
FRUSTRAÇÃO
- Guerra impediu japoneses de prosseguir no cultivo e comércio
da juta |
(Fotos: Acervo
do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Em 1942, com
o rompimento das relações diplomáticas do Brasil
com os países do Eixo, muitos empreendimentos e entidades mantidas
por japoneses sofreram intervenção governamental.
Em fevereiro
de 1942, com o decreto de congelamento dos bens dos súditos dos
países do Eixo (Japão, Alemanha e Itália), os isseis
(primeira geração de japoneses) viram suas posses ameaçadas
alguns se safaram transferindo-as para os nisseis (descendentes
nascidos no Brasil), outros tiveram de dividir a administração
com os interventores.
Dessa época,
um dos casos foi o Hospital Japonês, na Vila Mariana, inaugurado
em 29 de abril de 1939, com 200 leitos. Construído em São
Paulo, o Hospital Santa Cruz (como é chamado atualmente) não
atendia à demanda de grande parcela da comunidade japonesa, já
que a maioria residia no interior, mas simbolicamente sua representatividade
era inegável. Passou a funcionar em 1940, com médicos e
enfermeiras vindos especialmente do Japão, mas, com a guerra, sua
administração sofreu intervenção do governo
brasileiro.
Entidades de
ensino também sofreram revezes. A Escola Taisho, na cidade de São
Paulo, considerada uma das mais importantes organizações,
além da língua japonesa, ministrava curso regular reconhecido
pelas autoridades educacionais. Com a guerra, sua administração
foi transferida para a professora nissei Yoneka Nishie. Mesmo assim, enfrentou
dificuldades, pois a maioria dos alunos era descendentes de japoneses.
Na década de 50, suas instalações na Rua São
Joaquim, na Liberdade, acabaram dando lugar à atual Sociedade Brasileira
de Cultura Japonesa.
No bairro de
Pinheiros, a escola construída em 1939, com as restrições
da guerra, foi transferida para o nome de Washizo Sugayama, um dos líderes
do movimento de construção. Terminado o conflito, essa propriedade
se transformou na sede da Associação Cultural e Esportiva
Piratininga, fundada em 1950.
Projetos
frustrados

INTERVENÇÃO
- Empresas tiveram de admitir executivos brasileiros em altos cargos |
A guerra, acompanhada
do congelamento de bens e intervenção nas empresas (fábricas,
casas comerciais, fazenda, bancos) como garantia compensatória
pelos prejuízos impostos pelos inimigos, provocou transtornos incalculáveis.
Na Amazônia,
especialmente na região de Parintins, desde o início da
década de 30, os imigrantes japoneses tentavam (desesperadamente)
desenvolver o cultivo da juta. Finalmente, em 1937, o sucesso do empreendimento
estava garantido quando a empresa Martim Jorge, de Belém, atestava
que 90% das fibras eram de primeira qualidade. Trinta e nove foi
um ano memorável. Numa extensão de mil quilômetros
(distância de Tóquio a Shimonoseki), ao longo do Rio Amazonas,
os colonos espalhavam-se em 55 localidades. Cada família, com área
variando entre centenas a mil e tantos hectares, iniciavam a grande corrida
para o aumento da produção, escreve Fusako Tsunoda
em Canção da Amazônia. A guerra, acabou com os projetos
da Companhia Industrial da Amazônia de produzir, beneficiar e comercializar
juta. Em 1942, a previsão era de três mil toneladas de fibra.
Em Bastos,
uma cidade criada e administrada pela Bratac (Burajiru Takushoku Kaisha
Companhia de Colonização do Brasil S/A), em 1942,
recebeu um gerente-geral brasileiro, conseqüência do controle
estatal junto à sede da Companhia, em São Paulo. Chiyoko
Mita, escreve que, em abril, a Bratac foi colocada sob controle estatal
brasileiro e, em junho, seus bens caíram em regime de liquidação.
Também a Cooperativa Agrícola de Bastos, obrigada a nacionalizar
sua organização, admitiu três executivos brasileiros
como altos funcionários executivos.
Nessa época,
afirma Mita, na região, a produtividade do algodão estava
em baixa, devido ao esgotamento do solo, ao mesmo tempo em que cessara
a compra por parte do Japão e Alemanha. Em contrapartida, a sericicultura
(criação do bicho-da-seda), apresentou-se como a melhor
alternativa de recuperação econômica não
somente para o aproveitamento do solo empobrecido, mas também porque,
com a guerra, o fornecimento de produtos de seda do Japão (um dos
maiores produtores de fios e tecidos do mundo) estava paralisado.
Essa nova atividade
teve o incentivo do governo estadual paulista e a própria Bratac
ampliou suas instalações envolvendo desde fiação
de seda até fornecimento de óvulos, tanto para Bastos como
para regiões da Alta Paulista e Sorocabana. Assim, a sericultura
da colônia atingiu o auge durante a Segunda Guerra Mundial,
ressalta Mita.
Em 7 de novembro
de 1950, os bens dos japoneses residentes no Brasil foram liberados. Na
lista, estavam as empresas do Grupo Tozan, Grupo Bratac, Grupo KKKK (Kaikô
Companhia de Fomento Industrial no Ultramar) e de outros grupos
como Hachiya, Hama, Ito Yozo, Banco de Crédito Yokohama (Rio de
Janeiro), Brascot, Toyo Menka, Konishi, Nippaku Takushoku Kaisha (Belém),
AmazonTakushoku Kaisha (Amazonas) e Fazenda Nomura (Paraná).
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