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Vivendo
no país do inimigo
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Os imigrantes sofreram em território
brasileiro no período da Segunda Guerra, já que o Japão
fazia parte dos países do Eixo
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COMUNICAÇÃO
- Jornais da época retratam as agruras vividas pelos imigrantes
nipônicos
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(Fotos: Fotos:
acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no
Brasil)
Para os súditos
dos países do Eixo (Japão, Alemanha e Itália) residentes
no Brasil, os anos de 1942 e 1943 foram marcados pelo acirramento da repressão
governamental. O ano de 1942 começou com a Conferência Panamericana,
que decidiu romper as relações diplomáticas com esses
países inimigos, medida que o Brasil cumpriu em 29 de janeiro de
1942. Por conta disso, a embaixada japonesa no Rio de Janeiro e o Consulado
do Japão em São Paulo foram fechados.
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1942
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| Fevereiro,
dia 2 Moradores da Conde de Sarzedas e arredores foram obrigados
a mudar-se, sob alegações de segurança nacional.
Fevereiro,
dia 11 Decretado o congelamento dos bens pertencentes às
nações inimigas e proibido o uso das línguas dos
países do Eixo em locais públicos.
Abril, dia
18 Pela primeira vez, o Japão sofreu ataque aéreo
dos EUA, e muitos japoneses residentes no Brasil (sem dispor de meios
de comunicação confiáveis) consideraram
o fato como um acontecimento impossível.
Junho, dia
3 Aumentaram os japoneses presos sob acusação
de espionagem. Para socorrê-los, foi fundada a Comissão Católica
Japonesa de São Paulo, tendo como presidente-executiva dona Margarida
Watanabe.
Julho, dia
3 Intimados pelo governo brasileiro, deixaram o país
os representantes no governo japonês.
Agosto,
dia 15 No intervalo de dois a três dias, cinco navios
brasileiros foram afundados na costa de Natal (RN) pela marinha alemã.
Em São Paulo, na Praça da Sé, um ato contra os países
do Eixo reuniu 200 mil pessoas.
Agosto,
dia 18 Navio mercante brasileiro foi afundado no litoral paraense
e, em represália, as casas dos súditos do Eixo em Belém
foram destruídas e queimadas. Em outros locais também houve
uma reação em cadeia, chegando até Campo Grande (MS).
O governo paraense, sob a alegação de proteger os nacionais
do Eixo e também garantir maior vigilância, confinou-os na
colônia de Acará (atual Tomé-Açu), na ocasião
considerada uma ilha dentro do continente (cercada pela mata,
tinha como único meio de comunicação o Rio Acará).
Foi criado, pelo governo estadual, um órgão administrativo
chamado Ceta (colônia estadual de Tomé-Açu), que passou
a controlar também a administração da colônia
japonesa de Acará.
Setembro,
dia 6 Pela segunda vez, os japoneses foram obrigados a, no
prazo de dez dias, mudar-se da Rua Conde de Sarzedas e redondezas.
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O
ano de 1943 também foi difícil
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| Acuados pelas
forças de repressão, muitos imigrantes tiveram de enterrar
parte de seus pertences para livrá-los do confisco, ou da prisão
do seu dono. Sem o domínio da língua, por via das dúvidas,
policiais levavam tudo o que contivesse algum ideograma japonês. Psicologicamente
abalados, cresceu a disposição de reemigrar às regiões
ocupadas pelas forças japonesas.
Maio, dia
27 Entre os japoneses, surgiam comentários de que a
menta e o casulo do bicho-da-seda eram exportados aos EUA e utilizados
para a produção de material bélico. Portanto, aqueles
que se dedicavam à sua produção exerciam atividades
antipatrióticas.
Maio, dia
30 Anunciada a primeira derrota das forças japonesas
(na Ilha de Attu), mas os imigrantes não demonstraram qualquer
emoção.
Julho, dia
8 Em conseqüência do afundamento de cargueiros brasileiros
e americanos por submarinos alemães, todos os nacionais dos países
do Eixo foram obrigados a deixar a orla marítima em 24 horas. Eles
foram temporariamente recolhidos na Hospedaria dos Imigrantes, em São
Paulo, e depois tiveram de ser acolhidos por parentes e conhecidos. Nessa
mesma época, começaram a surgir boatos de que essa mudança
resultava de instruções emanadas de fontes do governo do
japão.
Agosto,
dia 9 Governo italiano é derrotado pelos Aliados.
Outubro
Fábricas, casas comerciais, fazendas e bancos foram
colocados sob liquidação como bens de países inimigos
pelo governo brasileiro.
No ano de
1944, na comunidade japonesa, fechada e insegura, começaram
a brotar e a circular os mais variados boatos o mais grave deles
acusava os produtores de menta e bicho-da-seda de atividades impatrióticas
e, devido a isso, suas instalações foram destruídas
por integrantes de organizações secretas.
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Declaração de guerra tardia
Apesar do rompimento
das relações diplomáticas, o Brasil só declarou
guerra ao Japão no dia 6 de junho de 1945. Antes, no dia 22 de
agosto de 1942, o País declarou guerra à Itália e
à Alemanha.
Na realidade,
desde o mês de maio, a vitória dos Aliados era esperada
no dia 2, foi noticiada a morte de Hitler e, no dia 7, a rendição
da Alemanha. Aliás, nesse mesmo dia, no Brasil, os súditos
dos países do Eixo foram liberados da apresentação
do salvo-conduto para viajar.
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NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: Cronologia da Imigração Japonesa
no Brasil edição aumentada da obra elaborada por Tomoo
Handa, Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, 1996, São Paulo; e Uma
Epopéia Moderna 80 Anos da Imigração Japonesa
no Brasil, vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de
Cultura Japonesa, SP, 1992. |
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