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Por
Paulo Yokota*
O Ano do
Intercâmbio Brasil-Japão está propiciando a divulgação
de importantes publicações, como o De decasségui
a emigrante, livro escrito pelo diplomata João Pedro Corrêa
Costa. Ele foi distribuído no lançamento do evento no Itamaraty
junto com outros relevantes materiais, quando se contou com presença
do presidente Lula.
Esse diplomata
serviu, entre outros importantes postos, no Consulado do Brasil em Tóquio
(2005 a 2007). No excelente livro publicado pela Fundação
Alexandre de Gusmão do Itamaraty, em 2007, ele faz uma cobertura
completa dos problemas enfrentados pelos brasileiros no Japão,
no passado e no presente. Faz uma descrição completa das
medidas que estão sendo tomadas para o seu suporte pela nossa diplomacia,
notadamente no setor consular. Traça ainda judiciosas sugestões
para as ações com vistas para o futuro.
O que se espera
é que esses nossos patrícios, que já somam mais de
300 mil almas, mereçam o tratamento que os imigrantes japoneses
e seus descendentes receberam no Brasil. Existem problemas complexos que
ainda precisam ser equacionados tanto pelas autoridades brasileiras como
japonesas, mas muitas negociações estão em andamento,
ainda que as diferenças de ponto de vista entre as autoridades
diplomáticas dos dois países não sejam desprezíveis.
E os recursos disponíveis para atendimento das necessidades sejam
sempre escassos.
O importante
é que as autoridades japonesas começam a explicitar que
esses brasileiros desempenham um papel importante no Japão, começando
pelos discursos. Como são reconhecidas, por todo o Brasil, as contribuições
dos imigrantes japoneses e seus descendentes, que se tornaram bons brasileiros.
As manifestações positivas, que estão ocorrendo nos
primeiros eventos do centenário da imigração, tanto
pelas autoridades como por representantes da sociedade civil, estão
sendo amplamente repercutidas pela imprensa.
Espera-se que
não fiquem somente nas gentilezas naturais dos eventos comemorativos.
Existem problemas complexos, como de educação, saúde,
previdência social, criminalidade, além da nacionalidade
de muitos filhos de brasileiros no Japão, que ainda se situam na
área dos apátridas. Medidas concretas precisam ser tomadas
aproveitando este momento em que os focos das atenções estão
voltados para esse importante intercâmbio entre o Brasil e o Japão.
O livro de
João Pedro Corrêa Costa apresenta dados originais de recentes
pesquisas efetuadas com esses brasileiros residentes no Japão.
Muitos deles tencionam retornar algum dia para o Brasil, mas enquanto
as diferenças salariais com o Japão ainda são substanciais,
os muitos sacrifícios continuam a ser enfrentados.
A importância
da contribuição desses burajirujins não pode se restringir
somente ao volume das remessas financeiras que efetuam para o Brasil,
para muitas finalidades, inclusive de sustento de seus familiares. Os
depósitos que deixam nos bancos, principalmente brasileiros, sustentam
parte importante do financiamento das exportações brasileiras
para o mundo.
Os expressivos
empreendimentos desses brasileiros com empresas no Japão, como
a Brastel ou o IPC International Press Co. devem ser ressaltados.
As atividades dos brasileiros para brasileiros são importantes
pontas de lança para ingresso no mercado japonês
Para o Japão
envolvido num crescente processo de globalização, a experiência
multiétnica e cultural desses burajirujins, que são realmente
diferenciados, necessitam ser mais bem aproveitada. Podem ajudar a ampliar
uma cultura que foi moldada e lapidada dentro de um arquipélago.
E é preciso entender que a discriminação da qual
eles se sentem vítimas no Japão ocorre também com
todos os japoneses que fogem do padrão consagrado. Inclusive com
os que adotam procedimentos inovadores ou diferenciados, ainda que tenham
completo domínio da língua japonesa e de sua cultura. Tudo
isso está mudando com grande dinamismo.
Todos os eventos
relacionados com o Ano do Intercâmbio Brasil-Japão e a sua
ampla divulgação, certamente, vão acrescentar informações
recíprocas, que devem ajudar a elevar o nível do relacionamento
entre os dois povos e os dois países, espera-se de forma positiva.
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