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Por
Maria Lúcia Prandi*
Tenho a imensa
alegria de saber que a minha cidade, Santos, onde moro desde a meninice,
foi quem recebeu, por seu porto, no remoto ano de 1908, o vapor Kasato
Maru. Nele, estavam as 781 pessoas, de 151 famílias, que formaram
o embrião, no Brasil, daquela que é a maior comunidade japonesa
fora do Japão.
Com satisfação
e reconhecimento, comemoramos cem anos da chegada dos primeiros imigrantes.
Uma integração fantástica une os povos japonês
e brasileiro desde então. Hoje, são mais de 1,5 milhão
os brasileiros de origem nipônica vivendo em nosso País,
enriquecendo nossa cultura, introduzindo costumes e partilhando a vida
nacional.
Há muito
para ser contado e revivido sobre esses cem anos de história. O
cultivo do arroz e também o da banana foi o responsável
pela fixação de muitos japoneses no litoral paulista nos
anos 1910. O interesse por essas atividades fez com que muitos deixassem
seus empregos na Estrada de Ferro SantosJundiaí e na Companhia
Docas de Santos. Os registros históricos mostram que, em 1918,
havia turmas de portuários constituídas exclusivamente por
japoneses!
Em Santos,
os nipônicos surpreendiam com a beleza de suas chácaras nos
bairros Ponta da Praia, Marapé, Saboó, Campo Grande e Morro
da Nova Cintra. Até a Segunda Guerra, a Cidade era abastecida exclusivamente
por produtos cultivados nessas plantações.
O exemplo de
empenho e dedicação foi sempre seguido pelas novas gerações
de ascendência japonesa. Os estudantes têm reconhecimento
de que são muito inteligentes e ninguém se surpreende ao
vê-los em algumas das melhores classificações dos
principais vestibulares brasileiros. Como se sabe, a educação
dos jovens é ponto de honra das famílias.
Não
por acaso, há dois anos o presidente Lula manifestava a felicidade
e a honra de assinar um ato histórico de reparação,
que devolveu à comunidade japonesa santista a edificação
onde funcionava a Escola Japonesa de Santos. Em meio às intolerâncias
e barbaridades da Segunda Guerra, o imóvel foi confiscado pelo
governo brasileiro. Com Lula, finalmente se fez justiça.
Instalada em
um histórico casarão da Rua Paraná, na Vila Mathias,
a escola era japonesa no nome, mas aberta a todos os brasileiros, sem
discriminação, tornando ainda mais firmes as raízes
da integração. Tive a satisfação de endossar
a luta pela cessão do uso da edificação à
Associação da Comunidade Japonesa de Santos era imprescindível
reparar aqueles antigos acontecimentos!
A medida fortalece
laços, indo ao encontro dos objetivos do Conselho Brasil-Japão
para o Século XXI, criado pelo atual governo para estreitar as
relações políticas, comerciais e culturais. Importantes
parcerias econômicas e tecnológicas têm sido firmadas,
entre as quais aquela que resultou na adoção, pelo Brasil,
do modelo japonês de TV digital. E vale destacar: o governo japonês
dispensou o Brasil de pagar royalties e comprometeu-se a colaborar com
o desenvolvimento de uma indústria eletroeletrônica no País.
Temos verdadeiras
cidades japonesas dentro das cidades brasileiras. No Japão, já
são 300 mil os brasileiros que buscam novas vivências e oportunidades.
São brasileiros empreendedores, que vão para lá com
a sua raça e a sua garra. Temos muito em comum!
É incontestável
a contribuição do povo japonês ao Brasil. Na região
de Santos, a colônia japonesa continua exercendo enorme influência
cultural, econômica, política e também filosófica-religiosa.
Colhemos frutos da melhor qualidade. Por isso, resumo o que penso com
a força de duas palavras: muito obrigada!
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