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Por
José Sarney*
Aproxima-se
o ano de 2008 e, com ele, as comemorações do centenário
do desembarque, no Porto de Santos, dos primeiros imigrantes japoneses
no Brasil. Em 18 de junho de 1908, chegava ao País o navio Kasato
Maru, trazendo a bordo 781 cidadãos japoneses que se preparavam
para a aventura de vencer no novo mundo. Vinham para trabalhar nas fazendas
de café de São Paulo, mas sua capacidade de empreendimento
e sua industriosidade levariam aqueles imigrantes, e os que se seguiram,
a fincar raízes nos mais diversos setores da sociedade brasileira.
Dos campos
de café paulistas, os japoneses e seus descendentes espalharam-se
pelo território nacional, num perfeito exemplo de integração
que demonstra como funciona o cadinho cultural brasileiro. Integraram-se,
mas não perderam suas referências culturais. Hoje, os brasileiros
de ascendência japonesa atuam nas artes, educação,
agricultura, negócios, política e em tantos outros campos
da sociedade brasileira.
Aceitei com
prazer o convite, que me formulou no início de 2007 o chanceler
Celso Amorim para integrar o comitê honorário da Comissão
Organizadora das Comemorações do Centenário da Imigração
Japonesa para o Brasil. Quero participar deste momento histórico
que recorda os vínculos que temos com o Japão e os japoneses.
O ano de 2008
será, portanto, a oportunidade para celebrarmos e colocarmos em
evidência a importante contribuição dos imigrantes
japoneses e de seus descendentes para a construção do Brasil.
Comemoraremos, também, nossas excelentes relações
com o Japão, país amigo com o qual o Brasil mantém
tradicionais laços de amizade e cooperação.
Temos certeza
de que, ao realçar esses laços que unem Japão e Brasil,
as comemorações também fortalecerão as relações
comerciais e econômicas entre os dois países. Com economias
vibrantes e grande mercado interno, ambos seguramente têm muito
a ganhar com uma estreita cooperação em tantas áreas,
como a promoção do comércio bilateral, o intercâmbio
tecnológico, combustíveis alternativos, desenvolvimento
sustentável e com oportunidades de investimentos.
Não
há contribuição maior que um país possa dar
a outro do que parte de seu próprio povo. Somos agora, Brasil e
Japão, parentes consangüíneos, um parentesco criado
pela imigração japonesa e fortalecido pela presença
dos mais de 300 mil brasileiros que hoje vivem naquele país.
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