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  Históra da Imigração Japonesa
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De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
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Pelo rádio, as vozes de um Japão distante
Programas em língua japonesa intensificam suas atividades nos anos 50

Locutor Kei Kikuchi, no programa
Melodia do País das Cerejeiras

participantes do programa de música na rádio de Andradina, 1955

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

O início dos anos 50 teve muitos acontecimentos. Os transtornos causados pelas proibições da Segunda Guerra começaram a desaparecer e a comunidade nipo-brasileira, finalmente, encontrou a calmaria. Nesse cenário, os programas radiofônicos em língua japonesa intensificaram suas atividades.

Em 1950, Yukishigue Tamura foi eleito deputado federal. Os bens dos japoneses residentes no Brasil, que ficaram sob intervenção durante a guerra, foram liberados. Em 1951, um grupo de artistas liderado pelo cantor Shoji Taro, chega ao Brasil a convite do Diário Nippak com enorme sucesso de público. E Tsuji Kotaro, incumbido de formar a Cia. Santarém de Juta, conseguiu autorização para trazer 5 mil famílias japonesas.

Em 1952, o escritor Yukio Mishima visita o Brasil. Com júri presidido pelo cantor Akira Matsudaira, realiza, no Cine Odeon, o I Concurso Brasileiro de Cantos Japoneses, os inesquecíveis nodojiman. E o Grupo Seibi realizou a I Mostra de Artes Plásticas, no Sakura Club. Representantes de sete jornais e uma revista participaram da reunião na residência oficial do cônsul-geral Shiro Ishiguro para tratar da colaboração dos nipo-brasileiros nas comemorações do 4º Centenário da cidade de São Paulo, em 1954.

Exatamente, em meio a essa torrente de novidades, Tomoo Handa registrou, no segundo semestre de 1950, a estréia de um programa radiofônico comercial, transmitido em língua japonesa, na cidade de São Paulo, sem maiores detalhes.

Hiroshi Utsumi, em seu artigo para o livro Coronia Gueinoshi, apontou que nos primeiros anos da década de 50, e até pouco antes, já eram transmitidos os programas de língua japonesa tendo com atrações as músicas japonesas e as cotações de preços dos hortigranjeiros (com patrocínio das cooperativas agrícolas).

Sinal dos tempos, o primeiro jornal foi publicado em 1916 para vender lotes de terras na região de Presidente Prudente. Na década de 50, o rádio dava as cotações de verduras do dia, versatilidade impossível aos jornais daquela época (que em alguns locais chegava após uma semana da publicação).

O “boom” dos programas radiofônicos iniciou-se, segundo Utsumi, em junho de 1952, quando Sussumu Iwakami comprou uma hora na Rádio Bandeirantes para transmissão do Sakura no Kuni no Melody (Melodias do País das Cerejeiras), com locução de Kei Kikuchi. Além das cotações, apresentava notícias e canções japonesas.

Em 1953, surgiram programas em São Paulo, comandados por Eizo Imai, Yoshio Fukimoto, Mario Okuhara, Seiji Uesugui, entre outros. Em 1956, considerada a “época de ouro”, calcula-se que, somente na cidade de São Paulo, haviam 13 programas em língua japonesa. Nessa época, havia também os programas no interior paulista como Presidente Prudente, Bauru, Araçatuba, Guararapes, Marília, Adamantina e subúrbio de São Paulo.

Desses “empresários” do rádio, mereceu destaque as atividades da Okuhara Brasil Kohosha que transmitia variados programas gravados no Japão, incluindo músicas e radionovelas. Os irmãos Okuhara chegaram a comprar a Rádio Santo Amaro, Rádio Apolo e Rádio Guarujá e depois se lançaram na área de televisão.

Programas ao vivo

Em meados da década de 50 começaram os programas ao vivo. Alguns com transmissões de jogos de beisebol e campeonatos de atletismo, outros com programas de auditório e entrevistas. Também se tornaram famosas as transmissões dos concursos de canto (nodojiman) que aconteciam em diversos auditórios da cidade. Na Rádio Cultura, quando ainda funcionava na avenida São João, entre 1955 e 1959, fez sucesso um desses programas ao vivo.

Hiroshi Utsumi lembra que, junto com Yoshinobu Omura, animavam os programas de auditório, geralmente realizados no Cine Jóia, Cine Nippon ou Cine Odeon, que tinham entre os seus convidados, o escritor Massao Daigo ao piano e o maestro Masaichi Shimada ao acordeão.

Os locutores, na maioria, eram amadores e atuavam como free lances. Destacou-se Kei Kikuchi, que estudou música no famoso Conservatório Carlos Gomes e, além de locutor, escrevia radionovelas e a pauta do programa.

Yuichi Iwane, em 1947, uma vez por semana apresentava um programa em Araçatuba. Em 1950 mudou-se para São Paulo e continuou pela Rádio Piratininga.

Em 24 de junho de 1966, com o governo militar, as transmissões de rádio em língua estrangeira foram proibidas, permitindo somente músicas e notícias curtas. Decreto que levou ao desaparecimento dos programas japoneses.


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes para os textos são: Cronologia da Imigração Japonesa no Brasil, Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, 1996, tradução de Katsunori Wakisaka e Coronia Gueinoshi, vários autores, edição da Comissão de Publicação do Coronia Gueinoshi, 1986, São Paulo. Fotos do livro Coronia Gueinoshi.
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