
Expansão: lavradores espalham-se por várias regiões
do Brasil na década de 30.
|

Maçã Fuji, introduzida na década de 80
|
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
No Brasil,
pelos idos de 1900, os produtos agrícolas cultivados não
passavam de 20. A chegada dos imigrantes contribuiu para enriquecer e
tornar variada a nossa agricultura. Os japoneses e os italianos foram
os que mais contribuíram para isso.
A grande
contribuição dos agricultores japoneses foi na diversificação
das culturas, cujos esforços se intensificaram a partir da década
de 30, escrevem Hideharu Sakata e Katsunori Wakisaka. Eles destacam
também a expansão dos lavradores por várias regiões
do Brasil e, a partir da década de 70, a contribuição
para a modernização da atividade agrícola.
Tomando como
referência a diversificação das culturas, os autores
destacam alguns produtos de importância no mercado brasileiro ligados
aos japoneses.
No setor da
fruticultura, o abacate teve a contribuição de Taizo Ito
(de Itapetininga), que fez a seleção da variedade Coringa,
fruto grande e de excelente qualidade. Em 1972, a Cooperativa Agrícola
de Cotia introduziu frutos pequenos e, no Paraná, os Makiyama fizeram
a seleção de uma variedade adaptada às regiões
mais frias.
O abacaxi deve
a Toyokichi Imai a produção e a divulgação
da variedade sem espinho e adequada para grandes cultivos e industrialização.
O caqui, originário do Japão e fruta obrigatória
em terrenos dos imigrantes japoneses, chegou por volta de 1890, trazido
por Pereira Barreto, da França, primeiro em semente e depois em
muda. Calcula-se que, no Brasil, existam cerca de 200 variedades, sendo
que as de caqui doce foram introduzidas pelos japoneses.
A goiaba deve
a Sakuzo Sawabe, a partir de 1939, o início de seu cultivo comercial
(adotando os mesmos cuidados dos pêssegos). E foram Shin-Ichi Ogawa
(Rio de Janeiro), Haruo Kumagai (Campinas) e Nishimori (Atibaia) alguns
dos introdutores de novas variedades.
O
mamão papaia chegou ao Pará em 1971, com a ajuda do sacerdote
da Tenrykyo, Akihiko Shirakibara, que trouxe sementes do mamão
havaiano como alternativa aos produtores de pimenta-do-reino atormentados
pelas pragas que dizimavam suas plantações.
O melão
deve a Onishi, de Presidente Prudente, e aos técnicos da CAC a
variedade Amarelo CAC, que fez do Brasil um dos maiores produtores
do mundo. O mercado da maçã, dominando pela Argentina, a
partir da década de 80 passou a ser ocupado pela variedade Fuji,
introduzida graças à orientação do Dr. Kenshi
Ushirozawa, enviado pela Jica (Japan International Cooperation Agency),
no Estado de Santa Catarina. A nêspera passou a ser cultivada em
escala comercial pelos imigrantes japoneses. Com o pêssego ocorreu
o mesmo, sendo que a maioria das variedades cultivadas teve origem nos
trabalhos de seleção dos irmãos Yoshioka, de Itaquera.
O poncã
deve sua reprodução a Kyujiro Kuwabara que, em 1929, enxertou
duas mudas que trouxera do Japão em limoeiro nativo. O morango
iniciou sua produção comercial com a seleção
de variedades feita por Keijiro Honda, em 1946, sendo cultivada pelos
japoneses estabelecidos em Itaquera. Posteriormente, a Escola Superior
de Agricultura Luiz de Queiroz (Piracicaba) e as cooperativas Cotia e
Sul-Brasil distribuíram mudas isenta de vírus.
A uva itália,
como o próprio nome diz, foi importada da Itália, mas foi
Susumu Usui, produtor de Ferraz de Vasconcelos, em 1940, que desenvolveu
a técnica no Brasil e se encarregou da divulgação.
Em 1973, Kotaro Okuyama (de Bandeirantes PR), introduziu a rubi
Okuyama, uma variante da uva itália que fica colorida ao
atingir o amadurecimento.
A melancia,
originária da África e trazida ao Brasil por imigrantes
americanos, deve a melhoria de sua qualidade aos imigrantes japoneses.
Estes introduziram em Bastos, depois da Segunda Guerra, a variedade Yamato,
que suplantou a Santa Bárbara, até então
predominante.
A castanha,
fruta de clima temperado, encontrou em Keiichi Matsumoto um dedicado pesquisador.
Em 1958, ao trazer uma variedade do Japão, plantou-a em sua chácara
em Itaquera e, com a colaboração de outros agricultores,
experimentou-a em várias localidades. Embora tenha obtido variedade
adequada, a produção não deslanchou seu consumo
concentra-se na época natalina, quando não há produção
no Brasil.
|