
Hortaliças (acima) e plantação de batatas,
cujo cultivo se intensificou em meados da década de 10. |
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(Fotos: Divulgação/MHIJ)
Não
foram poucos imigrantes pioneiros que colocaram num carrinho de mão
verduras e hortaliças colhidas no quintal e saíam pela vizinhança
para vendê-las. Outros escolheram as feiras livres. Esse dinheiro
ajudou no estudo de muitos doutores nipo-brasileiros, contam as velhas
histórias.
Ao enfocar
o papel dos imigrantes japoneses no setor de verduras e hortaliças,
é importante ressaltar o papel das cooperativas agrícolas,
a partir dos anos 20. Elas atuaram no escoamento da produção
(como foi o caso da batata), nos estudos para seleçãode
variedades mais produtivas (a exemplo de tomate e vagem) e na divulgação
das novas variedades.
Estudiosos
Alguns pesquisadores
foram importantes na obtenção de variedades adequadas e
produtivas. Entre eles, Hiroshi Ikuta, da Escola Superior de Agricultura
Luís de Queiroz (Esalq-USP), no desenvolvimento de híbridos
da berinjela, da cenoura (em 1963, a partir de semente trazida do Japão)
e de repolho (em 1967, através de variedades oriundas do Japão).
Ou ainda Yô Nagai, do Instituto Agronômico de Campinas, responsável
pela alface cultivável na primavera e verão, resistente
aos vírus, as variedades de tomate Santa Elisa, Ângela e
tomate caqui.
Também
merece destaque a dedicação dos produtores para seleção
de variedades mais resistentes às pragas, mais produtivas e de
melhor aceitação dos consumidores. O tomate, por exemplo,
introduzido pelos italianos, foi um dos produtos escolhidos pelos imigrantes
japoneses quando se tornaram lavradores independentes. Os esforços
para a obtenção de melhores variedades contaram com as cooperativas
agrícolas (principalmente Cotia e Sul-Brasil), os produtores e
o Instituto Agronômico de Campinas.
O quiabo deve
muito à persistência de Toshikazu Kunizawa (de Piranema,
RJ) que, em 1948, levou o quiabo branco de São Paulo e, somente
a partir de 1964, conseguiu produzir uma variedade (de cor verde) de qualidade
e sabor aceitável.
Produtores
e introdutores
Os descendentes
de japoneses destacam-se pela grande produção de diversas
culturas, como da batata, cujo cultivo intensivo foi introduzido por eles
em meados da década de 10.
Entre outros
produtos de grande participação dos nipo-brasileiros, estão
a alcachofra, introduzida na década de 50 pelos italianos, e a
cebola, cultivada com irrigação, uso de fertilizantes e
defensivos para melhoria da produtividade.
O broto de
bambu, apreciado pelos japoneses, conquistou o paladar brasileiro por
sua semelhança com o sabor do palmito. Ryotaro Shimomoto e Masami
Yano (Cotia), em 1930, trouxeram do Japão as variedades Môsô,
Matake e Hachiku.
Introduzida
para amenizar a saudade da comida japonesa, a raiz de bardana, nos últimos
anos, teve seu público consumidor ampliado, o mesmo acontecendo
com o rábano (com novas variedades importadas do Japão)
transformado em ingrediente de saladas.
Originário
das montanhas do Himalaia, o pepino mais conhecido no mercado é
da variedade Aodai, introduzida pelos japoneses na década de 30.
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