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Imigrantes
no cultivo das fibras naturais
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O rami, o junco e a juta são produtos
de destaque no desenvolvimento da agricultura nos anos 30, com importante
colaboração dos japoneses
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
Com o advento
das fibras sintéticas e a concorrência dos importados, o
rami e a juta estão perdendo sua importância na economia
do país.
A Carambeí
Indústria Têxtil, maior empresa consumidora de rami para
tecidos, reduziu a produção para 33% da capacidade instalada.
A Itimura Têxtil, que produzia sacarias de algodão e rami,
fechou sua unidade industrial para dedicar-se ao plantio de rami. A Toyo
Sen-I do Brasil, de capital japonês, reduziu o processamento de
rami bruto de 500 para 100 toneladas mensais. Em 2004, o Jornal do Commercio
de Manaus noticiou a intervenção do governo federal que
comprou fibras de juta e malva no Estado do Amazonas como forma de incrementar
o setor.
Essas duas
culturas, que hoje amargam o reflexo das mudanças do mercado consumidor,
devem seu desenvolvimento aos imigrantes japoneses. Crédito também
extensivo ao junco, que encontrou condições favoráveis
na região do Vale do Ribeira.
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| Rami:
ração |

Em Uraí: momento do desfibramento do rami, um serviço
pesado e perigoso
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Antigamente, o
rami era cultivado em Santa Catarina como ração para gado.
Atualmente, devido às fibras longas, é utilizado para fabricação
de tecidos, cordas e barbantes.
Coube a Seiki
Murakami, em 1938, melhorar a variedade trazida da estação
experimental da província de Miyazaki e divulgá-la no Estado
de São Paulo. Nesse ano, Heikichi Matsui introduziu mudas da Malásia,
plantando na estação experimental da Kaikô em Inhaúmas
e em glebas de Uraí no Estado do Paraná. A qualidade da
produção possibilitou a plantação em escala
comercial e a importação, do Japão, de máquinas
de desfibramento (para separar as cascas das hastes). Em 1941, a Cia.
de Aniagem de Tóquio chegou a adquirir 726 hectares, em Uraí,
para a plantação de rami.
No entanto,
a produção ocorreu somente depois da Segunda Guerra. Em
1946, ficaram prontas as instalações da Cia. Brasileira
de Rami (Cibram). E, em 1959, em Uraí, começaram a funcionar
as máquinas de industrialização pertencentes a Itimura,
conhecido como rei do rami.
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| Juta
nacional |

Plantação de juta na Amazônia, plantas
prontas para serem colhidas
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Até os
anos 30, o Brasil dependia exclusivamente da importação de
juta da Índia para a confecção das sacarias para embalagem
dos grãos de café. Não é à toa que os
governantes acompanhavam com ansiedade as tentativas dos imigrantes para
produzir a juta nacional.
Em 1930, Kotaro
Tsuji, professor da Escola Superior de Comércio de Kobe, ao passar
por São Paulo a caminho de visita à região Amazônica,
obteve dois quilos de semente de juta junto à Secretaria da Agricultura.
Mesmo contando com a colaboração dos imigrantes locais e
dos alunos da Escola Superior de Colonização (dirigida por
Tsukasa Uetsuka), Tsuji não obteve sucesso (a planta não
atingia a altura ideal).
Três
anos depois, chegava Ryota Oyama. Em meio à plantação,
notou que dois pés cresciam vigorosos e, pacientemente, dedicou-se
à sua multiplicação. Conseguiu dez grãos de
semente, que foram multiplicados até que, em 1947, conseguiu 8.941
quilos de juta. Essa variedade, designada Oyama, foi difundida
e plantada na região e chegou a representar 30% da economia do
Estado do Paraná.
De 1941 a 1966,
a juta Oyama foi melhorada pelos órgãos de pesquisa
do Brasil. A produção, que em 1948 era de menos de 7 mil
toneladas, em 1965 chegou a ultrapassar 60 mil toneladas.
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| Junco
nos móveis e esteiras |

Tear para produzir esteira de junco: em exposição
no Museu da Imigração Japonesa
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Planta flexível
e resistente, o junco chegou em 1931, com o imigrante Shigeru Yoshimura,
da província de Okayama, que foi morar em Registro (SP).
As mudas transformaram-se
em touceiras e conseguiram sobreviver às enchentes do Rio Ribeira
e, rapidamente, adaptaram-se ao local. Enquanto no Japão o junco
era cortado uma vez ao ano, em Registro podia ser colhido três vezes.
Em 1934, foi
importado, através da Kaikô, um tear japonês para dar
início à produção comercial de esteiras. Até
1963, a comercialização dava-se através da Cooperativa
Agrícola de Cotia. A partir disso, por ser considerada produção
industrial, a venda pela CAC foi proibida. Fundou-se, então,
uma cooperativa de industrialização e vendas com 30 produtores
locais.
Hoje, por conta
do interesse na cultura japonesa, os produtores de junco extrapolaram
a esfera do artigo típico regional para atender à
crescente demanda do público para tatame, esteiras, móveis,
sandálias, decoração, etc.
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NOTA DA REDAÇÃO
Esta página é produzida pelo Museu Histórico da Imigração
Japonesa no Brasil. As fontes utilizadas nesta matéria foram: Capítulo
1 Papel desempenhado na agricultura brasileira, de Hideharu
Sakata e Katsunori Wakisaka, na parte II Contribuições
dos Imigrantes Japoneses no Brasil, do livro Uma Epopéia
Moderna 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil,
Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992. |
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