
AJUDA
- Imigrantes japoneses ganham assistência no momento do desembarque
em Santos
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Passado o vendaval da 2ª Guerra Mundial, começam tempos de
mudanças. Até na denominação! Antes, em japonês,
usava-se a expressão Zaihaku Hojin Shakai, ou seja, comunidade
de compatriotas residentes no Brasil, denotando sua intrínseca
ligação com o Japão. Na década de 50, fortaleceu-se
o termo Burajiru Nikkei Koronia (abreviado para Nikkei Coronia), ou seja,
colônia nikkei do Brasil, a comunidade nipo-brasileira.
Apesar de simples
expressão, ela reflete as novas condições de relacionamento
com o Japão e de permanência no Brasil. E, como tal, as instituições
montadas revelam a preocupação do lado japonês em
colaborar com os seus descendentes; diferente da postura anterior
à Guerra, de cuidar dos compatriotas no Brasil.
Em edições
anteriores, tratamos das circunstâncias da criação,
em 1955, da Sociedade Paulista de Cultura Japonesa (Sociedade Brasileira
de Cultura Japonesa, a partir de 1968).
Nesse cenário,
registramos o surgimento da Aliança Cultural Brasil-Japão
com o apoio de intelectuais brasileiros e de influentes nisseis, em 1956,
para promover o intercâmbio e o desenvolvimento cultural entre os
dois países. Dos objetivos, constavam: manter cursos de japonês
e português; organizar eventos de difusão da cultura em geral;
conceder bolsas de estudos no Brasil e no Japão; promover pesquisas
culturais; entre outros. Das realizações da entidade, nos
anos 60, destaca-se a elaboração e edição
de livros didáticos (oito volumes) para ensino da língua
japonesa, tomando-se como referência as necessidades locais.
A Beneficência
Nipo-Brasileira de São Paulo, mais conhecida por Enkyo (São
Paulo Engo Kyokai), é outro destaque nesse cenário. Foi
criada em 1958, ocasião em que a vinda de imigrantes era intensa
(cerca de 5 mil/ano). Desembarcando em Santos, eles tinham que enfrentar
a morosidade da inspeção e, não raro, os problemas
causados pelas dificuldades da língua e costumes.
Por conta disso,
foi montada a Casa do Imigrante de Santos, com o subsídio
do governo japonês. Para administrá-la, foi criada a Associação
de Assistência aos Imigrantes, posteriormente, transformada em Enkyo.
Até o final dos anos 60, ela assistia os recém-chegados,
mas, com a sua diminuição, passou a prestar atendimento
médico ao interior (as famosas caravanas médicas), instalação
de ambulatório médico, atendimento social aos imigrantes
fracassados. A partir dos anos 70, foram instalados novos
estabelecimentos para assistência aos idosos, aos doentes mentais
e ao atendimento médico-hospitalar.
Merece destaque
também o Kenren (Burajiru To Do Fu Kenjinkai Rengokai), ou seja,
a Federação das Associações de Províncias
do Japão no Brasil.
Antes dela,
tinham as associações de províncias, os kenjinkai.
Derrotado na Guerra, o Japão recebeu cerca de 6,3 milhões
de repatriados e uma das formas de enfrentar a superpopulação
foi recorrer à emigração. As associações
ultramarinas, responsáveis pela execução dessa política,
criaram os kenjinkai como correspondentes no Brasil, responsáveis
pelas informações locais e cuidados aos recém-chegados.
Nos anos 70,
com a redução de novos imigrantes, a relação
com o governo provincial continuou através do envio de bolsistas,
viagens de co-provincianos ao Japão, recepção às
autoridades, entre outros itens.
O Kenren nasceu
em 1966, como contraparte da Associação de Famílias
de Emigrantes ao Ultramar do Japão, e foi criado para defender
os interesses e direitos de japoneses que, antes da Segunda Guerra, emigraram
para Manchúria, Mongólia e outras regiões da Ásia
oriental e, após o confronto, reemigrado ao Brasil. Eles tinham
direito a auxílio financeiro do governo japonês, que os daqui
não estavam usufruindo. Reconhecido esse direito, foi necessário
um levantamento dos reemigrados, criando-se um órgão para
tal missão. Foi então que, apesar de alguns protestos, o
Kenren foi incumbido dessa tarefa e passou a atuar como centralizador
das associações de províncias.
A partir da
década de 50, também surgiram outras entidades de confraternização,
beneficentes e assistenciais, educacionais e culturais, esportivas, profissionais
e de assistência mútua.
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