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Potencial de negócios Brasil–Japão

Yasushi Ninomiya*

Aproximam-se as comemorações do centenário da imigração japonesa ao Brasil em 2008. Mas, mais do que reviver o passado, é necessário pensar o futuro e buscar novas possibilidades de negócios. Uma área ainda pouco desenvolvida entre os dois países é a do mercado de conteúdo, no qual se inserem desenhos animados (animês), filmes, novelas e mangá (quadrinhos japoneses).

O Japão possui um dos maiores mercados de conteúdo do mundo e tem se destacado também pela participação no segmento de animê. Esse sucesso não é registrado somente no Brasil. Os desenhos japoneses detêm cerca de 60% do mercado mundial, fruto do trabalho de cerca de 430 empresas no Japão.

No entanto, no Brasil, a penetração dos desenhos japoneses nas TV abertas ainda é baixa. Segundo levantamento feito pela Jetro em 2006, não havia na programação do SBT nenhum desenho do Japão; na Bandeirantes, somente dois eram exibidos e, na Globo, havia cinco.

Os desenhos japoneses são apenas um dos segmentos de interesse do Japão no mercado brasileiro. A pesquisa da Jetro – Mapeamento de Oportunidades de Negócios no Mercado de Conteúdo entre Brasil e Japão, realizada em 2007, identificou algumas outras áreas com potencial de negócios entre os dois países e pouco aproveitadas até o momento. Por exemplo, o segmento de TV por assinatura no Brasil.

Segundo a Pricewaterhouse, haverá um crescimento médio de 7,5% ao ano no número de assinantes, entre 2006 e 2010, contribuindo para uma ampliação média de cerca de 10% ao ano no faturamento, índice superior ao crescimento médio do faturamento mundial previsto para 8,3%.

Atualmente, há somente dois canais na TV por assinatura dedicados à programação japonesa: a NHK e o Animax. O primeiro é um canal público japonês; e o segundo, de exibição de desenhos animados. Contudo, a pesquisa da Jetro mostra que há potencial para abertura de um novo canal dedicado ao Japão.

Além do conteúdo, um outro aspecto interessante revelado é que o público mostrou grande interesse em assistir a programas legendados, mantendo-se a língua original. Diferenciando-se do NHK, que é em japonês sem legenda, e do Animax, que tem a programação dublada.

Paralelamente ao desenvolvimento de uma maior inserção de programas japoneses na TV brasileira, há o potencial de novos negócios no segmento de filmes para o cinema e em DVD. O mercado brasileiro é o maior da América Latina e arrecadou cerca de US$ 325 milhões em 2006, um crescimento de 7,9% em relação a 2005. Com uma previsão de crescimento médio de 5% ao ano nas arrecadações entre 2006 e 2010, coloca-se como um interessante mercado.

Outra área em expansão é a de DVD, favorecida pela redução dos custos dos aparelhos (DVD player). As estimativas apontam para uma aceleração do crescimento do faturamento com as vendas de DVDs, passando a ter uma taxa de crescimento anual acima dos 6% ao ano a partir de 2008, chegando a 9% em 2010. Portanto, associando-se o grande potencial japonês para fornecimento de conteúdo, particularmente nos animês, as previsões de expansão do mercado de TV e DVDs, pode-se visualizar potenciais interessantes de negócios para serem explorados.

Há ainda um mercado não explorado, que é o do público nostálgico, que gostaria de rever séries japonesas antigas. Segundo a pesquisa da Jetro, há um público estimado em cerca de 2,8 milhões de pessoas entre 30 e 50 anos das classes A e B – rendimento superior a cinco salários mínimos –, que cultivam lembranças das séries e desenhos japoneses veiculados no Brasil na década de 70. Outro segmento de DVD a ser explorado é o do público que aprecia novelas e filmes japoneses, produtos que têm baixa oferta no Brasil.

Como se pode observar, há áreas com potencial para ampliação da interação econômica bilateral e o levantamento de informações como essas mencionadas são importantes para fazer com que o centenário da imigração, em 2008, não seja marcado apenas por homenagens e realizações do passado, mas também por comemoração pelas realizações futuras.

 
*É diretor de Pesquisas da Japan External Trade Organization (Jetro)
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