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Brasil e Japão na nova era

Victor Kobayashi*

Em maio de 2007, uma comitiva brasileira encabeçada pelo deputado federal Walter Ihoshi – da qual tive o privilégio de fazer parte – foi ao Japão com o intuito de fortalecer a relação entre os dois países e iniciar um diálogo com as autoridades japonesas para a concretização de projetos bilaterais. O grupo, integrado ainda pelo superintendente do Banco Sudameris/ABN Amro Real, Milton Nakamura; pelo diretor do Sindicato dos Atacadistas de Gêneros Alimentícios de São Paulo, Tokio Isobata; pela empresária Chieko Aoki, da rede de hotéis Blue Tree; e pelo cantor Joe Hirata, ficou sete dias no Japão. E trouxe na mala a certeza de ter dado um grande passo para o futuro.

A viagem foi um sucesso. Não somente pelas reuniões feitas com empresários e políticos do Japão, como o ministro de Relações Exteriores, Taro Aso, e o presidente da Câmara dos Deputados, Yohei Kono. Mas por todos os frutos que serão gerados a partir dos encontros realizados durante a permanência da comitiva naquele país.

Em todas as reuniões, as comemorações do centenário da imigração japonesa fizeram parte da pauta e, em algumas ocasiões, foram amplamente discutidas. Entretanto, o grupo teve como prioridade maior tratar de assuntos que vão além das festividades de 2008. Projetos que possam trazer benefícios aos dois países ao longo dos anos, em especial, ao Brasil.

Pela primeira vez, uma comitiva composta somente por nikkeis viajou com objetivos que ultrapassam os interesses da comunidade nipo-brasileira. Esse fato somou pontos perante os japoneses – que esperam de nós uma atitude globalizada – e nos abriu portas com parlamentares, executivos e instituições financeiras.

Percebemos nos encontros que Brasil e Japão possuem objetivos semelhantes, principalmente, no que diz respeito à proteção ambiental. Para o Japão, isso é um bom motivo para ambos estreitarem suas relações, acrescido de suas características econômicas e geográficas, que continuam se completando como peças perfeitas de um jogo de quebra-cabeças.

Além disso, somos a maior comunidade de descendentes japoneses fora do Japão, 1,5 milhão de cidadãos que possuem afinidade com a cultura japonesa. Portanto, a sinergia é grande para o Brasil ser um dos melhores parceiros econômicos do Japão e vice-versa.

A reunião obtida com os dirigentes do Japan Bank for International Cooperation (JBIC), em Tóquio, demonstrou isso de maneira clara. O Brasil é o maior beneficiário do banco na América Latina. Entre abril de 2005 e março 2006, ele investiu US$ 7,66 bilhões em várias áreas, que vão desde o apoio às empresas japonesas até a melhoria da infra-estrutura do Brasil.

O JBIC, que se unirá ao Japan for International Cooperation Agency (Jica), quer prosseguir com os investimentos e estuda a possibilidade e aumentar a verba destinada ao nosso país. O recurso seria aplicado em programas agrícolas, na produção de biocombustíveis e no desenvolvimento da bioeletricidade, itens de interesse para os japoneses. Se antes o Brasil possuía insumo e o Japão tecnologia; hoje, o Brasil possui tecnologia e terras, que o Japão tanto precisa para investir e crescer.

Projetos macros incentivados pelo JBIC/Jica, governo japonês ou instituições internacionais são extremamente importantes para o nosso país. Eles possibilitam o progresso e a criação de postos de trabalho.

Está na hora de usarmos nossa descendência, educação e costumes herdados pelos nossos ancestrais para conseguirmos novos feitos: ampliar o intercâmbio de conhecimentos por meio das bolsas de estudos, aumentar o número de empregos entre as empresas que fazem negócios entre os dois países e multiplicar os recursos de infra-estrutura usando o conhecimento da comunidade nikkei para potencializar conquistas.

 


**É presidente do Instituto Paulo Kobayashi
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