
Casa
Hachiya, no Rio de Janeiro: a maior importadora de porcelanas antes
da guerra |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Antes mesmo
da chegada do navio Kasato Maru trazendo a primeira leva de imigrantes
japoneses ao Brasil, no centro da cidade de São Paulo, na Rua São
Bento, desde 1906 funcionava a Casa Fujisaki com o nome de O Japão
em São Paulo e vendia artigos japoneses. Devido aos problemas
da matriz em Sendai, a filial paulistana foi fechada em 1932.
Em 1910, a
Casa Hachiya, de Nagóia, abriu uma filial no Rio de Janeiro, dedicando-se
ao comércio de atacado de porcelanas e artigos importados. Pouco
antes da eclosão da Segunda Guerra, a empresa era responsável
por cerca de 80% das porcelanas importadas pelo Brasil.
Também
havia outros imigrantes que, embora dispusessem de capital, trabalhavam
temporariamente na agricultura e depois se estabeleceram no comércio.
Foi o caso de empresas como Casa Hase, Casa Endo, Casa Nakaya, Casa Kunii,
Casa Ito, entre outras. Estas, além de lojas na capital paulista,
enviavam seus representantes (os chamados viajantes) ao interior
para vender os produtos para as lojas de japoneses.
Nos tempos
pioneiros, havia os comerciantes cujos negócios foram montados
para atender às necessidades inerentes aos nipo-brasileiros. Como
exemplo, temos os estabelecimentos do bairro Pinheiros que atendiam os
lavradores da região sudoeste da cidade, tais como Taboão,
Campo Limpo e Cotia.
É conhecida
a presença no mercado de verduras e hortaliças, cujas primeiras
plantações foram iniciadas nos arredores de São Paulo,
em pequena escala, para atender à demanda de famílias japonesas.
O primeiro registro de horticultores japoneses é de 1911, no bairro
de Santana e Taipas, seguido depois pelos plantadores da região
de Morumbi, Mairiporã e Moinho Velho. Para eles, o principal produto
era a batata, seguindo-se depois a verdura.
Já em
relação aos comerciantes desse setor, registra-se que o
primeiro intermediário de verduras começou suas atividades
em 1928 e chamava-se Uhichi Imai e, em 1928, Ushi Taba foi a primeira
imigrante japonesa a montar banca no mercado de verduras da cidade. Além
do papel preponderante das cooperativas agrícolas, merece registro
o grande número de horticultores que passaram a comercializar suas
produções nas feiras livres e que, com o passar dos anos,
tornaram-se fornecedores do mercado atacadista.
Maquinistas
e tintureiros
Na zona rural,
a partir da década de 20, surgiram os imigrantes que atuavam na
intermediação de produtos agrícolas. Eles coletavam
as produções como arroz, café e algodão e
transportavam até o local das máquinas beneficiadoras. Depois,
alguns deles constituíram suas próprias empresas de beneficiamento,
os chamados maquinistas, como a Casa Hisato Fujiwara, Casa
Ueno e Casa Wada.
O setor de
lavanderias e tinturaria, uma atividade eminentemente urbana, teve grande
presença dos nipo-brasileiros, Além de exigir pouco capital,
possibilitava o trabalho de todos os membros da família. Rokuro
Koyama, no livro História dos 40 anos da imigração
japonesa, revela que, no final da década de 40, na cidade de São
Paulo, havia cerca de 1.500 tinturarias e cerca de dois terços
pertenciam aos japoneses e seus descendentes. Em 1958, outro levantamento
constatava que, em todo o Brasil, 4.356 lavanderias e tinturarias pertenciam
aos japoneses. Registrava ainda que 2.013 eram barbeiros e 1.122 fotógrafos.
Casas
bancárias
Já no
setor financeiro, as atividades eram desempenhadas pelas empresas de colonização
e instituições do Japão. Em 1932, foi constituída
a Casa Bancária Tozan (depois, em 1954, Banco Tozan), através
da Casa Tozan, que atuava no Brasil desde 1927 com atividades voltadas
ao setor agropecuário. Ela serviu de fonte financiadora de atividades
agrícolas e foi a pioneira a aceitar contas de depósitos
da comunidade nipo-brasileira.
A Casa Bancária
Bratac surgiu em 1937, como um dos ramos das inúmeras atividades
da Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda. (mais conhecida por Bratac).
Em 1940, foi sucedida pelo Banco América do Sul.
Havia também
a Casa Bancária Kaikô, criada em 1937 (depois sucedida pelo
Banco Popular), e a Casa Bancária Brascot (após a Segunda
Guerra, foi adquirida pelo Banco Sumitomo).
Nessa área
financeira, é importante destacar o Yokohama Specie Bank (sucedido
pelo Banco de Tóquio), instalado no Rio de Janeiro, desde 1919,
como estabelecimento especializado em câmbio. A partir de meados
da década de 30, passou a funcionar como refinanciador das casas
bancárias anteriormente citadas. Vale dizer que os financiamentos
agrícolas oferecidos pelas casas bancárias aos imigrantes
japoneses, em última instância, saíam do Yokohama.
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