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Por
Paulo Yokota*
Tenho sido
abordado por alguns jornalistas brasileiros que procuram informações
para matérias que devem elaborar com vistas às publicações
voltadas para o centenário da imigração. Bem como
informações sobre o Japão, para o Ano do Intercâmbio
Brasil-Japão, que tem por objetivo incrementar o relacionamento
bilateral.
Com a sua sensibilidade,
identificando o interesse da opinião pública, em sua maioria
eles procuram casos de sucesso no Brasil e no Japão, visando ao
futuro. Ainda que o passado desperte alguma curiosidade, é no potencial
para o que virá nas próximas décadas que se encontra
o foco das atenções.
Muitos desses
jornalistas constatam a falta de uma comunicação social
adequada na comunidade nikkei como no que provem do Japão. Parece
que é da cultura dos japoneses trabalhar em silêncio, não
exagerando na divulgação dos seus feitos e contribuições.
Mas, hoje, na era das informações, parece que essa lacuna
se torna um empecilho, que precisa ser superado.
Parece que
existe um certo cansaço com relação à epopéia
dos imigrantes japoneses, ainda que ela seja admirada. O exagero nos sofrimentos
por que passaram parece menosprezar os que outros imigrantes, como os
italianos, também suportaram.
Os imigrantes
italianos precederam os japoneses, alguns conviveram com os escravos e,
mesmo trabalhadores livres, não contaram com uma cultura dos empregadores
no trato com uma mão-de-obra devidamente remunerada. A escravidão
tardia não valorizava os recursos humanos. O primeiro choque foi
enfrentado por eles, depois chegaram os japoneses, quando já havia
no Brasil um significativo número de imigrantes de diversas origens.
Também
não parece de bom alvitre enfatizar que somos o maior contingente
de nikkeis, imigrantes e seus descendentes japoneses num país.
Os trabalhos recentes do Museu da Imigração de Los Angeles
mostram que, nos Estados Unidos eles são mais numerosos, pois incluem
um expressivo número de executivos de empresas japonesas. Assim,
o número de eleitores nas eleições japonesas por
lá é superior ao daqui.
É preciso
ter consciência que o Japão continua tendo um forte relacionamento
com seus vizinhos asiáticos, que, no começo do século
XX, recebeu mais imigrantes japoneses, antes que o Brasil. Quando foram
derrotados na Segunda Guerra, muitos dos japoneses e seus descendentes
tiveram que ficar por ali, sendo forçados a se integrar às
populações locais, por uma questão de sobrevivência.
A Sociedade
Japonesa de Beneficência (Dojinkai), da qual é legítima
sucessora o Hospital Santa Cruz, foi uma cópia dos mecanismos de
assistência de saúde aos imigrantes que era utilizada na
Manchúria e nas Filipinas.
Mas, quando
se fala do potencial para o futuro do intercâmbio entre o Brasil
e o Japão, notadamente para o desenvolvimento sustentado para proporcionar
melhores condições de vida para suas populações,
poucos países podem se rivalizar conosco.
Procuramos,
portanto, casos de sucesso no Brasil e no Japão para mais ampla
divulgação. Os leitores que desejarem contribuir com os
que conhecem podem fazê-lo pelo e-mail pyokota@uol.com.br
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