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Após
meados da Era Kamakura, a família imperial travava uma disputa
entre seus próprios membros pela divisão dos bens. Ainda
entre os samurais, também havia muitos que estavam descontentes
com o clã Hôjô. Aproveitando-se dessa situação,
o imperador Godaigo (12881339) tramou uma revolta contra o xogunato
de Kamakura em 1324, porém, a conspiração acabou
chegando aos ouvidos inimigos e fracassou. Sem esmorecer, em 1331, ele
planejou outro levante, mas fracassou novamente, sendo exilado para Oki
em 1332.
As tentativas
de Godaigo não cessaram e, em 1333, o imperador conseguiu o seu
intento e derrubou o xogunato de Kamakura com a ajuda de Ashikaga Takauji
(13051358), que havia sido designado justamente para combater as
forças revoltosas. O imperador Godaigo retornou a Quioto e restaurou
o poder imperial. Esse período foi denominado Restauração
Kenmu, pois, em 1334, o nengô (era ou período) passou a se
chamar Kenmu. Esse governo durou apenas dois anos e meio, pois surgiram
divergências entre o imperador Godaigo, que sempre deu prioridade
aos interesses da nobreza, e Ashikaga Takauji, que representava a classe
dos samurais. Eles entraram em conflito por causa da distribuição
de terras e prêmios.
Os
conflitos culminaram com a destituição do imperador Godaigo
provocada por Ashikaga Takauji, que se instalou em Quioto. Takauji estabeleceu
as diretrizes de seu governo, indicou um novo imperador e tornou-se xogum
em 1338. Godaigo refugiou-se em Yoshino, província de Nara, ainda
declarando ser o verdadeiro imperador do Japão. Dessa forma, coexistiram
nesse período a corte de Quioto e de Nara, fato que recebeu a denominação
de Era da Corte Norte (Quioto) e da Corte Sul (Nara), ou seja, Nanboku-Chô
Jidai, por sua situação geográfica. Essa era foi
marcada pela disputa de poder e perdurou por quase 60 anos, até
1392.
Início
do xogunato Muromachi
Para Ashikaga Takauji, o melhor mesmo seria instalar-se em Kamakura,
base do clã Ashikaga, mas, preocupado com a revolta do imperador
Godaigo, ele instalou-se em Quioto, para conter o poder da Corte Sul.
O período
controlado pela família Ashikaga foi conhecido como Era Muromachi,
devido à construção do palácio Hana-no-Gosho
(Palácio das Flores), sede do xogunato Ashikaga (13361573),
na cidade de Muromachi. O palácio foi construído em 1378.
A cidade de
Quioto transformou-se em campo de batalha na época das duas cortes,
quando a tropa da Corte Sul, liderada pelo nobre Kitabatake Chikafusa
(12931354), tentou invadir a cidade de Quioto, na tentiva de reverter
a situação.
Em 1352, o
segundo xogum, Ashikaga Yoshiakira (13301367), outorgou a lei denominada
hanzei-rei (lei da repartição ao meio), que repartia a metade
das terras dos latifúndios (shôen) de propriedade dos nobres
e templos por tempo indeterminado, transformando-as em feudos dos samurais.
Com isso, Yoshiakira conseguiu, até certo ponto, fortalecer o poder
do xogunato Ashikaga.
O terceiro
xogum, Ashikaga Yoshimitsu (13581408), iniciou o comércio
com Ming (China) sob o título de Rei do Japão.
O arquipélago passou a importar moedas de cobre e tecido de seda,
exportando enxofre, cobre e espadas, obtendo grandes lucros. Essa riqueza
fez com que florescessem as culturas Kita-Yama e futuramente Higashi-Yama
(que serão tratadas no próximo capítulo). Iniciou-se
ainda a economia baseada em dinheiro, com a moeda de cobre circulando
no país. O fato de observar o aumento dos casos de pagamento dos
impostos em dinheiro significa que, nessa época, havia um mercado
ativo de compra e venda de arroz.
Revolta
dos camponeses
O século XV foi marcado também por anomalias climáticas,
ocorrendo em várias regiões do Japão o tempo frio
atípico, a falta de alimentos e as epidemias. Principalmente durante
o grande flagelo de 1461, houve cerca de 84 mil mortes só em Quioto.
Nessa época, houve vários levantes de camponeses que ficaram
conhecidos pelo nome de tsuchi ikki. Em 1428, por exemplo, houve, na região
de Kinki, o primeiro levante na história do Japão reivindicando
a anistia. Com a péssima colheita, foram anos de verdadeiro pesadelo
para os camponeses.
O aumento do
poder do povo, proveniente do desenvolvimento da agricultura, incentivou
a luta pela diminuição da carga tributária. A falta
de arroz e a conseqüente elevação de seu preço
fizeram com que os transportadores, também passando por dificuldades,
se unissem aos agricultores. Esses fatores, aliados aos juros altos cobrados
sobre às dívidas, impulsionaram as grandes revoltas. A falta
de uma diretriz política firme por parte do xogunato Ashikaga durante
esse período causou a sua queda após perdurar por 15 gerações.
O rebaixamento
da posição da mulher na sociedade
A partir dessa época, a alteração da forma de
casamento também mudou o lugar da mulher na sociedade. A mudança
de muko-tori (marido indo morar na casa da noiva) para yome-iri (esposa
fazendo parte da família do marido) tirou das mãos do pai
o controle sobre sua filha após o casamento. Dessa maneira, a divisão
dos bens para a filha deixou de existir, rebaixando cada vez mais a posição
socioeconômica da mulher.
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