
Casulos: incremento da produção em
Bastos na época da Segunda Guerra |
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
Ninguém
soube explicar para que serviam aqueles apetrechos estranhos e, por isso
foram confiscados. Essa história foi registrada na chegada dos
primeiros imigrantes ao Brasil, em 1908. Eram materiais usados para criação
do bicho-da-seda.
A história
da sericicultura entre os imigrantes japoneses é muito especial.
Depois daquela tentativa frustrada do passageiro do Kasato Maru, em 1912,
Ikutaro Aoyagui, fundador da Colônia de Iguape, que garantiu o fornecimento
de pés de amoreiras (o alimento do bicho-da-seda) e, em 1916, trouxe
ovos de bicho-da-seda para a região, mas sua criação
não obteve bons resultados. Em 1919, registra-se a tentativa da
colônia de Garça (SP), por meio de Toyozo Ono e seus companheiros.
Em 1922, o governo paulista fundou a Seda Nacional S.A, interessado em
divulgar essa atividade. Mas foi somente em 1938, por meio da Bratac (Sociedade
Colonizadora do Brasil Ltda), que a criação do bicho-da-seda
teve impulso efetivo.
A Bratac, como
administradora dos núcleos coloniais da Bastos, Tietê e Aliança,
procurava incentivar o estabelecimento de uma atividade subsidiária.
Por conta disso, em Bastos e Tietê, chegou a montar fiações
de seda, embora de pequenas proporções. A partir de 1938,
ela passou a importar e a melhorar o bicho-da-seda do Japão, bem
como as máquinas de fiação automática para
elevar a qualidade da nossa seda.
Até
a década de 40, cerca de 90% da seda consumida pelas tecelagens
brasileiras era importada da Itália e do Japão. Com o advento
da Segunda Guerra e as dificuldades do comércio externo, o governo
incentivou a produção interna e, em Bastos, foram abertas
várias empresas para atender às necessidades de incremento
da produção de casulos.
Altos
e baixos
A Fiação
de Seda Bratac (emancipada da organização Bratac em 1941,
em decorrência das restrições impostas pelas leis
brasileiras) ampliou suas instalações, foi fundada uma cooperativa
de sericicultura e a Cooperativa Agrícola de Bastos abriu uma seção
de casulos. Enfim, Bastos se tornou o centro fornecedor de óvulos
de sirgo (do qual se cria até obter o casulo) para as regiões
da Alta Paulista, Sorocabana, Noroeste, Mogiana e também do Estado
do Paraná. Em 1945, na cidade, funcionavam sete fábricas
de fiação de seda.
A criação
do bicho-da-seda, até hoje uma alternativa de criação
familiar, é uma opção econômica desde os tempos
da guerra. Com a retomada da produção pela Itália
e Japão, as exportações brasileiras entraram em colapso.
Para piorar, a invenção das fibras sintéticas ajudou
a retrair o consumo da seda.
Com os anos,
houve certa recuperação e, na década de 70, o Estado
de São Paulo transformou-se no maior produtor de casulos. A produção
estava concentrada nos municípios de Bauru, Duartina, Bastos, Gália,
Marília, Lins, Charqueada e São José do Rio Preto.
Depois, essa atividade sofreu declínio e foi superada pelo Paraná
que, atualmente, responde por cerca de 89% da produção nacional
de casulos.
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Pós-guerra:
os imigrantes sericicultores
Com o fim da
Segunda Guerra, para muitas indústrias de fiação
de seda representou a falência devido a recuperação
dos tradicionais centros produtores do Japão e da Itália.
Sem condições
de competir com a alta qualidade desses produtos, em março de 1952
fundou-se a Sociedade Paulista de Sericicultura (90% eram de agricultores
japoneses), cuja proposta previa o aperfeiçoamento da qualidade
do fio de seda através da imigração de sericicultores
do Japão, portadores de técnica avançada. Ela foi
aprovada, em 1953, pelo Conselho Nacional de Imigração e
Colonização, possibilitando a introdução de
200 famílias de imigrantes sericicultores japoneses como lavradores
empregados.
A partir de
1954, começaram a chegar as primeiras famílias. Encerrada
essa cota (imigraram 1.251 pessoas), a Sociedade pediu e conseguiu a aprovação
de mais 500 famílias. No entanto, só vieram mais 63 famílias
- na década de 60, com a recuperação econômica
do Japão, a maioria preferiu permanecer em seu próprio país.
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