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Por
Masaaki Osawa*
A história
da emigração japonesa ao Brasil começou em 1908,
com a partida de 781 nipônicos no navio Kasato Maru. Em 2008, será
comemorado o centenário desse grande marco histórico. Atualmente,
sabe-se que o número de japoneses e descendentes no Brasil é
de algo em torno de 1,5 milhão de pessoas, o que torna o país
detentor da maior comunidade nikkei do mundo.
Para chegar
a essa marca histórica, os emigrantes enfrentaram vários
problemas em terras estrangeiras, como as diferenças culturais
e de costumes, sobre os quais não há palavras que possam
defini-las. As histórias de superação e a conquista
da confiança dos japoneses pela sociedade brasileira são
motivos de extremo orgulho e alegria para nós.
Nossa província
tem a Associação Gunma Kenjinkai do Brasil, fundada em 1945,
com sede em São Paulo. Ela é a base e coordena outras oito
associações da América do Sul que promovem o intercâmbio
mútuo entre os emigrantes, além do intercâmbio com
a província. Por aqui, no Japão, a Associação
das Famílias de Emigrantes ao Exterior da Província de Gunma
realiza, de maneira contínua, as atividades de apoio às
famílias dos emigrantes.
Além
da sede, em São Paulo, temos orgulho do Amazon Gunma no Mori (Parque
Ecológico de Gunma). Esse empreendimento é um bosque natural
com cerca de 540 hectares no subúrbio de Belém, no Estado
do Pará, que a Associação Gunma Kenjinkai do Brasil
comprou mediante doação benévola do povo de Gunma
com o objetivo de preservação ambiental global. Em 2006,
comemoramos os seus dez anos de fundação em grande estilo.
No governo
da província, além de subsidiar a administração
do kenjinkai, há o projeto de apoio para a troca de informações,
de homenagens e, dependendo do projeto, a visita ao local para a comemoração
do aniversário da entidade, entre outros. A partir deste ano, iniciaremos
o Projeto de Intercâmbio de líderes da Ámerica do
Sul, com o objetivo de ajudar na criação de líderes
talentosos na comunidade nikkei.
Em novembro
do ano passado, recebemos jovens do Brasil, da Argentina e do Paraguai.
Na comunidade nikkei, estamos entrando na geração dos sanseis
(terceira geração) e dos yonseis (quarta geração),
mas com esse projeto, esperamos que os jovens que atuam como líderes
desses grupos aprendam sobre o clima, a indústria e a cultura da
província de Gunma. A partir desse intercâmbio, a idéia
é que esses jovens venham a ser a ponte que interliga
o Japão ao seu respectivo país.
Ao mesmo tempo,
muitos estrangeiros estão residindo na província de Gunma.
A maioria vem da América do Sul, especialmente do Brasil. Segundo
pesquisas, temos algo em torno de 46 mil estrangeiros (a população
da província é de 2,01 milhões de pessoas), sendo
que brasileiros e peruanos ocupam quase metade desse número. Muitos
deles contribuem sustentando a indústria local. Nós também
estamos trabalhando no envio de intérpretes médico-hospitalares
e no apoio às escolas, já que nosso objetivo é promover
a constituição de uma cidade multicultural onde todos possam
conviver em harmonia.
Atualmente,
vivem mais de 310 mil brasileiros no Japão e sinto que o interesse
pela cultura brasileira vem crescendo. No Ano do Intercâmbio Japão-Brasil,
estão programados diversos projetos comemorativos em ambos os países,
mas pode-se dizer que este é um ano significativo, em que devemos
voltar nossos sentimentos ao trabalho feito até aqui por nossos
antepassados. E espero que essa oportunidade seja aproveitada na promoção
do intercâmbio entre o Japão e o Brasil para fortalecer ainda
mais as relações entre os dois povos.
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