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  Históra da Imigração Japonesa
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
As galinhas de ovos brancos
Pimenta-do-reino e chá na colonização
Imigrantes no cultivo das fibras naturais
Legumes e hortaliças emigrando junto com os japoneses
A contribuição dos japoneses na agricultura
Imigrantes nas indústrias
Japoneses no comércio desde 1906 em SP
Um novo degrau no movimento de ascensão social
Colaboração entre japoneses da mesma origem
Andanças pelo Brasil em busca de novos horizontes
Na década de 50, o reinício da imigração
Os imigrantes pós-guerra, novidade entre os nipo-brasileiros
Tentativas para apaziguar os nipo-brasileiros
Os aproveitadores da boa-fé dos imigrantes
Uma explosão de sentimentos
Uma época para ser apagada da memória
Sob a proteção da bandeira do sol nascente
O maior problema era ser de japonês
Vivendo no país do inimigo
Tempos marcados pela guerra e pela repressão aos imigrantes
Muitas mudanças para os imigrantes japoneses
O senso estético de uma vida provisória
Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
Solidariedade, uma marca dos imigrantes
Ano-novo, dia de festa nas colônias japonesas
Das cinzas brotavam as associações de japoneses
Novas energias para suportar momentos de sacrifícios
Aqui, do outro lado mundo
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 2
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 1
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 2
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 1
O núcleo pioneiro da Mata do Segredo
As estradas de ferro como referência
A localização dos primeiros imigrantes japoneses
Os agricultores pioneiros da periferia de São Paulo
Invasão japonesa na Noroeste
Núcleo Bastos: o surgimento por meio da Bratac
Japoneses no cultivo do arroz na Mogiana
Imigração japonesa na linha Santos– Juquiá
Núcleo Iguape: colonizadores começam a chegar em 1913
Os primeiros núcleos coloniais dos imigrantes japoneses
Os japoneses em São Paulo
A vida difícil dos imigrantes nas fazendas do interior de SP
Hospedaria dos Imigrantes, a primeira parada
Um novo degrau no movimento de ascensão social
Os isseis fizeram sua parte, passando de colonos a proprietários urbanos. Cabe aos seus filhos alcançar os objetivos últimos da migração: a formação universitária

Salão de cabeleireiro: década de 50

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Na década de 50, da zona rural para a cidade, propiciar o estudo dos filhos e buscar maior conforto representou mais um passo na busca da ascensão social, desde que o imigrante saiu do Japão.

“Os agricultores abandonaram as lavouras para que seus filhos estudassem, vendo nisso seu caminho para continuar o processo de ascensão social, até então bem-sucedido. Uma vez na cidade, a valorização da escolaridade só pôde ser acentuada, já que, cada vez mais, ela se apresenta como único canal de ascensão ainda aberta aos japoneses. Para os que são empregados, é o único caminho para atingir posições bem-remuneradas.”

Quem afirma é Ruth Cardoso, em sua tese de doutorado: Estrutura Familiar e Mobilidade Social – Um Estudo sobre os Japoneses no Estado de São Paulo, de 1972, ao tratar sobre o processo de urbanização na década de 50 e as conseqüentes mudanças nas relações sociais.

“Incentivados pelas companhias de colonização e apoiados nas organizações criadas pela colônia, os japoneses desempenharam um papel importante na agricultura paulista, aproveitando as oportunidades abertas pela economia em expansão para realizar um movimento de ascensão social. A mobilidade geográfica dos sitiantes japoneses nas diversas zonas do Estado é, quase sempre, um meio de conseguir também uma mobilidade social”, escreve Cardoso.

A professora afirma que essa trajetória dos imigrantes de colono para arrendatário, ou pequeno proprietário, não ocorreu exclusivamente por “sua capacidade de poupança” e de cooperação familiar. “É preciso agregar outro fator atuante, a solidariedade nacional, em outras palavras, o aparecimento da noção de Colônia Japonesa.” Esse relacionamento entre os conterrâneos e seus familiares ocorreu “nas formas mais amplas de sociabilidade”. Nesse sentido, aparecem as associações com “o objetivo de reunir famílias produtoras, organizar a cooperação entre elas e a comunicação para além do núcleo de povoamento”.

Na transferência para as cidades, também os laços de família e amizade serviram como apoio direto, além da solidariedade da “colônia japonesa”. No entanto, ao contrário do que ocorria na zona rural, “a representação da Colônia não se concretiza em grupos reais, criados pela vizinhança e pelas associações, as possibilidades de auxílio restringem-se efetivamente ao círculo de relações primárias”.

Para a professora, “o que resta da identificação étnica nas cidades, onde os japoneses se ocupam de pequenos negócios isolados, ou então na condição de empregados, é a noção de homogeneidade cultural, que se define fundamentalmente pelo uso de uma linguagem privativa. Não atuam mais os mecanismos econômicos que deram consistência à idéia de Colônia nos núcleos rurais. As associações não têm mais as funções cooperativas, nem a força que lhes vinha de serem canalizadoras de vantagem para seus membros. Através das relações pessoais é que se constrói uma rede de ajuda mútua, que aumenta seu tamanho e eficácia por estar sancionada por uma comunidade étnica”.

Portanto, as perspectivas profissionais aos nisseis urbanizados se “desligam dos marcos da Colônia e os prendem à família porque a freqüência à universidade só é possível através da colaboração do grupo doméstico”. Está posto, então, um novo desafio nessa trajetória: “os isseis já realizaram sua parte na ascensão familiar passando de colonos a proprietários urbanos. Cabe aos seus filhos alcançar os objetivos últimos da migração, através de uma formação profissional, de preferência universitária”.

 
As ocupações na área de vendas dos imigrantes japoneses
Em 1958, foi realizado o primeiro recenseamento dos nipo-brasileiros, e um dos dados levantados pela Comissão de Recenseamento da Colônia Japonesa indicava que residiam na zona urbana 45% dos imigrantes e 61% dos descendentes. Outra informação interessante refere-se à ocupação na área de venda deles.
Ocupações de vendas
Imigrantes (%)
Descendentes (%)
Atacadistas de produtos agrícolas e outros
8
3

Quitandeiros, feirantes, proprietários de botequins, proprietários de empórios, outros comércios de varejo

62
21
Balconistas
26
72
Viajantes e corretores
4
4
TOTAL
100
(15.015 pessoas)
100
(13.695 pessoas)

NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: Estrutura Familiar e Mobilidade Social - Um Estudo sobre os Japoneses no Estado de São Paulo, Ruth Correa Leite Cardoso, Kaleidos-Primus, São Paulo, edição de 1998.
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