
Relatório
de Shungoro Wako mostrou a situação de imigrantes
no interior de SP
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(Fotos: Acervo
do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Nas edições
anteriores, viemos relacionando as diversas medidas tomadas pelo governo
Getúlio Vargas com vistas a exercer maior controle sobre os estrangeiros
originários dos países do Eixo (Japão, Alemanha e
Itália). Diante dessas medidas, qual era o espírito reinante
entre os imigrantes japoneses? O país que mais amamos é
o Japão. E, a finalidade maior de retornar próspero à
terra natal constitui a aspiração de 200 mil patrícios
do Japão, acalentada desde o momento em que partiram do arquipélago.
E é um juramento também. Na verdade, todos nós viemos
para este país, não para nele permanecer em definitivo,
mas sim conseguir bens materiais. (...) A história dos 30 anos
de nossa imigração representou exclusivamente e tão
só a história de vigorosas lutas para consecução
desta promessa de retorno à pátria.
Esta é
uma descrição que consta no relatório publicado em
1939 por Shungoro Wako, Compatriotas da Jurisdição de Bauru,
sobre pesquisa realizada na região da noroeste de São Paulo
que, na época, era a de maior concentração de imigrantes
japoneses. Tratando sobre o item Regresso ao Japão ou permanência
definitiva no Brasil, Wako indica que, das 12 mil consultas, 85%
responderam que desejavam regressar ao Japão e apenas 10% tinham
optado pela permanência definitiva. Apenas 5% responderam
não sei.
Das pessoas
que pretendiam regressar ao Japão, estão aquelas fracassadas
em seus empreendimentos, mas também outras, que podem ser consideradas
vitoriosas, comenta Wako. Estão também aquelas que
nasceram no Brasil e ainda não conhecem o Japão.
Entre aqueles
que desejavam permanecer no Brasil, estavam os que chegaram há
pouco tempo e conhecem a real situação do Japão e
aqueles que vivem sem preocupação de ordem financeira,
os casados com brasileiros ou outros estrangeiros e uma minoria católica.
Já aqueles que responderam não sei, na
sua maioria, o fizeram com muita seriedade, acreditando que estão
em posição tão insegura como muitos que escolheram
pelo regresso, continua Wako.
Essa pesquisa
foi realizada exatamente no momento em que, de um lado, aumentavam as
pressões do governo brasileiro sobre os estrangeiros e, de outro:
a figura do Japão, em plena ascensão de suas forças,
brilhava com vigor na Ásia Oriental, como indica Wako. A
invasão da China continental, a ocupação da ilha
de Hainan e da Indochina sob a alegação da Construção
da Nova Ordem na Esfera de Co-Prosperidade da Grande Ásia Oriental,
para os imigrantes japoneses refletiam como a imagem brilhante do Japão
próspero e poderoso dominando a Ásia Oriental. Portanto,
mais do que nunca, estavam convencidos de que o esforço construtivo
tinha que ser sob a bandeira do sol nascente.
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Não
existem dados seguros para determinar exatamente quantos imigrantes conseguiram
retornar ao Japão na época que antecedeu à Segunda
Guerra, mas o fato é que, seguidamente, os jornais japoneses do
segundo semestre de 1939 até o seu fechamento, em 1941, veiculavam
anúncios de imigrantes retornando temporariamente à
terra natal.
Nessa ocasião,
preocupado com o crescente movimento de regresso, o cônsul-geral
Junzo Sakane, do Consulado Geral do Japão em São Paulo,
chegou a publicar nos jornais matéria questionando essas idéias
e pedindo cautela aos seus compatriotas.
Merece destaque
também a intensificação da compra e da venda de ienes,
cuja transação era considerada contravenção
à lei cambial, visto que era permitido entrar no Japão com
apenas 200 ienes. No entanto, os imigrantes que retornavam (ou pretendiam
retornar) levavam ienes procedentes da China e adquiridos no Brasil, conforme
atestam as matérias dos jornais japoneses da época. Em 1940,
o Consulado japonês chegou a publicar um edital sobre a obrigatoriedade
de os possuidores de ienes comunicarem o fato e explicar como adquiriram
tal montante. Apesar da queda na cotação dos ienes no mercado
internacional, seu comércio continuava em alta.
A chegada do
navio Buenos Aires Maru, em 1941, encerrou o movimento de imigração
japonesa anterior à guerra. Em dezembro, os jornais deixaram de
circular, criando um vácuo nos meios de informações
aos imigrantes japoneses e criando espaço aos surtos de boatos
de vários naipes.
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