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(1) Polvilhadeira fabricada por Shunji Nishimura, da Jacto, a primeira
na década de 30; mudando para pulverizador com depósito
de cobre (2) e, recentemente, com reservatório de plástico
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
A imigração
japonesa ao Brasil foi eminentemente agrícola. Assim, sua presença
no setor comercial e industrial foi muito reduzida, principalmente antes
da Segunda Guerra. Na edição anterior, tratamos sobre os
comerciantes; nesta, enfocamos os industriais.
Voltados principalmente
para a agricultura, até a Segunda Guerra Mundial, a presença
dos imigrantes japoneses no setor industrial foi restrita. Levantamento
em antigas publicações dão conta de que, de 1920
a 1940, somente cerca de 3% deles estavam relacionados às industrias.
No levantamento de 1958, havia subido para 7,2% e, em 1988, para 15,81%.
Na primeira
fase, eram atividades diversas das atuais parecidas com as indústrias
caseiras e, em geral, voltada para a própria comunidade.
Entre elas, podemos citar: carpinteiros, serralheiros, fabricantes de
móveis, pequenas oficinas de conserto de máquinas, funileiros,
beneficiamento de arroz e de café, fabricantes de óleo,
shoyu, missô, cachaça e saquê, fabricantes de doces,
entre outros.
Com capital
e tecnologia
Tatsuo Okochi talvez tenha sido um dos poucos imigrantes japoneses
a aportar no Brasil com capital e tecnologia para montar uma indústria.
Químico agrícola formado pela Universidade de Hokkaido,
depois de pesquisar no Estados Unidos, sob a orientação
de Jôkichi Takamine, fundou, em 1925, associado a um brasileiro,
o Laboratório Okochi que, dois anos depois, lançou o famoso
remédio digestivo Takadiastase.
Crescendo
aos poucos
Há aqueles que, chegados na condição de imigrantes
agrícolas, passavam ao setor industrial à medida que acumulavam
recursos. Isso aconteceu com Shunji Nishimura, que emigrou em 1932 e,
depois de experimentar várias atividades, abriu uma oficina mecânica
na cidade de Pompéia (SP), em 1939. Distante dos centros urbanos,
Nishimura encontrou campo fértil para suas atividades, principalmente
durante a Segunda Guerra, com a proibição de importação
de máquinas. Graças a isso, pôde expandir suas atividades
e sua empresa, Máquinas Agrícolas Jacto, lançou bases
como fabricante de pulverizadores e polvilhadeiras.
Trajetória
semelhante ocorreu com outras indústrias, como Yadoya Indústria
e Comércio (fundição e fabricação de
furadeiras), Kato & Cia. Indústria Mecânica de Precisão
(peças de automóveis), Ishiki & Cia Máquinas
Santo André (lavanderias industriais), entre outras.
Outro ramo
de indústrias surgiu das atividades agrícolas e comerciais,
como a criação do bicho-da-seda, na década de 30,
com a Fiação Bratac nas colônias de Bastos, Tietê
(atual Pereira Barreto) e Aliança. Ou ainda com Torazo Okamoto,
na região de Registro, com a cultura e a produção
de chá, cuja fabricação data de 1929. Merece destaque
também a produção de fertilizantes agrícolas,
em cuja história estão empresas como Adubos Kanakao (depois,
Adubos Jaguaré), Fábrica Ikeda, Takenaka Indústria
e Comércio, entre outras.
A Indústria
Agrícola Tozan foi fundada em 1934, para produzir saquê;
a Sakura Nakaya Alimentos, em 1949, para fabricação de shoyu
e missô. E foi na década de 50, com a política governamental
de incentivo à indústria, que surgiram várias empresas
associadas ao capital japonês, como ocorreu em 1958, com a Sadokin
Elétrica e Eletrônica e a Papelok Indústria e Comércio
(produção de papéis).
Expansão
Na década de 60, os empreendimentos industriais ligados aos
imigrantes expandiram-se e diversificaram-se. Destaque para a Motorádio
Comercial e Industrial (fabricante de rádios), Nakata Indústria
e Comércio (fabricação de peças para veículos
e tratores) e Sansuy Indústria de Plásticos (para fins agrícolas,
silos e armazéns). Na área alimentícia, apareceram
a Indústria de Óleo Pacaembu e Óleos Menu Indústria
e Comércio.
A partir da
década de 80, com as mudanças na economia do país,
muitas das indústrias fundadas por imigrantes japoneses desapareceram
e/ou foram vendidas para outras maiores, incluindo, as multinacionais.
Outras, com a sucessão de novas gerações, foram modernizadas
para atender às necessidades do mercado.
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Estimulada
pela política de industrialização, em 1953, chegou
a primeira leva de 16 técnicos japoneses para uma tecelagem no
Rio de Janeiro. Em 1957, a Howa S.A. Indústrias Mecânicas
instalou uma fábrica de acessórios para máquinas
têxteis em Mogi das Cruzes e promoveu a vinda de imigrantes técnicos.
Nessa época,
a Jamic (organização governamental japonesa) passou a cuidar
da colocação dos interessados 13 empresas brasileiras
candidataram-se para receber 219 técnicos japoneses. No Japão,
Iwataro Uchiyama, ex-cônsul-geral em São Paulo, fundou um
centro de treinamento para imigrantes industriais. Durante 18 anos, treinou
e enviou 310 imigrantes que, colocados nas indústrias brasileiras,
se tornaram funcionários categorizados ou, posteriormente, estabeleceram-se
por conta própria.
A partir de
meados da década de 60, aumentaram as indústrias japonesas
no País e, portanto, mudou o perfil da mão-de-obra, instalando-se,
em 1966, um centro de preparação técnica em São
Paulo. A partir de 1985, a Associação dos Imigrantes Tecno-Industriais
do Brasil ficou incumbida dessas atividades (suspensas nos dias atuais).
Calcula-se que, no pós-guerra, cerca de 2 mil técnicos japoneses
emigraram ao Brasil.
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