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Uma sociedade integrada e organizada

Hiroshi Hasegawa*

Oizumi é, atualmente, a cidade com maior concentração de residentes estrangeiros no Japão, com cerca de 6,7 mil deles registrados na prefeitura. Os brasileiros, que compõem a maioria desse total, chegam a representar cerca de 11,6% de toda a população. Nós estamos fazendo o possível para ajudá-los na adaptação ao cotidiano do Japão e na integração com a comunidade local, além de publicar informativos em português e implantação de aulas de japonês em todas as escolas do shoogakkoo e chuugakkoo. Infelizmente, não podemos afirmar que todas as medidas estão obtendo resultados.

Os brasileiros que se estabeleceram em Oizumi nos anos 90 estudavam o japonês com afinco. Acredito que tenha sido difícil conciliar o estudo com o trabalho, mas essas pessoas se tornaram capazes de trocar diálogos com os vizinhos, além de conquistar muitas chances de negócios. O fato de falar japonês tornou-se um grande tesouro para eles, com novas horizontes de futuro. No entanto, os relatórios mais recentes informam que aumenta o número de crianças e jovens que não dominam nem o português nem o japonês.

Certo dia, fiquei impressionado com o que um nikkei me disse: “No Japão, existe um ditado que diz ‘se você entra em um país, submeta-se às suas regras’. É natural que quem vem ao Japão aprenda o idioma e os costumes do país. Se traduzir tudo para o português, ninguém se esforçará para aprender o japonês”.

Também me marcou o que disse o prefeito de uma cidade brasileira em visita a Oizumi há dois anos. “Os descendentes de japoneses são vistos no Brasil como pessoas excelentes. A maioria dos que se formam nas melhores universidades são nikkeis. O sorriso estampado em seu rosto ao descrever os descendentes de japoneses como esforçados nos estudos e no trabalho deu lugar a uma sombra. “... Mas, esses nikkeis que deveriam ser excelentes parecem que não são bem-vindos no Japão. Em todo lugar que visito, escuto falar de algum problema referente à separação do lixo, infrações no trânsito ou barulho. Afinal, o que será que está acontecendo?”, disse.

Grande parte dos brasileiros afirma que um dia voltará ao seu país. “Não preciso aprender japonês porque vou voltar ao Brasil”, pensam algumas pessoas, segundo ouvi dizer. Enquanto fica no ar esse “um dia...” muitos meses passam, as crianças transformam-se em jovens e, mais tarde, em adultos que ingressam na sociedade.

Ser fluente em português e em japonês, ou não dominar nenhum dos dois idiomas leva a caminhos muito diferentes. Crianças são o tesouro de qualquer país. São elas que construirão o Japão, o Brasil e o mundo. Não importa qual país servirá como base para o dia-a-dia, mas o meu desejo é de que as famílias valorizem, acima de tudo, a educação dessas crianças.

A cidade de Oizumi almeja ser uma “sociedade integrada e organizada”, na qual todos possam viver com segurança e, para isso, concentraremos ainda mais nossos esforços. Em 2008, será celebrado o “Ano do Intercâmbio entre Brasil e Japão”. Reitero os meus votos de progresso e amizade cada vez maior entre os dois países.

 


*É prefeito de Oizumi, província de Aichi
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