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Já
faz 60 anos desde o fim da Segunda Guerra e o Japão tornou-se a
segunda potência econômica mundial. Por outro lado, o país
tem passado por desastres naturais, como o terremoto de Kobe, e incidentes
como o lançamento de gás sarin no metrô de Tóquio,
que pode ser considerado um tipo de atentado terrorista. Podemos dizer
que, mesmo no contexto mundial, a população leva uma vida
estável em termos sociais, econômicos e políticos,
sendo a desigualdade menos acentuada que em países como o Brasil.
É certo que tragédias decorrentes da Segunda Guerra
especialmente episódios como o lançamento das bombas atômicas
em Hiroshima e Nagasaki, bombardeios em cidades como Tóquio e Kobe
constituíram o ponto de partida para a reconstrução
que resultou na sociedade japonesa atual.
Obras
sobre a bomba atômica
Mangás
e animês japoneses são adorados em todo o mundo. Gen: pés
descalços (em 10 volumes), mangá sobre o bombardeio de Hiroshima
tem edição em português e faz sucesso no Brasil. O
autor, Keiji Nakazawa (1939), descreve as condições sociais
da época a partir do olhar de uma de suas vítimas, criando
o protagonista infantil Gen com base em sua própria experiência.
Trata-se de um mangá contra a guerra, que vai além do entretenimento.
No Parque do
Memorial da Paz, em Hiroshima, há a estátua de uma menina
que ergue um grou em dobradura de papel. Na lápide, a seguinte
mensagem: este é o nosso clamor, esta é nossa prece,
para construir a paz no mundo.
Dentre as obras
que descrevem a tragédia da bomba atômica em Nagasaki, o
best seller é o livro Sinos de Nagasaki. O autor, Takashi Nagai
(19081951), como médico militar, serviu na Guerra da Manchúria.
Por exposição excessiva à radiação,
Nagai adquiu leucemia medular crônica. Sofreu efeitos da radiação
da bomba atômica, por se encontrar num raio de 700 m de seu lançamento,
onde se localizava a Universidade de Nagasaki. Continuou a escrever mesmo
acamado, denunciando a tragédia da bomba atômica, fazendo
renovar a percepção das pessoas em relação
ao amor humanitário e à paz. Em 1949, recebeu a visita do
imperador Showa (Hirohito).
Bombardeios
aéreos
Já perto
do fim da guerra, em cidades como Tóquio e Kobe, muitos morreram
nos inúmeros bombardeios do exército americano utilizando
o B29. Há muitas obras baseadas nesses episódios. Citamos
aqui Hotaru no haka (Cemitério dos vaga-lumes), de 1967. Ganhador
de inúmeros prêmios, é um best seller de 1,3 milhão
de exemplares vendidos. A versão animê foi feita pelo diretor
Takahata Isao, que vivenciou bombardeios em Okayama. Na Kobe de 1945,
os irmãos Setsuko, de 4 anos, e Kiyota, de 14 anos, aguardam a
volta do pai, convocado para a guerra, temendo os bombardeios aéreos
que nunca sabiam quando poderiam acontecer. Um dia, perdem a mãe
em um desses bombardeios e vão viver com a tia, mas são
tratados como intrusos, por não poderem trabalhar e apenas consumir
os alimentos. Os dois resolvem, então, começar sozinhos
uma vida num abrigo antiaéreo. A obra só poderia resultar
do desejo de não apagar a memória da tragédia e a
chama da vida das pessoas que se empenharam ao máximo para sobreviver.
A
tragédia de Okinawa
Apenas Okinawa
tornou-se campo de batalha entre os exércitos japonês e aliado,
onde um grande número de civis e militares perderam a vida. Especialmente
em 1945, no final da guerra, quando 297 pessoas, entre estudantes e funcionárias
da Primeira Escola Feminina de Formação de professores de
Okinawa e do Colégio Feminino da Província de Okinawa foram
mobilizadas para servir como enfermeiras militares na Guerra de Okinawa.
Serviam no Hospital do Exército, mas, com o agravamento da guerra,
receberam ordens para se retirar. Passaram a servir num abrigo subterrâneo
instalado numa caverna. Em 18 de junho, ao receberem ordens de dissolução
do destacamento, 219 pessoas optaram pelo suicídio coletivo a sofrer
com bombas de gás do exército americano, ou com as humilhações
dos militares das tropas inimigas. O incidente causou grande impacto nas
pessoas. No local do antigo abrigo, foi construído um monumento
em homenagem ao Destacamento Himeyuri, como fora chamado esse grupo, sendo
visitado por muitas pessoas. Okinawa foi devolvida oficialmente ao Japão,
porém a presença da base militar americana num dos pontos
principais da ilha até hoje obscurece a sua história.
Órfãos
de guerra
O número
de órfãos, segundo levantamento de 1948 do Ministério
da Assistência Social e Saúde, é de 123.511 pessoas
(excluindo Okinawa). Em 1954, Okinawa registrava 3 mil órfãos.
Diz-se que 87% deles tinham idades entre 8 e 20 anos e que foram adotados
por parentes ou encaminhados a orfanatos. Mas, como o número dessas
instituições era insuficiente, muitos se tornaram errantes,
passando a viver nas ruas, chegando a 35 mil em 1947.
Não
há família que não tenha sido atingida pela guerra.
Todas sofreram algum dano material ou psicológico. Não se
pode esquecer que a sociedade opulenta hoje conhecida foi construída
com o sacrifício das pessoas que perderam a vida na guerra, nos
bombardeios ou com a bomba atômica.
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