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  Históra da Imigração Japonesa
Cinema-teatro: o sucesso de uma novidade
Memórias de um ator do teatro nipo-brasileiro
A aventura da família Hakkodan continua
De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
Vida de imigrante e o tempo para poesias e romances
A vez das mulheres nos programas de TV
Pelo rádio, as vozes de um Japão distante
Jornais de língua japonesa, a voz dos imigrantes
E o japonês virou língua estrangeira
O cultivo de flores e os imigrantes japoneses
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
As galinhas de ovos brancos
Pimenta-do-reino e chá na colonização
Imigrantes no cultivo das fibras naturais
Legumes e hortaliças emigrando junto com os japoneses
A contribuição dos japoneses na agricultura
Imigrantes nas indústrias
Japoneses no comércio desde 1906 em SP
Um novo degrau no movimento de ascensão social
Colaboração entre japoneses da mesma origem
Andanças pelo Brasil em busca de novos horizontes
Na década de 50, o reinício da imigração
Os imigrantes pós-guerra, novidade entre os nipo-brasileiros
Tentativas para apaziguar os nipo-brasileiros
Os aproveitadores da boa-fé dos imigrantes
Uma explosão de sentimentos
Uma época para ser apagada da memória
Sob a proteção da bandeira do sol nascente
O maior problema era ser de japonês
Vivendo no país do inimigo
Tempos marcados pela guerra e pela repressão aos imigrantes
Muitas mudanças para os imigrantes japoneses
O senso estético de uma vida provisória
Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
Solidariedade, uma marca dos imigrantes
Ano-novo, dia de festa nas colônias japonesas
Das cinzas brotavam as associações de japoneses
Novas energias para suportar momentos de sacrifícios
Aqui, do outro lado mundo
Arquivo - História da Imigração
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Vivendo no país do inimigo
Os imigrantes sofreram em território brasileiro no período da Segunda Guerra, já que o Japão fazia parte dos países do Eixo

COMUNICAÇÃO - Jornais da época retratam as agruras vividas pelos imigrantes nipônicos

(Fotos: Fotos: acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Para os súditos dos países do Eixo (Japão, Alemanha e Itália) residentes no Brasil, os anos de 1942 e 1943 foram marcados pelo acirramento da repressão governamental. O ano de 1942 começou com a Conferência Panamericana, que decidiu romper as relações diplomáticas com esses países inimigos, medida que o Brasil cumpriu em 29 de janeiro de 1942. Por conta disso, a embaixada japonesa no Rio de Janeiro e o Consulado do Japão em São Paulo foram fechados.

 
1942
Fevereiro, dia 2 – Moradores da Conde de Sarzedas e arredores foram obrigados a mudar-se, sob alegações de segurança nacional.

Fevereiro, dia 11 – Decretado o congelamento dos bens pertencentes às nações inimigas e proibido o uso das línguas dos países do Eixo em locais públicos.

Abril, dia 18 – Pela primeira vez, o Japão sofreu ataque aéreo dos EUA, e muitos japoneses residentes no Brasil (sem dispor de meios de comunicação “confiáveis”) consideraram o fato como um “acontecimento impossível”.

Junho, dia 3 – Aumentaram os japoneses presos sob acusação de espionagem. Para socorrê-los, foi fundada a Comissão Católica Japonesa de São Paulo, tendo como presidente-executiva dona Margarida Watanabe.

Julho, dia 3 – Intimados pelo governo brasileiro, deixaram o país os representantes no governo japonês.

Agosto, dia 15 – No intervalo de dois a três dias, cinco navios brasileiros foram afundados na costa de Natal (RN) pela marinha alemã. Em São Paulo, na Praça da Sé, um ato contra os países do Eixo reuniu 200 mil pessoas.

Agosto, dia 18 – Navio mercante brasileiro foi afundado no litoral paraense e, em represália, as casas dos súditos do Eixo em Belém foram destruídas e queimadas. Em outros locais também houve uma reação em cadeia, chegando até Campo Grande (MS). O governo paraense, sob a alegação de proteger os nacionais do Eixo e também garantir maior vigilância, confinou-os na colônia de Acará (atual Tomé-Açu), na ocasião considerada “uma ilha dentro do continente” (cercada pela mata, tinha como único meio de comunicação o Rio Acará). Foi criado, pelo governo estadual, um órgão administrativo chamado Ceta (colônia estadual de Tomé-Açu), que passou a controlar também a administração da colônia japonesa de Acará.

Setembro, dia 6 – Pela segunda vez, os japoneses foram obrigados a, no prazo de dez dias, mudar-se da Rua Conde de Sarzedas e redondezas.

 
O ano de 1943 também foi difícil
Acuados pelas forças de repressão, muitos imigrantes tiveram de “enterrar” parte de seus pertences para livrá-los do confisco, ou da prisão do seu dono. Sem o domínio da língua, por via das dúvidas, policiais levavam tudo o que contivesse algum ideograma japonês. Psicologicamente abalados, cresceu a disposição de reemigrar às regiões ocupadas pelas forças japonesas.

Maio, dia 27 – Entre os japoneses, surgiam comentários de que a menta e o casulo do bicho-da-seda eram exportados aos EUA e utilizados para a produção de material bélico. Portanto, aqueles que se dedicavam à sua produção exerciam atividades antipatrióticas.

Maio, dia 30 – Anunciada a primeira derrota das forças japonesas (na Ilha de Attu), mas os imigrantes não demonstraram qualquer emoção.

Julho, dia 8 – Em conseqüência do afundamento de cargueiros brasileiros e americanos por submarinos alemães, todos os nacionais dos países do Eixo foram obrigados a deixar a orla marítima em 24 horas. Eles foram temporariamente recolhidos na Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo, e depois tiveram de ser acolhidos por parentes e conhecidos. Nessa mesma época, começaram a surgir boatos de que essa mudança resultava de instruções emanadas de fontes do governo do japão.

Agosto, dia 9 – Governo italiano é derrotado pelos Aliados.

Outubro – Fábricas, casas comerciais, fazendas e bancos foram colocados sob liquidação como bens de países inimigos pelo governo brasileiro.

No ano de 1944, na comunidade japonesa, fechada e insegura, começaram a brotar e a circular os mais variados boatos – o mais grave deles acusava os produtores de menta e bicho-da-seda de atividades impatrióticas e, devido a isso, suas instalações foram destruídas por integrantes de organizações secretas.


Declaração de guerra tardia

Apesar do rompimento das relações diplomáticas, o Brasil só declarou guerra ao Japão no dia 6 de junho de 1945. Antes, no dia 22 de agosto de 1942, o País declarou guerra à Itália e à Alemanha.

Na realidade, desde o mês de maio, a vitória dos Aliados era esperada – no dia 2, foi noticiada a morte de Hitler e, no dia 7, a rendição da Alemanha. Aliás, nesse mesmo dia, no Brasil, os súditos dos países do Eixo foram liberados da apresentação do salvo-conduto para viajar.


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: Cronologia da Imigração Japonesa no Brasil – edição aumentada da obra elaborada por Tomoo Handa, Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, 1996, São Paulo; e Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992.
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