
Cooperativa Agrícola de Cotia, em 1937: aves-matrizes recém-chegadas
do Japão
|
| |
|
Por
volta de 1925/26, os imigrantes de japoneses que se mudaram para
Juquerí, Cotia, Suzano, etc. começaram a criar galinhas,
a fim de obter esterco para a fertilização do solo
|
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
Até
então, criava-se a chamada galinha caipira, de cores
vermelha, preta ou carijó, que botava ovos avermelhados. Mudar
a preferência do consumidor não foi fácil quando,
em 1928, apareceram no mercado os ovos brancos de galinha Leghorn.
Essa é
uma das passagens da história da Cooperativa Agrícola de
Cotia (CAC), uma das responsáveis pelo desenvolvimento da avicultura
no Brasil. E continua: além do mais, era costume, na época
[até os anos 30], as famílias criarem galinhas em seus quintais
para consumo próprio, sendo muito reduzida a venda de ovos nas
feiras e nas quitandas.
Por volta de
1925/26, os imigrantes de japoneses que se mudaram para as redondezas
da cidade de São Paulo (Juquerí, Cotia, Suzano, etc.) passaram
a se dedicar ao cultivo de batata, tomate e verduras e começaram
a criar galinhas, a fim de obter esterco para a fertilização
do solo.
Os
pioneiros
Em 1926, Shigeaki
Tanake e Motoichi Shigeno, de Mogi das Cruzes, Iwao Nagashima e Keiichi
Matsumoto, de Itaquera, compraram matrizes na Granja Mange (de Itaquaquecetuba)
para iniciar sua criação. Essa Granja havia introduzido
300 matrizes de Leghorn branca da França. E foram esses quatro
imigrantes os pioneiros na comercialização de ovos.
Dessa primeira
fase, merece destaque a Feira da Agricultura de 1932, promovida pela Cotia
para comemorar seu 5º aniversário, ao expor cem galinhas Leghorn
brancas de alta linhagem e despertando o interesse dos agricultores pela
avicultura. Destaque também para Keni-ichi Nakagawa, da vila de
Cotia, que iniciou a criação para produção
de esterco, mas logo transformou a avicultura em atividade principal.
Dedicado pesquisador, em 1934/35, conseguiu criar duas aves poedeiras
fenomenais em produtividade uma de 302 e outra de 300 ovos/ano.
Expansão
Nessa época,
a venda de ovos da CAC era feita em banca especial nos postos de comercialização
de verduras, em embalagem de 3 a 4 ovos.
Em dez anos,
os ovos brancos estavam incorporados à alimentação
dos brasileiros e definitivamente incorporados à lista de compras
a cidade crescia, e seus espaços valorizavam, reduzindo-se
os quintais onde eram criadas as galinhas. Por volta de 1935, embora crescesse
o interesse na criação de aves, os conhecimentos técnicos
ainda eram escassos.
Nessa ocasião,
através do Departamento de Assistência Industrial do Consulado
Geral do Japão, a Associação Central de Aves Domésticas
enviou três espécies de aves-matrizes do Japão, sendo
que 15 Leghorn foram entregues à CAC, e Yoshiji Kodato foi designado
para criá-las.
Um grupo de
avicultores cooperados (Ken-ichi Nakagawa, Tanabe Shigueaki e Kodato Yoshiji)
formou a Associação KTK (iniciais dos três pioneiros)
e passaram a promover uma série de eventos e cursos destinados
ao aprimoramento técnico da avicultura entre os seus associados
e a fornecer matéria-prima aos criadores. Depois do curso, ao retornarem
aos seus bairros, cada qual levava 200 pintinhos para iniciar a sua criação.
E foi dessa forma que a avicultura chegou até as regiões
situadas ao longo das ferrovias da noroeste e alta paulista. Assim, pouco
a pouco, o ovo caipira cedeu lugar ao ovo branco.
Maior
granja avícola da América do Sul
Comunidade
Yuba, localizada em Aliança, proximidade da cidade de Mirandópolis-SP,
muito antes de ser reconhecida por seus valores artísticos e seu
balé ganhar fama, já ostentou outro título. Isamu
Yuba, juntamente com alguns companheiros, em 1935, com a finalidade de
criar uma nova cultural, adquiriu 40 alqueires de terra em
Formosa e montou uma fazenda comunitária. Dez anos depois, criava
220 mil aves poedeiras e tornava-se a maior granja avícola da América
do Sul. Em 1948 com a ampliação das atividades, montou armazém
para seleção e empacotamento de ovos e também uma
casa para produção de ração. Junto dessas
instalações, mandou construir um palco para ensaios e apresentações
artísticas. Em 1956, a comunidade foi à falência.
|