
HISTÓRIA
- Matsubara (esq) e o presidente Vargas: diplomacia para novos imigrantes |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
O reinício
da imigração foi o maior acontecimento para a colônia
japonesa do pós-guerra, escreve Tomoo Handa, ressaltando que ela
se encontrava em estado de estagnação e, a chegada
de novos japoneses, trouxe um alegre sentimento de novidade.
A primeira
leva aportou em 18 de janeiro de 1953, em Santos, a bordo do navio holandês
Tisadane. Eram 51 imigrantes, na maioria jovens solteiros, que vinham
sob a designação de chamadas de parentes.
A outra, chegou
ao Rio de Janeiro em 11 de fevereiro de 1953, no navio Santos Maru. Eram
18 famílias (54 pessoas). Chegavam para o Projeto Ue-tsuka
Tsuji para trabalhar nas plantações de juta administradas
por japoneses ao longo da bacia amazônica.
No dia 18 de
julho de 1953, desembarcaram, em Santos, 22 famílias (112 pessoas),
do navio holandês Ruys, destinadas ao núcleo federal de Dourados
(Mato Grosso). Era a primeira leva do Projeto Matsubara.
Kotaro Tsuji
(de Santarém, Pará) e Yasutaro Matsubara (de Marília,
SP), haviam solicitado ao governo Vargas autorização para
o plano de imigração e colonização. Tsuji
queria novos imigrantes para a Amazônia e, Matsubara, para as regiões
do Centro-Oeste e Nordeste do país. Em caráter excepcional,
foi autorizada a entrada de 5 mil famílias para o projeto de Tsuji
e, 4 mil, para o de Matsubara.
No entanto,
nenhum deles extrapolou o limite da cota Tsuji levou para a Amazônia,
de 1953 a 55, somente 324 famílias (1.957 pessoas) mais 23 solteiros.
No esquema Matsubara, entre 1953 e 61, foram 202 famílias (1.073
pessoas) mais 158 solteiros distribuídos pelos estados de Mato
Grosso, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros.
Imigrantes
para outras atividades
No pós-guerra,
a maioria foi introduzida para outros estados, diferente da fase anterior,
cujo foco fora São Paulo. Houve a diversificação
de atividades, não se restringindo à agricultura.

EMOÇÃO
- Banda de música e serpentina na despedida em porto japonês
|
Uma dessas
levas foi de bicho-da-seda vinda através da Sociedade Paulista
de Sericicultura para reavivar essa nova indústria nacional.
A leva iniciada em 1954 totalizou a cota limite de 200 famílias
(1.251 pessoas). No entanto, na segunda turma, não passou de 63
famílias de uma cota de 500 famílias.
A partir de
1955, a Cooperativa Agrícola de Cotia passou a introduzir jovens
(Cotia Seinen Imin) para trabalhar junto aos lavradores cooperados, antes
de iniciarem suas próprias atividades. O objetivo, segundo seus
idealizadores, era formar elementos capazes de dar continuidade ao ideal
cooperativista. A primeira leva chegou em 15 de setembro de 1955 com 109
pessoas, e até 1967 totalizaram 2.508 emigrantes.
Houve, também,
o Grupo de Jovens para o Desenvolvimento Industrial (Sangyo Kaihatsu Seinentai),
cujos interessados recebiam, treinamento com um grupo de técnicos
no Japão e no Brasil antes de seguir para o ramo de sua especialidade.
Até 1965 foram 10 grupos num total de 301 jovens.
Essas levas
fazem parte da chamada imigração planejada,
dividida em grupos dos lavradores colonizadores e dos lavradores empregados.
Existia outra forma, a imigração livre a ser
enfocada na próxima edição.
|