
Nambei: primeira iniciativa, em 1916 |

Página Um, suplemento da década de 80 |

Notícias do Japão, nos anos 90
(antigo Jornal Nippo-Brasil) |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
No Brasil,
a primeira iniciativa jornalística dos imigrantes japoneses foi
de Ken-ichiro Hoshina, em janeiro de 1916, com o Nambei, uma publicação
que tinha como alvo a comercialização de terras na região
de Presidente Prudente. Em agosto desse mesmo ano, foi lançado
o Nippak Shinbum; em 1917, pareceu o Brasil Jihô e, em 1921, o Seishu
Shimpo.
Esse é
o começo de uma história que alcança seu auge nos
anos 30, aumentando a quantidade de veículos de comunicação
na proporção da chegada de novos imigrantes japoneses ao
País. Era uma época de efervescência política
e de fortalecimento do militarismo, o que estimulava a busca de novas
informações tanto da terra natal, como do Brasil
e da comunidade nipo-brasileira.
Com a Segunda
Guerra (em 29 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações
diplomáticas com o Eixo), a década de 40 iniciou-se com
uma série de restrições impostas pelo governo militar
de Getúlio Vargas, resultando, primeiramente, na censura e, depois,
na proibição de circulação dos jornais escritos
em japonês. Esse fato criou, entre os imigrantes japoneses, um
vazio na informação, apontado como uma das causas
de uma série de conflitos pós-guerra.
Surgimento
da imprensa nissei
Em 1946, com
a promulgação da nova Constituição, novamente
a imprensa de língua estrangeira voltou a ser permitida: o São
Paulo Shinbum nasceu em 12 de outubro de 1946; o Jornal Paulista, em 1º
de janeiro de 1947; e o Diário Nippak, exatamente um ano depois.
Esses dois últimos nasceram com a proposta explícita de
informar a verdade sobre o fim da guerra, conforme ressaltam os estudiosos.
É importante observar que inúmeros jornais e revistas surgiram
nessa época, mas foram esses três que se consolidaram no
mercado editorial nipo-brasileiro.
A concorrência
entre os três veículos prosseguiu até 1998, quando
o Jornal Paulista e o Diário Nippak se juntaram, criando o Jornal
Nikkey. Uma ação que refletiu os novos tempos: à
medida que vão desaparecendo os imigrantes isseis, aumentam os
nisseis e sanseis que não lêem o japonês. Um contraste:
essa mudança se dá exatamente no momento em que cresce,
no País e no mundo, o interesse pela cultura japonesa.
Não
se pode confundir os dois mundos do Brasil: o dos isseis (primeira
geração de japoneses constituída por idosos e uma
pequena parcela de jovens) e o dos nisseis, sanseis e outras gerações
de jovens descendentes.
Na primeira
geração, os jornais representaram a liderança da
opinião pública. Contribuíram para a formação
do consenso da comunidade, cujas páginas, em muitos momentos, transformavam-se
numa autêntica batalha entre campos antagônicos.
Também é importante reconhecer: Às vezes, veiculavam-se
informações tendenciosas ou eivadas de parcialidade, ou
ainda notícias erradas ou precipitadas, escrevem Tetsuo Nakasumi
e José Yamashiro, no livro Uma Epopéia Moderna 80
Anos da Imigração Japonesa no Brasil.
Mas eles reconhecem:
Os grandes empreendimentos e movimentos coletivos tiveram seus planos
e motivos divulgados e discutidos, formando, assim, uma tendência
favorável às iniciativas de interesse coletivo, a
despeito de se constituírem em empresas privadas.
Esses jornais
da colônia não conseguem exercer a mesma influência
a partir da geração nissei, principalmente na nova geração
de descendentes de japoneses. Essa imprensa nissei, inteiramente
em português, busca outro universo os envolvidos com o movimento
dekassegui (quem ficou no Brasil e quem partiu para o Japão), os
interessados em cultura japonesa (que raramente sabem ler japonês)
e os interessados nos acontecimentos da comunidade e nos fatos do Japão.
Assim, na década
de 80, tivemos o suplemento Página Um, editado pelo Diário
Nippak, o Japão Agora (pelo Jornal Paulista) e o Portal, publicação
da Editora Oriento. Na década de 90, citamos o Utiná Press
(focado na comunidade descendente de Okinawa) e o semanário Notícias
do Japão, cujo nome foi mudado para Jornal Nippo-Brasil, além
da revista mensal Made in Japan.
Outras
mídias
Na década
de 80, havia os programas televisivos Japan Pop Show e Imagens do Japão,
com atrações variadas (noticiários do Japão,
da comunidade nipo-brasileira, concursos de miss e karaokê). Havia
ainda o Programa Rádio Nikkey (que continua com as transmissões),
com destaque para músicas japonesas.
|