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Roberto
Rodrigues*
No
próximo ano, 2008, será celebrado o centenário da
primeira imigração de japoneses para o Brasil. Trata-se
de uma data memorável, que merece uma grande comemoração.
A colônia japonesa no Brasil maior número de cidadãos
de origem daquele país em todo o mundo, fora do Japão
tem dado uma extraordinária contribuição para o desenvolvimento
do nosso País.
Os
filhos, netos e bisnetos dos primeiros imigrantes têm se destacado
em todos os campos da atividade sócio-econômica e profissional,
constituindo um formidável e respeitável conjunto de empreendedores.
A ação nipônica na indústria siderúrgica
nacional foi essencial, sobretudo para o desenvolvimento da Usiminas,
tanto em termos de capital quanto de tecnologia. Hoje, a presença
no Brasil de gigantes japoneses, Mitsubishi, Mitsui, Honda, Toyota, Itochu
e tantas outras, nos dá a dimensão de sua influência
em nossa indústria.
Infelizmente,
porém, o fluxo de comércio entre Brasil e Japão não
tem sido favorável ao Brasil, na soma dos últimos 10 anos.
Por outro lado, os investimentos japoneses no Brasil não tem crescido
sistematicamente e ainda somos o sétimo destino nessa área.
Independentemente
das razões causais disso, é preciso estabelecer medidas
e ações que retomem esse fluxo comercial e que intensifiquem
os investimentos japoneses no Brasil. Seguramente, o agronegócio
pode ser um importante agente nessa retomada.
O
Japão tem hoje uma população de 128 milhões,
com uma renda per capita de US$ 35.787/ano em 2005. Sem dúvida,
um gigante consumidor de produtos de origem agrícola, pois dentre
os países desenvolvidos é o que tem menor índice
de auto-suficiência de produção alimentar somente
40%. Importaram em 2005 cerca de US$ 52 bilhões em alimentos. É
um imenso mercado para o Brasil.
Na
verdade, a influência japonesa sobre a agricultura brasileira tem
sido muito relevante. Em dois momentos históricos, foi mesmo determinante
do nosso progresso rural.
O
primeiro foi na chegada dos primeiros imigrantes. Eles nos trouxeram dois
conhecimentos essenciais: a tecnologia e o cooperativismo.
A
tecnologia em hortifrutigranjeiros permitiu o desenvolvimento dos cinturões
verdes dos centros urbanos, garantindo a auto-suficiência brasileira
em verduras, legumes, frutas e produtos animais, especificamente ovos
e frangos. E a mentalidade associativista deles deu origem às grandes
cooperativas agropecuárias que serviriam de modelo para o nosso
movimento.
As
cooperativas agrícolas Cotia e Sul-Brasil organizaram o mercado
de hortifruti, dando a seus cooperados, pequenos produtores, uma chance
de crescimento que lhes permitiu a educação dos filhos e
netos, hoje nas mais diferentes profissões, principalmente urbanas.
O fracasso de ambas as cooperativas, fruto de problemas com a política
macro-econômica para o campo e de erros de alguns de seus gestores,
até hoje é um prejuízo para o mercado de hortifruti,
atualmente desorganizado e mal-explorado.
O
segundo grande momento da presença japonesa em nosso agronegócio
foi o Programa de Desenvolvimento do Cerrado (Prodecer), na década
de 70, impulsionado pelo ministro Alysson Paulinelli. Até então,
a agricultura brasileira era costeira, e se dizia que o Cerrado era impróprio
para atividade rural. A conquista dessa área alargou extremamente
a fronteira agrícola brasileira, permitindo um salto gigantesco
na produção de grãos.
Pois
bem. Estamos agora diante de uma terceira oportunidade para outro enorme
acordo Brasil-Japão no temário agrícola. Trata-se
da produção de etanol e outros biocombustíveis renováveis.
Só
que dessa vez, o Brasil não será o maior beneficiário.
Dessa vez o Japão se beneficiaria com a importação
do etanol brasileiro, especialmente por razões ambientais, e um
acordo entre a Petrobrás e a Mitsui já está em andamento.
Mas isso não pára aí. Juntos, os dois países
podem trabalhar para produzir etanol e biodiesel com outros países
asiáticos e africanos, além dos latino-americanos, contribuindo
para gerar empregos e riqueza nessas paragens pobres e subdesenvolvidas.
Atuando
em parceria, Brasil e Japão podem contribuir, com tecnologia de
um e capital do outro, para a construção dessa nova civilização
que irá modificar a do petróleo em algumas décadas.
E, com isso, ambos estarão também contribuindo para a defesa
da paz universal e da democracia nesses países. Afinal, povos com
renda boa, bem nutridos e energizados são mais pacíficos
e democráticos.
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