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Por
Walter Ihoshi*
Recentemente,
estive no Japão em missão oficial integrando uma comitiva
liderada pelo presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP).
A viagem foi feita a convite do governo japonês, em virtude do centenário
da imigração japonesa a ser comemorado este ano.
Em homenagem
ao centenário, autoridades brasileiras e japonesas declararam,
em solenidade oficial realizada em janeiro, no Itamaraty, que 2008 é
o Ano do Intercâmbio Brasil-Japão. Até há pouco,
não conseguia medir exatamente quanto esse evento contribuiria
para o estreitamento das relações bilaterais. Mas, nessa
viagem, pude sentir que Brasil e Japão fortalecerão seus
laços, sim.
Embora a visita
tenha tido cunho político e institucional, senti que, assim como
os brasileiros, os japoneses também têm a pretensão
de aquecer as relações socioeconômicas e culturais
entre os dois países, e o marco dos cem anos está sendo
um ótimo motivo para ambos se aproximarem.
A comitiva
ficou seis dias no Japão. A agenda foi intensa, o que possibilitou
a discussão de diversos assuntos de extrema importância ao
Brasil, como a TV Digital e as demandas dos nossos mais de 300 mil brasileiros
que residem no Japão.
Os japoneses,
por sua vez, não esconderam seu interesse pelo etanol brasileiro.
Em reuniões realizadas em Tóquio, os parlamentares japoneses
mostraram-se entusiasmados com a tecnologia do biocombustível.
Os dois países já estão juntos na luta pela preservação
do meio ambiente e ainda por uma cadeira permanente na Organização
das Nações Unidas.
Em quase todos
os itens abordados nas audiências, as autoridades japonesas, dentre
elas o presidente da Casa dos Representantes, deputado Yohei Kono, e o
presidente da Casa dos Conselheiros, senador Satsuki Eda, revelaram o
desejo de ver projetos se concretizarem. Inclusive, acordos de cooperação
bilateral. Há mais de dez anos, o Brasil batalha pela assinatura
de convênios nas áreas judiciárias em matérias
cível, educacional e previdenciária, em prol dos dekasseguis.
Segundo os japoneses, é possível que o acordo previdenciário
seja selado ainda este ano.
Milhares de
brasileiros trabalham durante anos ou décadas no Japão e
pagam devidamente os seus impostos, pois a contribuição
para a Previdência japonesa tornou-se obrigatória mesmo para
estrangeiros. Quando os compatriotas retornam ao Brasil, recebem uma quantia
por três anos de contribuição, ainda que trabalhem
mais tempo, o que representa, de acordo com a lei japonesa, quitação
total dos direitos previdenciários.
O dekassegui,
com seu trabalho, contribui para o desenvolvimento do Japão e não
recebe a justa contraprestação por seu esforço. E
o tempo de trabalho no Japão, hoje, não é computado
para sua aposentadoria no Brasil. Isso pode mudar nos próximos
meses.
O acordo da
Educação é, aparentemente, o mais difícil
de ser resolvido. Atualmente, há 45 mil crianças brasileiras
em idade escolar, no Japão, sendo que mais de 10 mil estão
fora da escola. Elas enfrentam o problema da adaptação nas
escolas japonesas. Nas privadas, onde é possível o ensino
com o uso da língua portuguesa, a mensalidade é muito alta,
inacessível aos dekasseguis.
Para que esse
impasse se dissolva, são necessários investimentos e projetos
pedagógicos diferenciados, com conteúdo em português
e japonês. Dessa forma, jovens e crianças não teriam
dificuldades em permanecer no Japão ou retornar ao Brasil, pois
estariam aptos para continuar seus estudos ou carreira independentemente
do idioma.
Apesar dos
grandes desafios a serem superados, estou otimista. Acredito que este
ano será memorável. Não só pelos belíssimos
festejos que acontecerão em todo o país, em homenagem aos
imigrantes japoneses, mas por tudo o que conquistaremos para o Brasil
e para os dekasseguis a partir de agora.
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