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  Históra da Imigração Japonesa
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Andanças pelo Brasil em busca de novos horizontes
A histórica migração de japoneses e de seus descendentes tornou-se
mais ativa depois de 1946

MUDANÇAS - O interior de São Paulo foi o ponto de partida da migração rural-urbana

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Na década de 50, ao mesmo tempo em que chegavam os novos imigrantes, a comunidade japonesa aqui radicada vivia momentos de profundas mudanças.

A Segunda Guerra Mundial (1936~1945) representou um marco significativo para o país, principalmente quanto ao crescimento dos aglomerados urbanos e ao desenvolvimento da industrialização, cenário que proporcionou novas condições aos imigrantes japoneses radicados no país anterior ao conflito mundial.

De acordo com Hiroshi Saito, a migração rural–urbana, em especial em direção à cidade de São Paulo e adjacências, ocorrida durante e após a Segunda Guerra, foi uma das tendências da mobilidade do imigrado japonês. A outra se refere ao “movimento dispersivo, que, partindo do interior de São Paulo, irradiou-se para as frentes pioneiras, não só do Estado de São Paulo, mas de Estados vizinhos”. Saito ressalta que tanto uma como outra tiveram como partida o interior de São Paulo.

“A migração dos japoneses e de seus descendentes tornou-se cada vez mais ativa depois de 1946”, diz Saito. Em 1939, residiam na cidade de São Paulo 3.467 japoneses e seus descendentes. Vinte anos depois, esse total chegava a 62.327. Nas zonas suburbanas e cercanias, em 1939, a população de origem japonesa era de 7.788 pessoas, subindo em 1958 para 40.907 pessoas.

Na década de 30, esses núcleos não excediam a 50 quilômetros do centro de São Paulo (por exemplo, os municípios de Cotia, São Roque, Itapecerica e Mairiporã). Durante e depois da guerra, eles se desdobraram na direção sudoeste do Estado, passando por Ibiúna e Piedade, em direção a Itapetininga, Capão Bonito, Apiaí e Ribeira. Na direção oeste e noroeste, expandiram-se para a região de Sorocaba, Itu, Jundiaí e Campinas.

Também se multiplicaram os núcleos na região de Mogi das Cruzes, Jacareí, Caçapava e São José dos Campos, chegando a Taubaté e Pindamonhangaba. Nessa época, a melhoria nas condições de transportes proporcionou maior comunicação entre São Paulo e Rio de Janeiro, estimulando ainda mais a produção de frutas e legumes. Outra corrente dirigiu-se para o sul de Minas Gerais, como Atibaia, Piracaia, Nazaré e Bragança Paulista.

Movimento nas regiões interioranas

Paralelamente aos deslocamentos em direção à metrópole e redondezas, registra-se outro movimento – a dispersão nas regiões interioranas. Na região norte-paranaense, Saito destaca: “os japoneses, vencendo o vale do Tibagi e do Ivaí na direção noroeste, atingindo o caudaloso Paraná. A oeste, ultrapassando os centros novos de Maringá e Cruzeiro do Oeste, a vanguarda dos pioneiros japoneses chegava, em 1958, aos sertões do oeste paranaense”.

Saito indica que, do extremo do oeste do Estado de São Paulo, na região do Pontal do Paranapanema, começaram a se estabelecer na Zona da Mata do sul de Mato Grosso. Outras levas foram em direção a Aquidauana e Corumbá.

Também o norte de Mato Grosso e Goiás receberam japoneses que, partindo de Anápolis e Goiânia, seguiram para o vale do Araguaia, até as cabeceiras do Xingu. Depois, em direção a Brasília. Outro grupo seguiu para o sul de Minas.

Depois da guerra, há uma dispersão dos núcleos que estavam localizados ao longo das estradas de ferro Mogiana, Sorocabana, Noroeste e Paulista. Até fins dos anos 30, moravam num raio que não ultrapassava de 500 a 700 quilômetros do centro da cidade de São Paulo. No entanto, a partir dos anos 40/50, ao mesmo tempo em que aumentou a população de origem japonesa na capital e cercanias, no interior, o raio de distância dobrou, estendendo-se para os Estados vizinhos.

 
Dispersão dos japoneses
O movimento de dispersão dos japoneses, partindo do interior do Estado de São Paulo, para outras regiões. Ilustração de Saito (O Japonês no Brasil).
Tomate todos os dias
Hiroshi Saito aponta um dado revelador baseado na estimativa registrado por Keiichi Matsumoto no livro Niponjin Hattenshi. Em 1926, o consumo diário de tomate na cidade de São Paulo era de cem caixas, aumentando, em 1935, para mil caixas/dia. Cinco anos após, ou seja, em 1940, o total chegava a 5 mil caixas/dia. Esses números apontam mudanças no hábito alimentar paulistano, mas também testemunham a demanda por legumes e frutas e foram essas oportunidades que motivaram os japoneses a buscar as áreas próximas à cidade de São Paulo.

NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: O Japonês no Brasil - Estudo de Mobilidade e Fixação, de Hiroshi Saito, Ed. Sociologia e Política, SP, 1961.
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