
Salão
de cabeleireiro: década de 50 |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Na década
de 50, da zona rural para a cidade, propiciar o estudo dos filhos e buscar
maior conforto representou mais um passo na busca da ascensão social,
desde que o imigrante saiu do Japão.
Os agricultores
abandonaram as lavouras para que seus filhos estudassem, vendo nisso seu
caminho para continuar o processo de ascensão social, até
então bem-sucedido. Uma vez na cidade, a valorização
da escolaridade só pôde ser acentuada, já que, cada
vez mais, ela se apresenta como único canal de ascensão
ainda aberta aos japoneses. Para os que são empregados, é
o único caminho para atingir posições bem-remuneradas.
Quem afirma
é Ruth Cardoso, em sua tese de doutorado: Estrutura Familiar e
Mobilidade Social Um Estudo sobre os Japoneses no Estado de São
Paulo, de 1972, ao tratar sobre o processo de urbanização
na década de 50 e as conseqüentes mudanças nas relações
sociais.
Incentivados
pelas companhias de colonização e apoiados nas organizações
criadas pela colônia, os japoneses desempenharam um papel importante
na agricultura paulista, aproveitando as oportunidades abertas pela economia
em expansão para realizar um movimento de ascensão social.
A mobilidade geográfica dos sitiantes japoneses nas diversas zonas
do Estado é, quase sempre, um meio de conseguir também uma
mobilidade social, escreve Cardoso.
A professora
afirma que essa trajetória dos imigrantes de colono para arrendatário,
ou pequeno proprietário, não ocorreu exclusivamente por
sua capacidade de poupança e de cooperação
familiar. É preciso agregar outro fator atuante, a solidariedade
nacional, em outras palavras, o aparecimento da noção de
Colônia Japonesa. Esse relacionamento entre os conterrâneos
e seus familiares ocorreu nas formas mais amplas de sociabilidade.
Nesse sentido, aparecem as associações com o objetivo
de reunir famílias produtoras, organizar a cooperação
entre elas e a comunicação para além do núcleo
de povoamento.
Na transferência
para as cidades, também os laços de família e amizade
serviram como apoio direto, além da solidariedade da colônia
japonesa. No entanto, ao contrário do que ocorria na zona
rural, a representação da Colônia não
se concretiza em grupos reais, criados pela vizinhança e pelas
associações, as possibilidades de auxílio restringem-se
efetivamente ao círculo de relações primárias.
Para a professora,
o que resta da identificação étnica nas cidades,
onde os japoneses se ocupam de pequenos negócios isolados, ou então
na condição de empregados, é a noção
de homogeneidade cultural, que se define fundamentalmente pelo uso de
uma linguagem privativa. Não atuam mais os mecanismos econômicos
que deram consistência à idéia de Colônia nos
núcleos rurais. As associações não têm
mais as funções cooperativas, nem a força que lhes
vinha de serem canalizadoras de vantagem para seus membros. Através
das relações pessoais é que se constrói uma
rede de ajuda mútua, que aumenta seu tamanho e eficácia
por estar sancionada por uma comunidade étnica.
Portanto, as
perspectivas profissionais aos nisseis urbanizados se desligam dos
marcos da Colônia e os prendem à família porque a
freqüência à universidade só é possível
através da colaboração do grupo doméstico.
Está posto, então, um novo desafio nessa trajetória:
os isseis já realizaram sua parte na ascensão familiar
passando de colonos a proprietários urbanos. Cabe aos seus filhos
alcançar os objetivos últimos da migração,
através de uma formação profissional, de preferência
universitária.
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