
HISTÓRIA
- Lançamento da pedra fundamental da Sociedade Paulista de
Cultura Japonesa
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Em 1947, enquanto
ainda fervia o conflito entre os grupos kachigumi (acreditavam na vitória
do Japão) e makegumi (acreditavam na derrota do Japão),
destacava-se a campanha encetada pelo Comitê de Socorro às
Vítimas da Guerra do Japão, iniciada em março de
1947, depois de reunião na residência de Chibata Miyakoshi
(ex-diretor da Companhia de Fomento Industrial no Ultramar, a Kaigai Kogyo
Kabushiki Kaisha).
O comitê
obteve autorização da Cruz Vermelha para arrecadar fundos
no Brasil. Esse valor era encaminhado aos Estados Unidos, para aquisição
de gêneros de primeira necessidade (alimentos, remédios,
cobertores, etc.) e enviado ao Japão por meio do Lara (Licensed
Agency for Relif in Asia), órgão da Organização
das Nações Unidas.
Sob a liderança
dos membros makegumi, durante os três anos de campanha, foram promovidos
variados eventos festas, jantares, encontros, apresentações
musicais, entre outros para arrecadação de fundos
totalizando cerca de Cr$ 5 milhões (cruzeiros). Concomitantemente,
o comitê montou um sistema de remessas particulares de encomendas.
Havia uma espécie de mostruário com diversas opções
e o interessado indicava (e pagava!) o pacote de produtos que desejava
enviar ao Japão. A encomenda era encaminhada ao destinatário
pelo representante norte-americano.
Para muitos
imigrantes, era uma forma de servir à pátria, pois, durante
a guerra, eles não puderam contribuir por morar tão distante.
Para outros, os vitoristas, a campanha era uma farsa. Calcula-se que a
participação chegou somente a 10% das famílias. No
entanto, muitos começaram a ver com outros olhos a situação
do Japão, ao receber cartas de agradecimentos dos parentes.
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Um fato memorável
naquele ano de 1950 foi a vinda dos peixes voadores
a equipe de cinco nadadores japoneses, liderada pelo campeão olímpico
Hironoshin Furuhashi. Na chegada, em 4 de março de 1950, calcula-se
que cerca de 6 mil japoneses foram recepcioná-los no aeroporto
de Congonhas. No dia 23, na cerimônia de abertura do 17º Campeonato
de Natação, no estádio do Pacaembu, para emoção
dos imigrantes, depois de dez anos, a bandeira japonesa era hasteada em
local público, ao som do hino nacional.
Os peixes
voadores, além de São Paulo, participaram de competições
amistosas em Ribeirão Preto (a velha capital da linha mogiana)
e Marília (cidade considerada epicentro do movimento Shindo Renmei).
Nessa época, entre os acontecimentos que contribuíram para
amenizar a animosidade entre os japoneses, esteve a participação
nas comemorações do 4º Centenário de fundação
da cidade de São Paulo, em 1954.
O cônsul-geral
Shiro Ishiguro, aconselhado por Kiyoshi Yamamoto (administrador da Cia.
Tozan), tomou a dianteira de convocar várias lideranças.
Na primeira reunião, dos dez convidados, compareceram somente cinco
deles. Recorreu-se aos oitos jornais de língua japonesa da época.
Estes indicaram 33 nomes para compor a comissão organizadora. Preocupado
com outro possível fiasco, o cônsul-geral Ishiguro telefonou
pessoalmente para cada um deles.
A iniciativa
foi um sucesso das cerca de 50 mil famílias descendentes
de japoneses residentes no País, calcula-se que 45 mil contribuíram
com a campanha de arrecadação de recursos. Vieram também
contribuições do Japão. Graças a isso, além
das festividades, também foi construído o Pavilhão
Japonês no Parque Ibirapuera.
Ao final das
festividades, a Comissão Colaboradora da Colônia Japonesa
Pró IV Centenário da Cidade de São Paulo reuniu-se
para encerrar suas atividades. No entanto, restava uma parte dos recursos
e, dali a quatro anos, em 1958, a imigração japonesa completaria
50 anos. Para tanto, seria necessário novo esforço para
organizar uma festa em grande estilo.
Assim, para
evitar a desmobilização, no mesmo momento em que a Comissão
foi dissolvida, em seu lugar foi fundada a Sociedade Paulista de Cultura
Japonesa, em dezembro de 1955, sob a presidência de Kiyoshi Yamamoto.
Atuando cada vez mais como entidade integradora e representativa da comunidade
nipo-brasileira, em 1968, mudou sua denominação para Sociedade
Brasileira de Cultura Japonesa.
O fato é
que, em 1958, vários setores se engajaram nas festividades cujo
ponto culminante foi a primeira visita oficial de um membro da família
imperial, o príncipe Mikasa. Assim, se as feridas e mágoas
do pós-guerra ainda não tinham sido cicatrizadas, ao menos,
a vida parecia voltar ao seu caminho normal.
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