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Santa Cruz e o Ano do Intercâmbio

Por Paulo Yokota*

Entre os muitos eventos em andamento do Ano do Intercâmbio e do centenário da imigração, continuam em pauta quatro projetos selecionados pela Associação do Centenário, que pretendem deixar marcas duradouras para o futuro. A reforma e ampliação do Hospital Santa Cruz e da Escola Harmonia, a reforma do Bunkyo e a escultura de Tomie Ohtake no Aeroporto de Guarulhos.

O projeto do Santa Cruz teve a sua participação aprovada nas três entidades que cuidam do assunto no Brasil e no Japão, mostrando que as preocupações com a saúde, principalmente dos idosos, são prioritárias. No Japão, o Ano do Intercâmbio reconheceu o projeto Atividade de Promoção do Intercâmbio Nipo-Brasileira na Área da Saúde, do Santa Cruz, sob o número 175. Foi autorizada a captação de doações para a ampliação e a reforma, com a instalação de mais 40 leitos, para acomodar as áreas de geriatria, medicina preventiva e acupuntura, nas quais a tecnologia japonesa se destaca.

Na geriatria, a grande população idosa no Japão exigiu o desenvolvimento de técnicas para o atendimento de sua necessidade a custos razoáveis. Na medicina preventiva, mais de 30% da população japonesa efetua o chamado Ninguen Dock, que permitindo o diagnóstico de moléstias com precocidade, faz com que o seu tratamento tenha custos menores. E a acupuntura, que começa a ser utilizada intensamente no Brasil, permite a aceleração da recuperação de muitos pacientes, reduzindo os seus custos. Como contrapartida, o hospital poderá colaborar com a cardiologia e a oftalmologia neste intercâmbio, no qual a tecnologia brasileira é consagrada.

Do custo total estimado em R$ 20 milhões em obras, o Santa Cruz ficou autorizado a captar doações japonesas até o montante de R$ 10 milhões (apoiada na edição de dois livros), sendo outra metade de recursos locais. Para tanto, será importante o apoio das empresas e da comunidade. A captação está sendo negociada com o uso de uma entidade japonesa autorizada a efetuá-la e remeter os recursos ao Brasil com isenções tributárias. No conteúdo do intercâmbio, processam-se entendimentos com a Faculdade de Medicina da Universidade de Keio.

No Brasil o governo federal, pela Comissão Nacional das Comemorações, incluiu na sua programação 2008 as publicações dos livros bilíngües O olhar dos nisseis paulistanos – Integração deles na sociedade brasileira e Amor nas trincheiras – Cartas do front do médico Massaki Udihara, oficial de infantaria da FEB. Esses livros ajudarão na Campanha Financeira do Hospital Santa Cruz, tanto para o projeto de reforma e ampliação como a constituição de um Fundo de Solidariedade. Bilíngües, português e japonês, os livros deverão ser impressos na Gráfica do Senado Federal.

No âmbito da comunidade nipo-brasileira, os dois livros acima descritos foram aprovados na Associação para o Centenário, na categoria Apoio, sob os números M01 e MO2, com títulos que foram aperfeiçoados. Portanto, o projeto do Hospital Santa Cruz conta com o apoio no Brasil, na comunidade e no Japão. Mas a sua efetivação só vai ocorrer na medida em que contar com uma adequada organização que envolve todos os seus colaboradores.

Os livros foram elaborados para provocar resenhas na mídia escrita e eletrônica, que propiciem uma divulgação ampla da Campanha Financeira do Hospital. Ainda que os livros estejam autorizados a serem vendidos nas livrarias, o objetivo é provocar doações bem superiores aos preços de capa. Planejam-se eventos para o seu lançamento no Brasil e no Japão.

Na Escola Harmonia, na Grande São Paulo, a sua ampliação visa também a criar o embrião do chamado Nippaku Gakuen, ou seja, uma escola que dissemina a cultura japonesa no Brasil. A reforma do Bunkyo é uma imperiosidade, pois as suas dependências já não atendem as necessidades atuais da entidade, notadamente na sua pintura e ar condicionado.

A escultura de Tomie Ohtake, no atual principal aeroporto de entrada dos japoneses no Brasil, é uma iniciativa da comunidade de Guarulhos, com o apoio da Infraero, que passou para a categoria de parceria. Essa artista japonesa, considerada a “First Lady das Artes Plásticas Brasileiras”, contribuirá para deixar um marco importante do centenário.




*É economista e presidente do Hospital Santa Cruz em São Paulo
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