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Os revolucionários e a queda do xogunato Tokugawa
Era Edo – Parte 6
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Era Edo – Parte 5
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Os grandes impérios do Ocidente invadem o Oriente
Era Edo – Parte 3
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Era Azuchi-Momoyama
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Era Asuka: Um período importante para a arte e cultura
Tumbas: símbolos de poder
Rainha Himiko
Desenvolvimento japonês
A criação do mundo segundo a mitologia japonesa
O Alvorecer do Japão
Cronologia: As eras no Japão
Era Nara - Parte 2
O despontar das literaturas
Com o objetivo de deixar os fatos do passado para a posteridade, foram compiladas no período obras de referência histórica, geográfica e literária do Japão, depois de anos de intenso trabalho

(Ilustrações: Claudio Seto | Foto: Fernando Takahashi/NB)

As primeiras obras de História do Japão (Kojiki e Nihon Shoki), de Geografia (Fudoki), e a antologia de poemas (Man’Yôshu) foram compiladas na Era Nara. Além delas, foram escritas outras obras de menor importância pelos clãs regionais ou a mando deles, já que o homem sempre teve o desejo de deixar para a posteridade os seus feitos.

Kojiki
É o livro de História do Japão considerado o mais antigo. A obra foi concluída em 712, a mando da imperatriz Genmei. Foi compilado por Ô-no-Yasumaro, com auxílio de Hieda-no-Are. Trata-se de uma obra em três volumes. No primeiro, são relatadas as peripécias dos deuses, desde a criação do arquipélago japonês; no segundo e terceiro volumes, as biografias dos imperadores, desde o primeiro soberano do clã Yamato, o imperador Jinmu, que subiu ao trono em 660 a.C., embora considerado pelos historiadores como um personagem fictício para legitimar a linhagem divina da família imperial, já que ele é considerado descendente direto da deusa do sol Amaterasu Ômikami. A obra termina com o governo da imperatriz Suiko (592~628).

No Kojiki, são relatados episódios como o do capricho da deusa do sol, Amaterasu Ômikami, que se escondeu na caverna deixando o mundo mergulhado nas trevas; a aventura de Susanô-no-Mikoto, que mata a gigantesca serpente de 8 cabeças usando sua astúcia; e outras histórias.

Nihon Shoki
Primeiro livro oficial de História do Japão, foi concluído em 720 e compilado pelo príncipe Toneri Shinnô, terceiro filho do imperador Tenmu, e muitos outros. É uma obra de 30 volumes, que começou a ser compilada na época do imperador Tenmu (673 ~ 686) e levou 39 anos para ser concluída. Como há muitas citações de obras chinesas e coreanas, acredita-se que houve a participação de muitos kika-jin (intelectuais estrangeiros naturalizados) em sua confecção. Assim como Kojiki, relata desde os tempos dos deuses até a imperatriz Jitô (645~702), esposa do imperador Tenmu, que ocupa o trono após a morte do marido (690~697).

Fudoki
Em maio de 713, a imperatriz Genmei ordena que sejam feitos relatórios de cada região (fudoki) seguindo os cinco itens abaixo:

• Colocar o nome nas comarcas formado por dois ideogramas auspiciosos;
• Relatar todos os produtos (tudo que se colhe da natureza, excetuando-se os produtos agrícolas e manufaturados), plantas, peixes, aves e animais da comarca;
• Detalhar as condições dos solos; se são férteis ou não; terras produtivas e as que possam se tornar produtivas;
• Descrever montanhas, rios, campos e explicar a origem de seus nomes;
• Anotar as lendas contadas por anciãos.

Dessa forma, devem ter sido entregues fudoki de mais de 60 regiões, mas foram conservados até os dias de hoje apenas 5 fudoki, a saber: de Izumo-no-Kuni, Hitachi-no-Kuni, Harima-no-Kuni, Bungo-no-Kuni e Hizen-no-Kuni. Dentre eles, o único que existe ainda hoje na íntegra é o Izumo-no-Kuni, fudoki concluído em 733, no qual constam as descrições de Izumo-no-Kuni, atual província de Shimane, e de seus templos xintoístas e budistas, montanhas, rios, estradas e produtos da natureza.
Harima-no-Kuni (atual província de Hyogo) fudoki, um dos primeiros a ficar pronto, foi concluído por volta de 715, com registro de muitas lendas populares num estilo bastante singelo. O fudoki de Hitachi-no-Kuni (atual província de Ibaraki) deve ter sido concluído entre 717 a 724, e os de Bungo-no-Kuni (atual província de Oita) e de Hizen-no-Kuni (atuais províncias de Saga e Nagasaki), por volta do ano 739.

Man’Yôshu
É a antologia de poemas japoneses mais antiga, contendo mais de 4.500 poemas distribuídos em 20 volumes. Não se sabe ao certo quem reuniu e compilou todos os poemas, mas supõe-se que, no início da Era Nara, já houvesse um original reunindo os diversos poemas, ao qual o nobre Ôtomo-no-Yakamochi juntou a antologia de poemas da sua família, fez a revisão geral e concluiu a obra por volta de 760.

Nos últimos volumes, constam os poemas da autoria de Ôtomo-no-Yakamochi escritos após 746. Além dele, a antologia reúne poemas de imperadores, nobres, humildes camponeses, poetas da corte e outros tantos poemas de autoria desconhecida.

Destacam-se, por seu alto teor literário, os poemas de Nukata-no-Ôkimi, amada do imperador Tenmu, Kakinomoto-no-Hitomaro, poeta da corte, Yamanoue-no-Okura, filósofo de grande conhecimento que fez parte de uma das missões a Tang (China), e muitos outros poetas.

Os poemas foram escritos em kanji (ideograma), porém, levando em conta apenas as suas leituras, ou seja, utilizando-os apenas como fonogramas (kana). Assim, esse tipo de recurso da escrita recebeu a denominação de man’yô-gana, ou seja, fonogramas de man’yô-shu. Das escritas cursivas desses man’yô-gana, criaram-se, mais tarde, os fonogramas hiragana.

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