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Por
Yoshinobu Ishikawa*
A emigração
do Japão ao Brasil teve início em 1908, com o primeiro navio
de emigrantes Kasato Maru. Em seguida, devido à Segunda Guerra,
as relações diplomáticas entre os dois países
foram rompidas. Em 1952, o então presidente do Brasil demonstrou
interesse ao observar a diligência dos emigrantes japoneses e definiu
serem eles as pessoas ideais para o desenvolvimento da Amazônia.
Assim, a emigração
japonesa possui sua longa história fundada através da situação
política e econômica da cada época e, em 2008, completará
cem anos. Durante esse período, os esforços e as dificuldades
enfrentados pelos emigrantes em terras estrangeiras, causados pelas diferenças
nos costumes morais, clima e língua, foram indecifráveis.
Hoje, sinto profundo respeito pela posição atingida atualmente
pelos emigrantes japoneses no Brasil, que, apesar das dificuldades impostas
na época, empenharam-se com orgulho, contribuindo amplamente para
o desenvolvimento da economia, da sociedade e da cultura desse país.
Sobre os emigrantes
da província de Shizuoka, não posso deixar de citar Unpei
Hirano. Ele nasceu na atual cidade de Kakegawa no ano de 1886 e, após
se formar na escola de língua estrangeira de Tóquio (atual
Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio), emigrou ao Brasil
como intérprete da primeira leva do Kasato Maru e colonizou a Fazenda
Guatapará, no interior de São Paulo.
No começo,
os emigrantes japoneses eram contratados pelo gerente da fazenda, mas
se empenhavam nos trabalhos agrícolas em situações
de extrema crueldade. Foi nessa situação que Hirano os encorajava,
tentando melhorar o tratamento. Entretanto, Hirano sabia que a única
maneira de a sociedade japonesa se desenvolver no Brasil seria com a independência
por meio de posses de terras. Assim, em 1915, criou uma colônia,
após desbravar a floresta virgem de Cafelândia, também
no interior do Estado de São Paulo.
Sei que, durante
o processo de colonização, ocorreram muitos problemas. Em
1919, Hirano veio a falecer com apenas 32 anos. Seu sonho, porém,
teve continuidade nas mãos de outros emigrantes. Surgia, assim,
a Colônia Hirano. Na ocasião de minha visita ao Brasil, em
agosto do ano passado, visitei o cemitério onde Hirano foi sepultado
em Cafelândia. Senti enorme orgulho ao saber de seu sucesso e do
respeito que adquiriu a ponto de ser chamado de Pai da Imigração.
Em 1990, após
reformulação da Lei de Controle de Imigração
e Reconhecimento de Refugiados, que entrou em vigor no Japão, passamos
a receber muitos nipo-brasileiros. Só em nossa província,
vivem mais de 50 mil brasileiros. Com o crescimento da comunidade, também
surgiram problemas na vida cotidiana provocados pelas diferenças
na língua e na cultura de ambos os povos. O Japão enfrenta
uma redução populacional muito rápida e acompanha
a globalização e o movimento ativo das pessoas. Dentro desse
fenômeno, é evidente a necessidade de pensarmos e nos prepararmos
seriamente para dar um novo suporte aos estrangeiros residentes em nosso
país a partir de agora.
Se os estrangeiros
viverão mesmo no Japão, precisamos oferecer suporte e conscientizá-los
de que são parte integrante da sociedade local. Sendo assim, é
imprescindível a compreensão dos moradores japoneses quanto
à convivência multicultural.
Em 2008, o
Ano de Intercâmbio Japão-Brasil, serão realizados
vários projetos comemorativos do centenário nos dois países.
Desejo que essa seja uma oportunidade de desenvolvermos uma nova etapa
de intercâmbio. E espero que os nikkeis compreendam e passem a cumprir
seu grande papel na sociedade japonesa, assim como nossos emigrantes fizeram
no Brasil. Como governador da província, pretendo, na medida do
possível, apoiar e colaborar com essa história.
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