
PRIVAÇÕES
- Japoneses sofreram com as leis de restrição às
manifestações culturais
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(Fotos: Fotos:
acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no
Brasil)
No dia 13 de agosto de 1941, chegou a Santos o navio Buenos Aires Maru,
com 417 novos imigrantes japoneses. Ele encerrou o ciclo de levas de imigrantes
pré-guerra, que tivera início há 33 anos, com a chegada
do Kasato Maru.
As relações
internacionais caminhavam inexoravelmente para um conflito de abrangência
mundial. O rompimento das relações diplomáticas do
Brasil com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão)
aconteceu em 29 de janeiro de 1942, sendo que, no mês de março,
os representantes diplomáticos japoneses retornaram ao Japão.
A partir daí,
a defesa dos interesses japoneses ficou a cargo da embaixada da Espanha
(depois transferida para a legação da Suécia). Entre
os imigrantes japoneses, era forte o sentimento de irremediável
abandono.
Desde meados
da década de 30, no Japão, registrou-se o fortalecimento
da política militarista e o incentivo ao expansionismo territorial.
No Brasil, o governo Vargas empreendeu uma política nacionalista,
estimulando o culto à brasilidade (incluindo os filhos de estrangeiros).
O final dos
anos 30 e a década de 40 marcaram profundamente o destino dos imigrantes
japoneses no Brasil. A estrutura organizacional montada foi se desmoronando
com os intermináveis decretos restritivos do governo Vargas. Era
triste o destino de quem se via obrigado a viver no país do inimigo.
Em 1937, o
ensino da língua estrangeira foi proibido para menores de 14 anos,
e as escolas da zona rural foram obrigadas a ministrar aulas de língua
nacional. Em dezembro de 1938, todas as escolas de língua estrangeira
foram proibidas de funcionar.
Esses decretos
vinham acompanhados de outras restrições: desde 1937, os
jornais e as revistas de línguas estrangeiras passaram a ser censurados,
sendo proibidos de circular a partir de 1941. Em janeiro de 1940, foi
estabelecido o sistema de registro de estrangeiros, instituindo-se a obrigatoriedade
da carteira de identidade de estrangeiros.
Esses fatos
criaram profunda insegurança entre os imigrantes japoneses e não
foram poucos os que pensaram em retornar ao país de origem. A quase
totalidade deles foi impedida pelas condições econômicas.
A verdade é
que, para a maioria dos imigrantes japoneses, foi difícil encarar
as novas situações criadas pelo conflito bélico.
As manifestações de discriminações foram acirradas,
e muitos tiraram proveito das medidas restritivas (baixadas em janeiro
de 1942), como a proibição do uso do idioma em locais públicos
e de reunir-se, mesmo em casas particulares. Uma simples denúncia
era motivo para prisão e não foram poucos os inocentes delatados
por vizinhos ou inimigos pessoais.
Nesse período,
a despeito dessa situação excepcional, os imigrantes japoneses
consolidavam-se como agricultores, responsáveis não somente
pela produção de café e algodão, mas também
de amendoim, milho, menta, criação do bicho-da-seda, entre
outros. Também passam a se dedicar ao cultivo hortaliças
e iniciaram a fruticultura.
Ao mesmo tempo
em que adotaram uma diversificação agrícola, também
cresceu, entre eles, o movimento de transferência da zona rural
para a periferia das cidades, ou para a zona urbana propriamente dita.
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