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Por
Satsuki Eda*
Já
se passaram oito meses desde que assumi o cargo de presidente do Senado.
Lembro-me, como se fosse ontem, que, durante a sessão ordinária
da eleição de senadores do verão, corri atrás
dos candidatos para solicitar votos. Minha terra natal fica na província
de Okayama e no verão não chega a ser tão quente
quanto a América do Sul, mas o calor é intenso e os raios
solares muito fortes.
Agora em 2008
celebramos os cem anos desde que o navio Kasato Maru partiu do Porto de
Kobe com a primeira leva de emigrantes japoneses rumo ao Porto de Santos,
no Brasil. Comemorando esse grande marco histórico, os governos
japonês e brasileiro resolveram denominar este como sendo o Ano
de Intercâmbio Japão-Brasil e, com isso, em ambos os países,
serão realizados vários projetos de intercâmbio.
A história
dessa relação centenária teve como ponto de partida
a travessia de um navio no oceano durante a Era Meiji. Desde então,
os dois países vivem momentos de intenso intercâmbio e isso
é motivo de alegria para mim.
Hoje, depois
de muitas levas de emigrantes, o Brasil possui a maior colônia japonesa
no exterior. Soube também que os filhos e netos desses pioneiros
construíram uma grande e forte comunidade nikkei, muitos deles,
inclusive, com papel de destaque no País.
Nesse cenário
não podemos esquecer as dificuldades enfrentadas pelos emigrantes.
Imagino ser difícil descrever os sacrifícios vividos por
essas pessoas que, no longínquo Brasil, lutaram e sofreram com
a língua e os costumes diferentes. Também sou filho de emigrantes.
Na minha infância, fui levado pelos meus pais para viver uma época
na China.
Embora minha
memória falhe, lembro-me que, para chegar à China, atravessamos
o mar de navio durante a Segunda Guerra. O ano era 1943 (ano 18 da Era
Showa) e como vivíamos em terras do exterior em um período
crítico da guerra, minha família passou por muitas dificuldades.
Retornamos ao Japão em 1946, logo após o fim dos conflitos.
O país, na época, era uma confusão extrema. Faltava
comida, roupa e casa para muitos japoneses.
Hoje, os tempos
são outros. Atualmente levamos um dia para viajar do Japão
ao Brasil, mesmo após o desenvolvimento do avião. Imaginem,
então, como eram as viagens de navio no passado!
Impossibilitados
de deixar o Brasil, muitos emigrantes lembravam com saudades a vida cotidiana
japonesa, como comida, cultura e mesmo nosso clima. A tal da saudade
dita no Brasil, com certeza não foi sentida apenas uma ou duas
vezes. Tenho profundo respeito pelos emigrantes que, dentro dessa situação,
lutaram e passaram por muitos problemas para adaptar-se ao país.
Atualmente,
talvez existam muitos nisseis ou sanseis que possuam algum interesse pelas
próprias raízes, apesar de nunca terem pisado em solo japonês
ou que nunca tenham tido qualquer contato com a cultura japonesa. Acredito
que este Ano de Intercâmbio Japão-Brasil pode se tornar uma
boa oportunidade para entrosar e aprofundar os conhecimentos dessas pessoas.
Para finalizar
este meu artigo, desejo que durante o ano de 2008 Japão e Brasil
acelerem o intercâmbio, não somente no aspecto econômico,
mas também nas áreas da cultura, arte e esportes. Desejando
o desenvolvimento das relações amigáveis entre o
Japão e Brasil, encerro minhas felicitações.
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