
Cultivo de minirrosas em Atibaia, região que concentra grande
número de floricultores nipo-brasileiros
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
Transformado
em atividade comercial a partir dos anos 50, o cultivo de flores registrou
constante crescimento, e os imigrantes japoneses e seus descendentes foram
importantes produtores.
Dados estatísticos
atuais revelam que o setor da floricultura tem crescimento anual de 20%,
cerca de 4 mil produtores, e movimenta aproximadamente US$ 1,2 bilhões
por ano. Ainda sobre os números estima-se que, em 10 mil
os pontos-de-vendas, 400 atacadistas e uma dezena de centros atacadistas.
Em 20º lugar no mercado internacional de exportação
de plantas ornamentais, Brasil destina sua produção para
o Mercosul, os Estados Unidos, a União Européia e o Japão.
O desenvolvimento
do cultivo de flores no País tem como protagonistas os imigrantes,
principalmente japoneses e holandeses. O seu ponto de partida é
a década de 50, quando o crescimento das cidades criou o mercado
consumidor. Até então, o cultivo de flores era feito nos
jardins e quintais das residências, não só pela função
paisagística, como também eventualmente era usada na decoração
de ambientes. A compra de flores estava restrita a eventos especiais,
Dia de Finados, por exemplo.
A atividade
específica de cultivo de flores foi iniciada, no Brasil, nos anos
50, com os imigrantes portugueses sediados no município de Guarulhos.
Quem escreve é Oscar Augusto Risch, do Departamento de Engenharia
Florestal da Universidade Federal do Paraná, em seu artigo, O
Mercado de Plantas Ornamentais do Brasil.
Na seqüência,
na década de 60 entraram os imigrantes japoneses que, como os portugueses,
estavam localizados no chamado cinturão verde da cidade
de São Paulo, continua o texto. Em 1969, o mercado de flores
estruturou-se na Ceagesp (Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais
de São Paulo), como o primeiro entreposto de comercialização
de flores e plantas ornamentais do Brasil.
Em 1972, a
criação da Cooperativa Agropecuária Holambra, no
interior, por imigrantes holandeses, contribuiu para o crescimento da
cadeia produtiva e profissionalização do setor, culminando
com o sistema Veiling Holambra, em 1989, o primeiro leilão de flores
e plantas ornamentais do Brasil.
Atualmente,
o Estado de São Paulo responde por cerca de 60% da produção
brasileira, concentrando-se em 20 municípios reunidos em seis pólos
produtores: Holambra (Holambra, Santo Antônio da Posse, Mogi Mirim
e Arthur Nogueira), Atibaia (Atibaia, Bragança Paulista, Mairinque
e Piracaia), Campinas (Campinas, Indaiatuba, Monte Mor, Hortolândia
e Limeira), Dutra (Arujá, Mogi das Cruzes e Salesópolis),
Paranapanema (Holambra II) e Vale do Ribeira (Registro, Pariquera-Açu
e Iguape).
Em outros Estados,
os núcleos de produção estão relacionados
às regiões onde existiam colônias de imigrantes japoneses
e europeus que trouxeram, de seus países de origem, espécies
e algumas técnicas de produção, como é o caso
de Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Espírito
Santo e Pernambuco.
A
contribuição dos imigrantes japoneses
Hideharu Sakata
e Katsunori Wakisaka, no capítulo Papel desempenhado na agricultura
brasileira, da obra Uma Epopéia Moderna 80 Anos da
Imigração Japonesa no Brasil, publicada em 1992, pela Editora
Hucitec e a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, ressaltam o papel
desempenhado por dois imigrantes japoneses.
Trata-se de
Hatsuo Ishibashi, de Suzano, que, em 1952, importou da Holanda bulbos
de gladíolos e, depois de cinco anos de cultura experimental, conseguiu
adaptá-los ao clima brasileiro e contribuiu para a difusão
dessa cultura. Foi ele também que trouxe uma série de mudas
do Japão e tratou de multiplicá-las e distribuí-las
pelo País, como rosas, azaléias, camélias, pinheiros,
cedros-japoneses, ginkgo biloba, bambus, entre outras.
Em 1954, registra-se
a contribuição de Haruju Matsuoka, de Atibaia, que importou,
do Uruguai, cravos e crisântemos, multiplicou essas mudas e deu
assistência técnica aos interessados em seu cultivo. Nesse
setor, Ishibashi também foi responsável pela introdução
de novas variedades.
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