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  Históra da Imigração Japonesa
A aventura da família Hakkodan continua
De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
Vida de imigrante e o tempo para poesias e romances
A vez das mulheres nos programas de TV
Pelo rádio, as vozes de um Japão distante
Jornais de língua japonesa, a voz dos imigrantes
E o japonês virou língua estrangeira
O cultivo de flores e os imigrantes japoneses
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
As galinhas de ovos brancos
Pimenta-do-reino e chá na colonização
Imigrantes no cultivo das fibras naturais
Legumes e hortaliças emigrando junto com os japoneses
A contribuição dos japoneses na agricultura
Imigrantes nas indústrias
Japoneses no comércio desde 1906 em SP
Um novo degrau no movimento de ascensão social
Colaboração entre japoneses da mesma origem
Andanças pelo Brasil em busca de novos horizontes
Na década de 50, o reinício da imigração
Os imigrantes pós-guerra, novidade entre os nipo-brasileiros
Tentativas para apaziguar os nipo-brasileiros
Os aproveitadores da boa-fé dos imigrantes
Uma explosão de sentimentos
Uma época para ser apagada da memória
Sob a proteção da bandeira do sol nascente
O maior problema era ser de japonês
Vivendo no país do inimigo
Tempos marcados pela guerra e pela repressão aos imigrantes
Muitas mudanças para os imigrantes japoneses
O senso estético de uma vida provisória
Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
Solidariedade, uma marca dos imigrantes
Ano-novo, dia de festa nas colônias japonesas
Das cinzas brotavam as associações de japoneses
Novas energias para suportar momentos de sacrifícios
Aqui, do outro lado mundo
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 2
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 1
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 2
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 1
Muitas mudanças para os imigrantes japoneses
A década de 30 foi marcada pelos grandes movimentos dos pioneiros em busca de novas terras por vários pontos do País

PASSADO - Em novembro de 1934, Torazo Okamoto introduziu o chá assam em Registro
 

Relacionamento Brasil–Japão

No relacionamento entre os dois países, em 15 de abril de 1936 foi inaugurado o serviço de telefonia sem fio entre Brasil–Japão. Em 1940, seguiu ao Japão uma caravana de 22 estudantes de Direito e de Medicina de São Paulo, liderada pelo advogado Mario Botelho de Miranda, sendo José Yamashiro o único nikkei participante.

Infelizmente, o final dos anos 30 não produziu boas lembranças. Em 25 de dezembro de 1938, foi decretado o fechamento de todas as escolas de línguas estrangeiras. No Estado de São Paulo, 249 eram japonesas, 20 alemãs e 8 italianas. Em julho de 1939, muitos japoneses (aqueles que tiveram condições!) regressaram ao Japão, receosos com o vendaval nacionalista.

(Fotos: Fotos: acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Um passeio pela década de 30 revela que a época foi de intensas mudanças, conformando-se um novo cenário nas relações Brasil-Japão. Em outubro de 1932, residiam no Brasil 132.689 japoneses, segundo o Consulado do Japão. Na região da Estrada de Ferro Noroeste, estava a maior concentração deles – 90% eram agricultores.

A emigração era estimulada pelo governo japonês, tanto que, em junho de 1932, além de subsidiar a viagem, passou a auxiliar com ¥ 50 os que tinham idade acima de 12 anos. No Brasil, não havia unanimidade. Em janeiro de 1931, passou a vigorar o regulamento restringindo a entrada de imigrantes, mas o presidente Vargas abriu uma exceção autorizando a vinda da 12 mil japoneses. Dr. Miguel Couto, parlamentar e médico renomado, em 1932, nas comemorações do 103º Aniversário da Academia Brasileira de Medicina, referiu-se à inconveniência para a configuração étnica brasileira e atacou a permissão governamental.

Dois anos depois, em 24 de maio de 1934, foi aprovada, na Assembléia Constituinte, o artigo que limitava em 2% a entrada de imigrantes no País. A cota dos japoneses ficou em 2.489 pessoas. A despeito disso, nessa década, o que acontecia entre os nipo-brasileiros?

Em busca de novas terras

A porta de entrada foi o Estado de São Paulo, mas, a partir da década de 30, a crise cafeeira levou os japoneses para outras paragens. Ainda mais que, desde novembro de 1932, proibiu-se, durante três anos, o plantio de café. Paraná, que ficara de fora da legislação, foi o local escolhido, principalmente pela fertilidade da “terra roxa”. Em 16 de março de 1930, chegou a Londrina o primeiro grupo para conhecer as terras vendidas pela Cia. de Terras do Norte do Paraná, a convite do agente-geral da seção japonesa, Hikoma Udihara. Em 1º de maio de 1932, iniciaram-se as derrubadas de mata da colonização de Três Barras (Assaí). Em 6 de maio de 1939, chegaram a Maringá os irmãos Torao e Yoshinori Taguchi.

No norte do Brasil, no dia 18 de outubro de 1930, foi fundado o Instituto Amazônia, em Parintins (Amazonas). Em 1931, moradores de Tomé-Açu, para viabilizar a colonização local, tentaram a criação do bicho-da-seda.

No Estado de São Paulo, no dia 1º de julho de 1932, fundou-se a Cooperativa de Pesca de Santos. Em novembro de 1934, Torazo Okamoto introduziu, em Registro, o chá da variedade assam. Em abril de 1935, iniciou-se a construção da Fazenda Yuba, em 1ª Aliança. Em junho do mesmo ano, Ryuichi Matsumoto iniciou a construção da Vila de Mizuho, em São Bernardo do Campo. Em São Paulo, foi inaugurado o novo mercado municipal na Rua Cantareira, que, ao seu redor, criou uma movimentada concentração de nipo-brasileiros.

Em agosto de 1936, no Rio Grande o Sul, em Horizontina, município de Santa Rosa, foi fundada a primeira colônia de japoneses, liderada pelo Barão Tomioka, para o plantio de arroz. Foi desfeita no período da Segunda Guerra.

Não somente terras. Os japoneses também se preocuparam com a melhoria das atividades agrícolas. Em 1º de setembro de 1931, inauguraram o Centro de Treinamento Agrícola em M’Boi (atual Embu) e, em novembro de 1938, instalaram a Estação Experimental Agrícola no bairro paulista de Caxingui.

 
A vez de outros produtos

A década de 30 destacou-se pelo cultivo do algodão entre os imigrantes japoneses, graças às companhias. Em 23 de agosto de 1934, embarcaram, oficialmente, ao Japão, as primeiras 60 sacas de amostra do produto. A partir de 1936, a exportação aumentou com a Algodoeira Japão-Brasil S.A. (no Brasil, chamou-se Brascot). No Estado de São Paulo, a empresa instalou cinco máquinas beneficiadoras nos maiores núcleos de japoneses. Em 1939, a produção paulista totalizou 52,5 milhões de arrobas, metade produzida pelos japoneses.

No Norte do País, eles tentavam outras alternativas. Em fevereiro de 1936, em Parintins, foi fundada a Companhia Industrial Amazonense para, pela primeira vez, depois de vários anos de tentativas frustradas, comercializar 3,5 toneladas de fibra de juta. Em abril de 1938, através do Instituto de Prática Agrícola de São Paulo, foram introduzidas diversas variedades de aves, constituindo-se no primórdio da avicultura no Brasil.

Os anos 30 também foram marcados pela construção do Hospital Japonês (mais tarde Santa Cruz). Em 1933, na festa aos 25 anos da chegada do Kasato Maru, foi lançada a pedra fundamental do Hospital, que só começou a funcionar em 24 de setembro de 1940.

Além do Hospital, outra importante iniciativa do Dojinkai (associação destinada ao atendimento à saúde), foi a construção, em 1937, de um sanatório para tuberculosos, graças à doação de um terreno, em Campos do Jordão, pelo ministro das Relações Exteriores, Macedo Soares.

 
Organizações esportivas e culturais

Na década de 30, as práticas esportivas alcançaram abrangência regional (ou nacional, como diziam). Em 29 de abril de 1931, foi organizada a 1ª Competição de Atletismo, no Clube Paulistano, em São Paulo. Em 6 de setembro de 1933, foi criada a Federação Desportiva dos Japoneses no Brasil. No mesmo ano, em novembro, aconteceu o I Campeonato de Beisebol Infantil, em Lins. Em 1934, na Liberdade, ocorreu a 1ª Competição Brasileira de Beisebol Infantil com as equipes de Lins, Vai-Bem (Presidente Prudente) e São Paulo.

Na parte cultural, em 1932, o jornal Notícias do Brasil realizou o 1º Concurso Literário, vencido por Takeo Sonobe com Tobaku Jidai (Tempos dos Jogos de Azar). No dia 15 de agosto de 1934, iniciou-se na Rádio Educadora de São Paulo, a Hora Japonesa, com 15 minutos de duração. Em 1935, Grupo Seibi, que se dedicava às artes plásticas, instalou escritório na Rua Alagoas, 32, em São Paulo.

Na década de 30, o registro de alguns pioneirismos: em 1932, Takeo Kawai formou-se pelo Mackenzie como o primeiro engenheiro entre os japoneses no Brasil. Em 1937, Kôki Kitajima foi nomeado vice-prefeito de Iguape, tornando-se o primeiro nikkei a assumir tal cargo.


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: “O Senso Estético na Vida dos Imigrantes Japoneses”, de autoria de Tomoo Handa, publicado no livro O Japonês em São Paulo e no Brasil (relatório do Simpósio realizado em 1968), editado pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, São Paulo, 1971.
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