
VIAGEM
- As levas de imigrantes japoneses ao Brasil foram resultados da
iniciativa privada dos residentes nipônicos no Brasil |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Como antes
da guerra, neste período, a emigração foi tratada
como política de Estado, executada por organismos e capital próprio.
A partir da
década de 50, mesmo sem um acordo oficial entre os dois países
(que seria assinado somente em agosto de 1963), iniciam-se as levas de
imigrantes japoneses, resultado da iniciativa privada dos residentes japoneses
no Brasil, conforme abordamos na edição anterior.
Dados da JICA
(Japan International Cooperation Agency) indicam que de 1952 até
1988 vieram ao Brasil 55.437 imigrantes japoneses divididos em duas formas
de imigração. Uma delas era chamada de planejada,
por que era controlada e autorizada pelos órgãos do governo
brasileiro, como os imigrantes vindos através das iniciativas de
Kotaro Tsuji e Yasutaro Matsubara, os sericicultores e os jovens imigrantes
da Cooperativa Agrícola de Cotia. Esta modalidade subdividiu-se
ainda entre os que vieram na condição de lavradores
colonizadores autônomos e como lavradores empregados
(caso dos sericicultores e jovens da CAC).
Naquela ocasião
ainda vigorava o artigo 121 da Constituição Brasileira de
1934 que fixava em 2% a cota de novos imigrantes. No caso dos japoneses,
representava 2.849 pessoas, mas os números atestam que exceções
e casos especiais faziam extrapolar esse total. O fato é
que, no pós-guerra, essa limitação ainda estava em
vigor mas, entendeu-se que os imigrantes planejados não
se enquadravam por estarem sob controle dos órgãos governamentais.
No entanto,
na limitação dos 2% estavam encaixados os imigrantes
livres. Chegavam ao Brasil através da chamada de parentes
próximos, dos parceiros (lavradores nikkeis residentes no
país) ou ainda, chamados como lavradores empregados.
Números
da JICA (Estatística de Emigração Ultramarina) indicam
que dos 55.437 imigrantes japoneses, 23.386 vieram através de chamadas
nominais, pouco abaixo dos 26.306 para trabalhar na lavoura.
No Japão,
emigração como política de Estado
Para o governo
japonês, a emigração passou a ser encarada como parte
da política nacional e, por conta disso, em janeiro de 1954, criou
a Federação das Associações Ultramarinas do
Japão, uma entidade de caráter público para recrutar,
selecionar e transportar os interessados em mudar-se para o exterior e,
ainda, recepcioná-los em sua chegada ao novo país.
No ano seguinte,
foi montada a Empresa de Fomento de Emigração Ultramarina
S/A. com a finalidade de adquirir terras e fundar colônias no exterior,
bem como vender esses lotes aos imigrantes japoneses.
No Brasil,
essas funções ficaram à cargo da JAMIC - Imigração
e Colonização Ltda. e a JEMIS - Assistência Financeira
S/A., ambas de capital do governo japonês.
A JAMIC, além
da recepção dos imigrantes, encarregava-se dos preparativos
para a introdução dos imigrantes agricultores e industriais,
orientação sobre gestão da lavoura, ajuda à
instalação da eletricidade rural, apoio e ajuda à
escola, pensionato para estudantes, assistência médica, entre
outras providências.
A JEMIS, por
sua vez, providenciava financiamento à agricultura e à indústria,
chegando, no período de 1957 a 1979, movimentar 8,7 bilhões
de ienes. Em 1978, esse valor chegou a 1,03 bilhão de ienes e,
em 1979, a 1,18 bilhão de ienes dando ênfase ao financiamento
para a independência econômica dos lavradores.
Apoiadas na
estrutura governamental japonesa, entre 1957 a 1976, foram criadas as
seguintes colônias : Várzea Alegre (MS), Funchal (RJ), Jacareí
(SP), Tietê (SP), Tomé-Açu II (PA), Pinhal (SP), Guatapará
(SP), São Lourenço (SP) e Auriverde (SP). Não foram
poucos os problemas resultantes das falhas na escolha dos terrenos, bem
como, da inexperiência dos próprios imigrantes.
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