
Plantação de chá em Registro |

Pimentais em fase de produção, em Tomé-Açu |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
Tempos heróicos
aqueles que buscavam progresso em terras além-mar. Pimenta-do-reino,
chá, soja e arroz foram alguns dos aliados no cotidiano dos imigrantes
japoneses, como alimento ou fonte de renda.
A história
da pimenta-do-reino na trajetória dos imigrantes japoneses da região
norte do País, possui lances de verdadeira epopéia. Há
registros de seu cultivo no Brasil desde o século XVII, mas os
japoneses foram responsáveis pela produção em escala
comercial.
A epopéia
começa em 1929, quando a Nambei Takushoku Kaisha criou a Companhia
Nipônica de Plantação do Brasil e iniciou a construção
da colônia Acará (depois chamada Tomé-Açu).
A cultura principal era o cacau e, culturas como da pimenta-do-reino e
arroz eram complementares.
Em 1935, após
tentativas frustradas com o cacau, foi decidido o fechamento da estação
experimental de Açaizal. Quis o destino que Fukutaro Obana, encarregado
dessa missão, encontrasse, num dos cantos da estação,
três pés de pimenta-do-reino remanescentes das 20 que Makinosuke
Usui trouxera, em 1933, de Cingapura. Os pés foram dados para Tomoji
Kato e Enji Saito que, tratadas, se transformaram em mudas e distribuídas
aos compatriotas. Em 1945, tinham se multiplicado para cerca de 800 pés.
Com o término
da Segunda Guerra, a pimenta-do-reino transformou-se no diamante
negro da Amazônia em 1945, custava 30 cruzeiros o quilo,
e, no ano seguinte, saltava para 85 cruzeiros. Isso em conseqüência
da destruição dos centros produtores, como Índia,
Indonésia, Malásia, etc. Em 1954, as plantações
em Tomé-Açu totalizavam 332 mil pés.
Mas, em 1955,
a recuperação dos centros produtores do Sudeste Asiático
provocou retração no mercado. Nos anos 70, mais dificuldades:
a intensa plantação na região de Tomé-Açu
provocou o aparecimento de doenças nos pimentais.
Alguns produtores
seguiram para outras regiões da Amazônia em busca de locais
apropriados. Outros resolveram desenvolver outras culturas, enquanto formavam
e transplantavam novas mudas de pimenta-do-reino.
Chá
verde e chá preto
O primeiro
registro de plantação de chá por imigrantes foi da
esposa de Kisaku Hagihara, de Suzano, nos anos 20.
Em 1922, Torazo
Okamoto, que chegara a Registro três anos antes, plantou as sementes
do chá chinês, visando ao consumidor japonês (chá
verde). Nos anos 30, iniciou a produção do chá preto
voltado ao paladar brasileiro.
A história
começou mudar em 1934, quando Okamoto retornava do Japão.
Em Sri Lanka, depois de muito custo, conseguiu sementes de chá
da variedade assam, durante visita a uma fábrica. Já durante
a viagem, no navio, conseguiu fazer brotar essas sementes desceu
no porto de Santos com 65 mudas. Elas foram as matrizes para implantar,
em Registro, uma agroindústria de sucesso. Durante a Segunda Guerra,
o município chegou a ter 42 fábricas de chá de pequeno
porte.
Soja
Em 1882, a
soja era cultivada na Bahia como ração verde para gado.
Depois, os imigrantes norte-europeus tentaram implantá-la no Rio
de Grande do Sul.
Os imigrantes
japoneses trouxeram as sementes de soja na bagagem. Eram cultivadas para
consumo próprio para fazer missô, natto, tofu, entre
outros produtos típicos. O fato é que essa soja foi usada
para pesquisa de melhoramentos no Instituto Agronômico de Campinas.
Assim, a partir dos anos 40, de ração verde, passou a ser
utilizada como oleaginosa e fonte protéica para ração
animal.
Coube ao pesquisador
Shiro Miyasaka (do Instituto), desenvolver variedades de excelentes qualidades,
indicando as mais adequadas para cada Estado, incluindo as da região
do cerrado.
Na década
de 70, Toshiwo Doko, animado com a importância da soja na agricultura
brasileira, patrocinou pesquisas na área, resultando na variedade
doko, bastante cultivada no cerrado.
Arroz
Os primeiros
registros de seu cultivo remontam à margem do Rio Grande, na divisa
entre São Paulo e Minas Gerais. Mas pode-se falar que, ao longo
da história, jamais deixaram de manter seu próprio arrozal.
Destaque para a introdução do tipo de arroz mochigome e
de outras variedades tipicamente japonesas.
Café
Também
é importante citar a contribuição de Kiyoshi Yamamoto
para a cafeicultura. Engenheiro agrônomo e administrador da Fazenda
Tozan, em Campinas, no período de 30/40, estudou o combate da broca
do café através de seu inimigo natural, a vespa uganda.
Um trabalho prático e acadêmico que lhe valeu título
de doutor em agronomia pela Universidade de Tóquio.
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