerra, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil cresceu enormemente, contando, inclusive, com o incentivo do governo japonês, que tinha interesse na expansão de sua etnia para outros lugares do mundo e também que a cultura japonesa se enraizasse nas Américas. Os que vieram depois do primeiro êxodo, passaram a trabalhar em outras lavouras, como morango, chá e arroz, expandindo, com o passar do tempo, o cultivo de hortifrutis.

Hoje, a colônia japonesa do Brasil está dividida em isseis, nascidos no Japão (12,51%); nisseis, filhos de japoneses (30,85%); sanseis, netos (41,33%); e yonseis, bisnetos (12,95%). Atualmente, existem, no Brasil, 1,5 milhão de japoneses e descendentes, sendo 80% no Estado de São Paulo e a maioria na capital (326 mil segundo o censo de 1988). Da comunidade japonesa no Brasil, 90% vivem nas cidades. O bairro da Liberdade, no centro da capital paulista, representa o marco da presença japonesa na cidade. Outros focos importantes de presença japonesa no Brasil são Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará.

No ambiente urbano, os japoneses começaram a trabalhar em atividades ligadas ao campo, abrindo pequenos armazéns onde produtos agrícolas, como frutas e legumes, eram vendidos, dedicando-se também ao comércio de peixes. Os mais jovens passaram a dedicar-se aos estudos, destacando-se nas áreas biológicas e exatas.

Todos os descendentes japoneses têm um traço marcante: mudaram a paisagem de onde se aglomeraram. É graças a eles que o Bairro da Liberdade é o retrato da cultura nipo-brasileira em São Paulo. Uma das características da nossa sociedade é a miscigenação, porém, no caso dos nipo-brasileiros, essa miscigenação levou mais tempo para acontecer. O casamento de japoneses fora da colônia não era muito aceito pela maioria dos imigrantes, mormente por aqueles que ainda nutriam a vontade de voltar ao Japão. Além desse fator, o aspecto étnico-cultural foi dificultoso.

São Paulo tem fama de ser o Estado que mais trabalha. Não é à toa. É aqui que está o maior número de japoneses, que colaboram para essa boa fama. Só a cidade de São Paulo tem o maior número de japoneses e descendentes no Brasil, com cerca de 326 mil, seguidos por Assaí, no Paraná e Bastos, no interior de São Paulo. Não posso deixar de mencionar minha cidade, Marília, onde essa cultura, felizmente também está muito presente e colaborando para o nosso desenvolvimento.

Nutro sincera admiração pela comunidade japonesa e, nessa condição, como parlamentar, não poderia deixar de integrar a Comissão da Imigração Japonesa, na qual espero poder conhecer ainda mais esse povo de inestimável valor para o desenvolvimento deste país. Que sorte a nossa por estarem aqui!




*É deputado estadual pelo PSL na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
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