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  Históra da Imigração Japonesa
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Memórias de um ator do teatro nipo-brasileiro
A aventura da família Hakkodan continua
De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
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A aventura da família Hakkodan continua
Nesta edição, vamos contar as mudanças que ocorreram com o grupo no pós-guerra

Passados três anos e meio do término da Guerra, o
grupo achou que era o momento de voltar aos espetáculos
 

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

O grupo teatral Hakkodan, formado por Takeno Mitsuishi e seus três filhos, começou suas apresentações de colônia em colônia na década de 30. O auge de sua popularidade foi rompida com a Segunda Guerra. Depois disso, muita coisa mudou.

Takeno Mitsuishi, no final de 1933, devido à doença do marido, decidiu retomar a arte teatral que praticara na juventude no Japão. Junto com seus três filhos maiores, saiu de colônia em colônia quebrando a aridez do cotidiano das famílias, metidas no meio do sertão, ocupadas com a produção agrícola.

Retomou seu nome artístico de Onoe Kikunobori e, juntamente com os dois filhos (de 13 e 10 anos) e a filha (de 7 anos), fundou o grupo Hakkodan. Os outros dois filhos menores ficavam com o pai, em Lins, enquanto o grupo saía para a turnê, que levava cerca de 40 dias. Calcula-se que, no início dos anos 40, das 480 colônias japonesas existentes no Estado de São Paulo, cerca de 300 foram visitadas pelo menos uma vez ao ano. Em geral, consistia da programação duas peças curtas dramáticas (estilo Kabuki, criadas pelo próprio grupo ou adaptadas), intercaladas por apresentação de dança clássica.

No entanto, em 1942, essas atividades foram proibidas, em razão da Segunda Guerra, quando se restringiu a livre circulação, a reunião e o uso da língua-mãe aos imigrantes dos países do Eixo. Assim, a família Hakkodan teve de procurar outros caminhos.

De Lins, mudaram para Bastos, cidade de predominância de imigrantes japoneses. Acreditavam que lá poderiam contar com a proteção e a colaboração dos patrícios. O filho mais velho, Kikunoboru, foi trabalhar em lavanderia. O segundo, Kikuwaka, foi contratado como aprendiz numa doceria. E a filha, Kikue, virou funcionária da fábrica de fios de seda Bratac.

De volta à arte
Passados três anos e meio do término da Guerra, a família achou que era momento de deixar o emprego fixo e fincar pé na estrada novamente. Na época, a maior preocupação era um possível envolvimento no conflito fratricida dos “vitoristas” x “derrotistas”, que já resultara em várias mortes, inclusive na própria cidade de Bastos. Felizmente, a arte do Hakkodan estava acima das diferenças políticas: contou com o apoio dos milhares de fãs “vitoristas” e “derrotistas” sedentos para vê-los atuando no palco.

Voltaram à antiga rotina de seguir pelas colônias, improvisando palcos, arrancando aplausos e criando expectativas para a próxima apresentação. Além disso, garantindo a sobrevivência com as “gorjetas” que, embrulhadas num pedaço de papel, eram “jogadas” no palco, ao final de cada espetáculo. A fase áurea dessa segunda etapa do Hakkodan prosseguiu até 1968.

Eles não mudaram, mas a comunidade sofrera profundas mudanças. Nisseis e sanseis (respectivamente, segunda e terceira geração), influenciados pela educação brasileira, tinham dificuldades para entender os sentimentos envolvendo essas peças do teatro tradicional japonês, como guiri (dever, obrigação aos pais, superiores, parentes, etc) e ninjô (compaixão, benevolência). As peças de Kabuki falavam da época feudal e, para eles, ficava difícil entender porque seus pais e avós se emocionavam tanto com essas história “banais”.

O Hakkodan sentiu que era hora de mudar, ao perceber que muitos, além de não entender, até passaram a nutrir certo desprezo por essas peças. Assim, esses dramas cederam lugar a mais números de dança clássica e para filmes importados do Japão. Junto com os cenários do palco, o grupo passou a transportar as máquinas de projetores que pesavam cerca de 500 quilos, longos cabos de eletricidade e outros equipamentos. Tudo chegava a 2.500 quilos.

Além de dança e cinema para que quem não entendia o japonês, também começaram a apresentar números de mágicas.

Nessa época, os protagonistas também mudaram – a chefia do Hakkodan passou para Kikuwaka (o segundo filho, na época com 56 anos), que agregou ao grupo seu filho, Kikujiro (com 23 anos, no grupo desde os 15), e mais um discípulo da fundadora chamado Kikuchiyo.

A mãe, Takeno, já se aposentara e, em 1983, no aniversário de 50 anos de fundação do grupo, foi a vez de Kikunoboru (o filho mais velho).

Aguarde, na edição 359, mais teatro japonês. Agora, a aventura de Arashi Shotaro, que liderou outro grupo, nessa mesma época, a partir da cidade de Penápólis e chegou até a cidade de São Paulo.


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Texto de Masao Daigo, “Hakkodan no Tanjyo”, publicado no livro Coronia Gueinoshi, vários autores, edição da Comissão de Publicação do Coronia Guenoshi, 1986, São Paulo.
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