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  Históra da Imigração Japonesa
A aventura da família Hakkodan continua
De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
Vida de imigrante e o tempo para poesias e romances
A vez das mulheres nos programas de TV
Pelo rádio, as vozes de um Japão distante
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E o japonês virou língua estrangeira
O cultivo de flores e os imigrantes japoneses
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
As galinhas de ovos brancos
Pimenta-do-reino e chá na colonização
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A contribuição dos japoneses na agricultura
Imigrantes nas indústrias
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Colaboração entre japoneses da mesma origem
Andanças pelo Brasil em busca de novos horizontes
Na década de 50, o reinício da imigração
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Tentativas para apaziguar os nipo-brasileiros
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Uma explosão de sentimentos
Uma época para ser apagada da memória
Sob a proteção da bandeira do sol nascente
O maior problema era ser de japonês
Vivendo no país do inimigo
Tempos marcados pela guerra e pela repressão aos imigrantes
Muitas mudanças para os imigrantes japoneses
O senso estético de uma vida provisória
Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
Solidariedade, uma marca dos imigrantes
Ano-novo, dia de festa nas colônias japonesas
Das cinzas brotavam as associações de japoneses
Novas energias para suportar momentos de sacrifícios
Aqui, do outro lado mundo
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 2
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 1
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 2
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 1
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
Como a história mostra, a participação dos japoneses vai além do cultivo do café, do algodão e das verduras

Casulos: incremento da produção em
Bastos na época da Segunda Guerra

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Ninguém soube explicar para que serviam aqueles apetrechos estranhos e, por isso foram confiscados. Essa história foi registrada na chegada dos primeiros imigrantes ao Brasil, em 1908. Eram materiais usados para criação do bicho-da-seda.

A história da sericicultura entre os imigrantes japoneses é muito especial. Depois daquela tentativa frustrada do passageiro do Kasato Maru, em 1912, Ikutaro Aoyagui, fundador da Colônia de Iguape, que garantiu o fornecimento de pés de amoreiras (o alimento do bicho-da-seda) e, em 1916, trouxe ovos de bicho-da-seda para a região, mas sua criação não obteve bons resultados. Em 1919, registra-se a tentativa da colônia de Garça (SP), por meio de Toyozo Ono e seus companheiros. Em 1922, o governo paulista fundou a Seda Nacional S.A, interessado em divulgar essa atividade. Mas foi somente em 1938, por meio da Bratac (Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda), que a criação do bicho-da-seda teve impulso efetivo.

A Bratac, como administradora dos núcleos coloniais da Bastos, Tietê e Aliança, procurava incentivar o estabelecimento de uma atividade subsidiária. Por conta disso, em Bastos e Tietê, chegou a montar fiações de seda, embora de pequenas proporções. A partir de 1938, ela passou a importar e a melhorar o bicho-da-seda do Japão, bem como as máquinas de fiação automática para elevar a qualidade da nossa seda.

Até a década de 40, cerca de 90% da seda consumida pelas tecelagens brasileiras era importada da Itália e do Japão. Com o advento da Segunda Guerra e as dificuldades do comércio externo, o governo incentivou a produção interna e, em Bastos, foram abertas várias empresas para atender às necessidades de incremento da produção de casulos.

Altos e baixos

A Fiação de Seda Bratac (emancipada da organização Bratac em 1941, em decorrência das restrições impostas pelas leis brasileiras) ampliou suas instalações, foi fundada uma cooperativa de sericicultura e a Cooperativa Agrícola de Bastos abriu uma seção de casulos. Enfim, Bastos se tornou o centro fornecedor de óvulos de sirgo (do qual se cria até obter o casulo) para as regiões da Alta Paulista, Sorocabana, Noroeste, Mogiana e também do Estado do Paraná. Em 1945, na cidade, funcionavam sete fábricas de fiação de seda.

A criação do bicho-da-seda, até hoje uma alternativa de criação familiar, é uma opção econômica desde os tempos da guerra. Com a retomada da produção pela Itália e Japão, as exportações brasileiras entraram em colapso. Para piorar, a invenção das fibras sintéticas ajudou a retrair o consumo da seda.

Com os anos, houve certa recuperação e, na década de 70, o Estado de São Paulo transformou-se no maior produtor de casulos. A produção estava concentrada nos municípios de Bauru, Duartina, Bastos, Gália, Marília, Lins, Charqueada e São José do Rio Preto. Depois, essa atividade sofreu declínio e foi superada pelo Paraná que, atualmente, responde por cerca de 89% da produção nacional de casulos.

 

Pós-guerra: os imigrantes sericicultores

Com o fim da Segunda Guerra, para muitas indústrias de fiação de seda representou a falência devido a recuperação dos tradicionais centros produtores do Japão e da Itália.

Sem condições de competir com a alta qualidade desses produtos, em março de 1952 fundou-se a Sociedade Paulista de Sericicultura (90% eram de agricultores japoneses), cuja proposta previa o aperfeiçoamento da qualidade do fio de seda através da imigração de sericicultores do Japão, portadores de técnica avançada. Ela foi aprovada, em 1953, pelo Conselho Nacional de Imigração e Colonização, possibilitando a introdução de 200 famílias de imigrantes sericicultores japoneses como lavradores empregados.

A partir de 1954, começaram a chegar as primeiras famílias. Encerrada essa cota (imigraram 1.251 pessoas), a Sociedade pediu e conseguiu a aprovação de mais 500 famílias. No entanto, só vieram mais 63 famílias - na década de 60, com a recuperação econômica do Japão, a maioria preferiu permanecer em seu próprio país.


NOTA DA REDAÇÃO
Esta página é produzida pelo Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. As fontes utilizadas nesta matéria foram: “Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil” – capítulo 5 (Período Pós-Guerra) e capítulo 1 da parte II - , Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992 e “Bastos: Uma Comunidade Étnica Japonesa no Brasil” de Chiyoko Mita, tese de doutoramento apresentada ao Depto de Ciências Sociais – FFLCH/USP, em 1986.
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