
PASSADO
- Em novembro de 1934, Torazo Okamoto introduziu o chá assam
em Registro
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Relacionamento
BrasilJapão
No relacionamento
entre os dois países, em 15 de abril de 1936 foi inaugurado
o serviço de telefonia sem fio entre BrasilJapão.
Em 1940, seguiu ao Japão uma caravana de 22 estudantes de
Direito e de Medicina de São Paulo, liderada pelo advogado
Mario Botelho de Miranda, sendo José Yamashiro o único
nikkei participante.
Infelizmente,
o final dos anos 30 não produziu boas lembranças.
Em 25 de dezembro de 1938, foi decretado o fechamento de todas as
escolas de línguas estrangeiras. No Estado de São
Paulo, 249 eram japonesas, 20 alemãs e 8 italianas. Em julho
de 1939, muitos japoneses (aqueles que tiveram condições!)
regressaram ao Japão, receosos com o vendaval nacionalista.
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(Fotos: Fotos:
acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no
Brasil)
Um passeio
pela década de 30 revela que a época foi de intensas mudanças,
conformando-se um novo cenário nas relações Brasil-Japão.
Em outubro de 1932, residiam no Brasil 132.689 japoneses, segundo o Consulado
do Japão. Na região da Estrada de Ferro Noroeste, estava
a maior concentração deles 90% eram agricultores.
A emigração
era estimulada pelo governo japonês, tanto que, em junho de 1932,
além de subsidiar a viagem, passou a auxiliar com ¥ 50 os que
tinham idade acima de 12 anos. No Brasil, não havia unanimidade.
Em janeiro de 1931, passou a vigorar o regulamento restringindo a entrada
de imigrantes, mas o presidente Vargas abriu uma exceção
autorizando a vinda da 12 mil japoneses. Dr. Miguel Couto, parlamentar
e médico renomado, em 1932, nas comemorações do 103º
Aniversário da Academia Brasileira de Medicina, referiu-se à
inconveniência para a configuração étnica brasileira
e atacou a permissão governamental.
Dois anos depois,
em 24 de maio de 1934, foi aprovada, na Assembléia Constituinte,
o artigo que limitava em 2% a entrada de imigrantes no País. A
cota dos japoneses ficou em 2.489 pessoas. A despeito disso, nessa década,
o que acontecia entre os nipo-brasileiros?
Em busca
de novas terras
A porta de
entrada foi o Estado de São Paulo, mas, a partir da década
de 30, a crise cafeeira levou os japoneses para outras paragens. Ainda
mais que, desde novembro de 1932, proibiu-se, durante três anos,
o plantio de café. Paraná, que ficara de fora da legislação,
foi o local escolhido, principalmente pela fertilidade da terra
roxa. Em 16 de março de 1930, chegou a Londrina o primeiro
grupo para conhecer as terras vendidas pela Cia. de Terras do Norte do
Paraná, a convite do agente-geral da seção japonesa,
Hikoma Udihara. Em 1º de maio de 1932, iniciaram-se as derrubadas
de mata da colonização de Três Barras (Assaí).
Em 6 de maio de 1939, chegaram a Maringá os irmãos Torao
e Yoshinori Taguchi.
No norte do
Brasil, no dia 18 de outubro de 1930, foi fundado o Instituto Amazônia,
em Parintins (Amazonas). Em 1931, moradores de Tomé-Açu,
para viabilizar a colonização local, tentaram a criação
do bicho-da-seda.
No Estado de
São Paulo, no dia 1º de julho de 1932, fundou-se a Cooperativa
de Pesca de Santos. Em novembro de 1934, Torazo Okamoto introduziu, em
Registro, o chá da variedade assam. Em abril de 1935, iniciou-se
a construção da Fazenda Yuba, em 1ª Aliança.
Em junho do mesmo ano, Ryuichi Matsumoto iniciou a construção
da Vila de Mizuho, em São Bernardo do Campo. Em São Paulo,
foi inaugurado o novo mercado municipal na Rua Cantareira, que, ao seu
redor, criou uma movimentada concentração de nipo-brasileiros.
Em agosto de
1936, no Rio Grande o Sul, em Horizontina, município de Santa Rosa,
foi fundada a primeira colônia de japoneses, liderada pelo Barão
Tomioka, para o plantio de arroz. Foi desfeita no período da Segunda
Guerra.
Não
somente terras. Os japoneses também se preocuparam com a melhoria
das atividades agrícolas. Em 1º de setembro de 1931, inauguraram
o Centro de Treinamento Agrícola em MBoi (atual Embu) e,
em novembro de 1938, instalaram a Estação Experimental Agrícola
no bairro paulista de Caxingui.
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A década
de 30 destacou-se pelo cultivo do algodão entre os imigrantes japoneses,
graças às companhias. Em 23 de agosto de 1934, embarcaram,
oficialmente, ao Japão, as primeiras 60 sacas de amostra do produto.
A partir de 1936, a exportação aumentou com a Algodoeira
Japão-Brasil S.A. (no Brasil, chamou-se Brascot). No Estado de
São Paulo, a empresa instalou cinco máquinas beneficiadoras
nos maiores núcleos de japoneses. Em 1939, a produção
paulista totalizou 52,5 milhões de arrobas, metade produzida pelos
japoneses.
No Norte do
País, eles tentavam outras alternativas. Em fevereiro de 1936,
em Parintins, foi fundada a Companhia Industrial Amazonense para, pela
primeira vez, depois de vários anos de tentativas frustradas, comercializar
3,5 toneladas de fibra de juta. Em abril de 1938, através do Instituto
de Prática Agrícola de São Paulo, foram introduzidas
diversas variedades de aves, constituindo-se no primórdio da avicultura
no Brasil.
Os anos 30
também foram marcados pela construção do Hospital
Japonês (mais tarde Santa Cruz). Em 1933, na festa aos 25 anos da
chegada do Kasato Maru, foi lançada a pedra fundamental do Hospital,
que só começou a funcionar em 24 de setembro de 1940.
Além
do Hospital, outra importante iniciativa do Dojinkai (associação
destinada ao atendimento à saúde), foi a construção,
em 1937, de um sanatório para tuberculosos, graças à
doação de um terreno, em Campos do Jordão, pelo ministro
das Relações Exteriores, Macedo Soares.
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Na década
de 30, as práticas esportivas alcançaram abrangência
regional (ou nacional, como diziam). Em 29 de abril de 1931, foi organizada
a 1ª Competição de Atletismo, no Clube Paulistano,
em São Paulo. Em 6 de setembro de 1933, foi criada a Federação
Desportiva dos Japoneses no Brasil. No mesmo ano, em novembro, aconteceu
o I Campeonato de Beisebol Infantil, em Lins. Em 1934, na Liberdade, ocorreu
a 1ª Competição Brasileira de Beisebol Infantil com
as equipes de Lins, Vai-Bem (Presidente Prudente) e São Paulo.
Na parte cultural,
em 1932, o jornal Notícias do Brasil realizou o 1º Concurso
Literário, vencido por Takeo Sonobe com Tobaku Jidai (Tempos dos
Jogos de Azar). No dia 15 de agosto de 1934, iniciou-se na Rádio
Educadora de São Paulo, a Hora Japonesa, com 15 minutos de duração.
Em 1935, Grupo Seibi, que se dedicava às artes plásticas,
instalou escritório na Rua Alagoas, 32, em São Paulo.
Na década
de 30, o registro de alguns pioneirismos: em 1932, Takeo Kawai formou-se
pelo Mackenzie como o primeiro engenheiro entre os japoneses no Brasil.
Em 1937, Kôki Kitajima foi nomeado vice-prefeito de Iguape, tornando-se
o primeiro nikkei a assumir tal cargo.
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